“Vamos esmagar esse vírus”

Niterói começa a implantar medidas mais duras contra a Covid-19 Com 801 casos confirmados e 41 mortes por Covid-19 até este domingo, Niterói endurece as medidas de isolamento social a partir desta segunda-feira como forma de tentar conter a disseminação do vírus e evitar o colapso em hospitais públicos e privados. Propostas pela prefeitura e aprovadas pela Câmara de Vereadores, as regras mais severas, que incluem multa de R$180,00 e até prisão para quem descumpri-las, valerão desta segunda (11) até sexta-feira (15), mas devem ser prorrogadas por mais uma semana. Embora a população esteja chamando a lei de lockdown (confinamento), a prefeitura evita o termo com o argumento de que serviços essenciais, como supermercados e farmácias, continuarão funcionando. Para entrar em Niterói em carros particulares, a partir desta segunda, as pessoas passarão a ter a temperatura medida nos bloqueios policiais montados nos acessos à cidade. Se estiverem febris, serão encaminhadas para unidades da rede municipal que fazem a testagem rápida de Covid-19. Niterói foi pioneira no Brasil na adoção dos testes em massa da população, uma das medidas adotadas em países como Coreia do Sul e Nova Zelândia, que conseguiram conter o avanço da doença. - Vamos esmagar esse vírus na próxima (esta) semana. Com a participação de todos, no isolamento social, para que a gente possa ser também uma das primeiras cidades a retomar as suas atividades, com cuidado e gradualmente – disse o prefeito Rodrigo Neves nas redes sociais da prefeitura, no sábado. Dos 801 casos confirmados até este domingo, com 41 óbitos, 390 pacientes estavam em isolamento domiciliar e 78 hospitalizados, além das pessoas que se recuperaram. O número de infectados pela Covid-19, porém, deve ser maior porque nas unidades das redes pública e privada de Niterói havia, ao todo, 170 pacientes internados com síndromes respiratórias graves, mas ainda sem resultado de testes para Covid. - Temos a menor taxa de letalidade da doença na Região Metropolitana do Rio. Cidades que começaram a ter óbito duas, três semanas depois de Niterói, já nos superaram em número de óbitos. Isso, evidentemente, é uma tragédia. É uma estatística trágica para todo o Rio de Janeiro. Mas Niterói está vencendo essa batalha. O distanciamento social permite que a gente consiga atender e recuperar os pacientes mais graves. E, ainda que os hospitais estejam muito cheios, eles ainda não explodiram. Por isso não temos a mesma sensação dramática que se tem no Rio - disse o prefeito. Apesar de ter sido o primeiro município do Estado do Rio a registrar morte por Covid-19 - um homem de 69 anos que se infectou após contato com o enteado que chegara doente dos Estados Unidos -, em 17 de março, Niterói tem conseguido achatar a curva da doença, com crescimento mais lento e gradual dos casos. Ainda assim, é o segundo em casos confirmados no estado, atrás apenas da capital. Ao anunciar o endurecimento das restrições de circulação a partir desta segunda-feira, Rodrigo Neves justificou a decisão dizendo que, “mais do que nunca, o distanciamento social é necessário” porque, segundo especialistas, esta semana de 11 a 15 de maio registrará uma explosão de casos de contaminação na Região Metropolitana do Rio. A cidade foi a primeira a decretar regras rígidas para o isolamento social, medidas recomendadas pela OMS e autoridades sanitárias de todo o mundo. Apesar de uma adesão maior nos primeiros dias de quarentena, porém, aos poucos a população foi voltando às ruas. Ontem, o número de pessoas nas ruas de Icaraí, Ingá, São Francisco, Santa Rosa e Jurujuba era preocupante. Os supermercados também estavam com filas nas portas. Havia muita gente caminhando, pedalando suas bicicletas, passeando com cães e até empurrando carrinhos de bebê nos calçadões da orla, do Centro a Jurujuba. - Nossas medidas levam em consideração, sobretudo, a realidade da cidade.  O objetivo é retomar o padrão de isolamento da última semana de março, quando estava em 70%. Atualmente, Niterói está em 56% - disse o prefeito. As filas nas portas das agências da Caixa para receber o auxílio emergencial do governo federal, sem qualquer controle e sem respeitar o distanciamento mínimo de um metro recomendado pela OMS, levaram a prefeitura a exigir de agências bancárias e comércio essencial o uso de agentes para evitar aglomerações e a distribuição de álcool em gel. A medida entrou em vigor na sexta-feira passada, mas até então as filas por toda a cidade causavam preocupação em infectologistas e autoridades sanitárias. - A cidade tem características muito específicas que apontavam para uma tragédia social caso não fossem tomadas as medidas de precaução e prevenção. Poderíamos ter hoje centenas de mortos na cidade - disse o prefeito, defendendo o distanciamento. - Quanto maior a eficiência do isolamento, mais ele parece desnecessário porque a gente consegue achatar a curva e diminuir as mortes. Isso dá a ideia de que temos poucos casos e está tudo bem, mas não é assim. (...) As pessoas estão caminhando como se nada estivesse acontecendo e os estabelecimentos têm permitido filas enormes e sem controle. Tudo isso em meio à maior crise de saúde pública que já tivemos na nossa geração. Não dá para brincar com a vida desse jeito. A partir desta segunda, a prefeitura multará em R$180,00 quem estiver nas ruas, em praias e praças públicas, com exceção para casos de deslocamento por força de trabalho, ida aos serviços essenciais e estabelecimentos autorizados a funcionar, como supermercados e farmácias. As medidas foram recomendadas por um grupo de especialistas nas áreas de infectologia, epidemiologia e estatística da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Os recursos arrecadados com a multa serão destinados ao Fundo Municipal de Saúde e usados para ampliar o atendimento aos pacientes de Covid-19 na rede pública. - Vamos reforçar os bloqueios com municípios limítrofes que já estão em curso, agora também com a testagem da temperatura daqueles que chegam de outras cidades. Caso seja verificado que essas pessoas estão com temperatura acima do normal, elas serão encaminhadas a unidades de saúde para, imediatamente, fazer os exames necessários para evitar a propagação rápida da Covid-19 em Niterói – informou Rodrigo Neves.

O secretário municipal de Saúde, Rodrigo Oliveira, destacou que não pode haver um relaxamento do isolamento porque “a guerra (contra a Covid) ainda não acabou”. - A gente comprou 50 mil testes, um teste para cada 10 habitantes. Isso é fundamental para a gente entender quais locais da cidade são mais afetados pela doença e direcionar as ações de políticas públicas para continuar reduzindo a velocidade de transmissão do vírus - disse o secretário. A prefeitura evita falar em lockdown. O secretário de Ordem Pública, Paulo Henrique Moraes, reforçou: - Teremos uma ação massiva nas ruas para que se evite a circulação desnecessária. Intensificaremos a fiscalização, utilizaremos os meios necessários para que as pessoas retornem a suas casas. Não é hora de passear com animal, de fazer caminhadas. Saiam de casas somente para atividades extremamente necessárias. Ainda não estamos em lockdown. As atividades essenciais ainda estão funcionando. As padarias estão abertas, os mercados também, pet shops, farmácias e postos de combustíveis. Mas é um momento crucial na nossa luta.

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