'Não temos o direito de tirar a esperança dos que acreditam em dias melhores', diz enfermeira

Primeira a ser vacinada em Niterói, Bruna Lemos conta seus principais desafios e a busca por eficácia na recuperação dos pacientes Por Livia Figueiredo Dia histórico. Nesta terça-feira, 19 de janeiro, a enfermeira Bruna Lemos, de 35 anos, foi a primeira profissional de Saúde de Niterói a receber a vacina CoronaVac na cidade. Desde abril, a enfermeira trabalha na linha de frente no Hospital Municipal Oceânico de Niterói, unidade exclusiva para o tratamento de pacientes com Covid-19. Ela acompanha o dia a dia dos pacientes, da entrada até a alta. - A escolha foi inesperada. Fiquei muito feliz e satisfeita ao descobrir que seria a primeira pessoa da cidade a tomar a vacina. Tenho muita segurança no benefício que ela irá trazer para a gente. Fico muito feliz com cada alta, cada vitória que tivemos aqui dentro do Hospital. Para isso que fui formada, para salvar vidas. Peço que a população continue seguindo todas medidas de proteção e o isolamento social. Com a vacina, retomaremos a uma normalidade que ainda está por vir - destacou. Em entrevista ao A Seguir: Niterói, a enfermeira conta a sua trajetória na área da saúde, a expectativa para os próximos meses e os principais desafios dos profissionais da linha de frente. A Seguir: Niterói: Conte um pouco sobre sua trajetória na área de saúde. Há quanto tempo trabalha na linha de frente? Bruna Lemos: Sou formada pela UERJ em 2009, caminhando para os 12 anos de formação. Iniciei minha atividade profissional como enfermeira da tenda da gripe H1N1, na Ilha do Governador. Posteriormente, trabalhei no Hospital Universitário Pedro Ernesto como enfermeira da central de distribuição de materiais. Em 2011, atuei no Hospital Estadual Azevedo Lima, em Niterói, onde estive até 2014 na posição de plantonista da Unidade de Terapia Neonatal. Em maio de 2014, assumi a coordenação da mesma Unidade e permaneci por lá até o fim de 2018. Depois retomei minhas funções pela Rio Saúde, em fevereiro de 2020, no Hospital Municipal Rocha Faria, na UTI Neonatal, por três meses. Para melhor alocação, fui para o CER Leblon, para Emergência Pediátrica e, em agosto, a pedido, assumi plantão na UTI pediátrica no Hospital Municipal Souza Aguiar, onde permaneço até hoje. Em abril de 2020, chego ao Hospital Oceânico pela confiança depositada no meu trabalho, pela Dra Gisela Motta, através de um anjo com nome de Renata, e aqui permaneço e aqui continuarei até o fim da missão. - Você nasceu em Niterói? Tem filhos? Sim, sou nascida em Niterói e moro em Várzea das Moças. Tenho um filho de dois anos e oito meses. - Quais foram os principais desafios nesses tempos de pandemia na rotina do hospital? O nosso grande desafio sempre foi o de lidar com algo novo e desconhecido, tentando buscar sempre a melhor eficácia na recuperação da saúde de nossos pacientes. - O que vivenciou de mais difícil? Sem dúvidas foi a busca de socorro dos pais de um lindo anjo que se afogou em casa... Foi uma luta incessante para trazê-la de volta, chegamos a transferi-la, mas o desfecho não foi como gostaríamos. Lidar com a morte é sempre doloroso, mas também é motivador, uma razão para não desistir. - O que você tem a dizer para os negacionistas da vacina? Cada um de nós tem autonomia para escolher nossos próprios caminhos, mas não temos o direito de tirar a esperança nos que acreditam em dias melhores. Um dia eles nos entenderão, não somos cobaias. Acreditamos em fatos concretos, temos esperança. - Qual a expectativa para os próximos meses? Que possamos respirar sem barreiras, seguros de retomada da nossa tão sonhada normalidade. Precisamos de nossas vidas de volta.

© 2020. A Seguir Niterói. Todos os direitos reservados. Site por Grazy Eckert e João Marcos Latgé.