A cozinha terapêutica de um jornalista 'quarentenado'

Como preparar minhas refeições tem me ajudado a passar pelo período de isolamento social Por Zean Bravo Foto: Zean Bravo Comecei a rir de nervoso na primeira vez que precisei lavar todas as compras do mercado para evitar a contaminação do novo coronavírus. Enquanto ensaboava as embalagens dos alimentos, só pensava num meme que vi no Twitter: "Esperei muita coisa para 2020, mas jamais imaginei que estaria dando banho num pacote de amendoim". Desinfetar as embalagens que chegam do mercado e deixar frutas e verduras de molho na pia com água sanitária diluída na água agora fazem parte da rotina doméstica. Assim como tirar o sapato antes de entrar em casa. E correr para o banho logo que chego da rua. Eu me considero um privilegiado pelo simples fato de poder ficar em casa neste período de isolamento social. Moro sozinho em Icaraí, Niterói, sou jornalista e estou fazendo quarentena desde o dia 16 de março. Só saio, no máximo uma vez por semana, para comprar comida. Tento escolher os pequenos comerciantes do bairro. Frutas e verduras, por exemplo, compro na venda de orgânicas que fica na minha quadra. Mesmo assim, ainda preciso complementar a lista no supermercado. O "novo normal" por aqui tem sido observar todo mundo mascarado entre uma gôndola e outra durante as compras. Nada normal. Apesar da enxurrada de informação sobre os principais cuidados que devemos ter, muita gente ainda não se preocupa em manter a distância necessária. Eu mesmo já tomei vários esbarrões no mercado. Nas ruas, o clima é pesado. As pessoas parecem se olhar com desconfiança, como se o outro representasse algum perigo. Ou sou eu quem estou ficando paranoico? De acordo com as informações do site da Prefeitura de Niterói, o crescimento da Covid-19 tem sido lento por conta da adesão ao isolamento social. Realmente tenho visto um número bem menor de pessoas no caminho que faço de casa até o supermercado. Quase todas paramentadas de máscaras, mas muitas ainda usando a proteção de forma inadequada, no queixo, por exemplo. Em tempos de quarentena, as minhas saídas de casa são sempre rápidas. Tranquilidade mesmo eu sinto cozinhando, o que tem sido uma espécie de terapia para mim. Quem diria... Há pouco mais de um ano, só os itens do café da manhã habitavam a minha geladeira. Eu achava que não tinha tempo nem talento para cozinhar. Fazia quase todas as refeições na rua. Quando preparava o jantar, não me aventurava além da omelete ou do macarrão com molho comprado pronto. Curiosamente, comecei a aprender a cozinhar quando criei o perfil @bravoentremesas no instagram, no fim de 2018. A ideia da página era compartilhar minhas experiências em restaurantes, bares e café. Mas o perfil funcionou também como um incentivo para perder o medo da cozinha. Passei a testar pratos que via nos vídeos do YouTube (obrigado por tanto, Rita Lobo!) e entendi que muitas vezes não vou acertar 100% o preparo da receita. O melhor de tudo foi encontrar um grande prazer em preparar as minhas refeições do dia a dia. Neste momento, quase todas as refeições mostradas na minha página têm sido preparadas por mim. Na minha cozinha a pedida são pratos mais práticos: peixes, frango, quibe de forno, e variadas formas de preparar legumes e verduras. Ainda não sei fazer um simples feijão, preciso confessar. Será meu próximo "desafio". Não vou mentir. Claro que sinto muita falta de frequentar os meus restaurantes preferidos em Niterói. Já tenho uma lista dos primeiros lugares, todos clássicos da cidade, que pretendo visitar assim que isso tudo passar: Gruta de Santo Antônio (no Centro), Torninha e Da Carmine (em Icaraí), e Seu Antônio (no Cafubá). Receita: panqueca de maçã Enquanto a liberdade de circular normalmente não chega, aproveito para compartilhar uma das receitas que mais fizeram sucesso na minha rede social, a panqueca de maçã. Ingredientes: 2 ovos 1 maçã pequena 3 colheres de sopa de farinha de aveia 1 colher de chá de fermento em pó 2 colheres de sopa de mel ou açúcar canela Modo de preparo: Bater todos os ingredientes no liquidificador até a massa ficar uniforme. Despejar uma concha da massa numa frigideira untada com manteiga ou óleo de coco. Fritar os dois lados até a panqueca ficar bem dourada. Servir com mel e outras frutas.

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