A criatividade para empreender na pandemia em Niterói

Cinthia Ravizzini e o marido se aproximaram ainda mais dos clientes Por Verônica Oliveira Cinthia em frente ao seu Empório Ravizzini Desde 2012, o casal Cinthia Ravizzini e Jonas Vieira Moura tem se dedicado de “corpo e alma” no incremento de seu negócio: o Empório Ravizzini. Com a pandemia do novo coronavírus, Cinthia compara esse momento como se tivesse levado um “caixote” em um mar turbulento. Mas não foi para menos. Da noite para o dia, o casal experimentou o fechamento total do seu negócio nos primeiros dias do isolamento social. - Demorei um tempo para me situar em meio ao caos - conta ela. Passado o primeiro susto, foi o momento de “organizar a casa” e pensar de que forma poderia driblar esse momento tão difícil da pandemia. A primeira medida foi um “choque de ordem”, com o total ajuste financeiro das contas do empório. Dentro do pacote de medidas, a revisão de contratos e a negociação do pagamento junto a fornecedores, de forma a honrar com todos os compromissos firmados. O passo seguinte foi reforçar a presença da marca nas mídias sociais e repensar estrategicamente o negócio com algumas soluções de marketing. A empresária conta que passaram a fazer as entregas, pois a empresa contratada para isso havia paralisado suas atividades nos primeiros dias da crise. A solução foi pegar a bicicleta da filha e, conforme conta Cinthia em tom de brincadeira, estrear a série “Jonas por Niterói” em uma alusão ao programa “Pedro pelo Mundo”. E, dessa forma, todos os produtos chegaram à mesa dos clientes. Não havia pudor na tarefa, nem mesmo quando, muitas vezes, eram oferecidas gorjetas ao entregador-empresário. Nessa simplicidade nata, eles foram construindo uma estreita relação com os clientes, proporcionando-lhes as melhores experiências que possam ter com os seus produtos. Aliás, como estão totalmente à frente do negócio, sem funcionários, a preocupação é com detalhes que possam criar um diferencial que agregue cada vez mais valor à marca, uma delas, é o atendimento. - Aqui os clientes viram amigos!, ressalta Cinthia. Ela conta que não se exime em ajudar de todas as formas e, nesse ímpeto, até taça de vinho e travessa da loja já foram emprestados para clientes. Além do desejo de serem prestativos no que for preciso, fazem parte do cardápio do empório: simpatia, simplicidade e franqueza. Essa sinceridade se manifesta nos mínimos atos, como os relacionados, por exemplo, aos produtos que são vendidos na loja. - Sempre digo que gosto de tudo que vendemos na loja, com exceção do gnocchi de batata doce porque, de fato, não gosto do legume - explica Cinthia. Sobre as lições aprendidas com a pandemia, Cinthia destaca que a maior delas é a percepção de que “uma boa gestão financeira faz toda diferença no momento de enfrentar as adversidades”. Ainda embalada nessa reflexão, a empresária recapitula a sua ideia de que nessa situação extrema só sobreviveriam as grandes empresas. - Agora eu penso que manter uma grande estrutura com um corte de 50% no faturamento é ainda mais difícil. Só mesmo com um bom capital de giro - conclui. Vinda de uma conhecida família de médicos atuantes em Niterói, a empresária teve que percorrer um longo caminho até abrir o empório. Separada e mãe de duas filhas, fez de tudo para dar uma vida digna a Joana, nutricionista, e Júlia, estudante de Psicologia. De recepcionista, digitadora e corretora, ela reconstruiu sua vida quando conheceu Jonas e juntos decidiram empenhar todos os esforços em um negócio próprio. No ano passado, Cinthia foi convidada a integrar o Somos Empreendedoras, composto por empresárias de Niterói. Sempre atuante e aberta a parcerias que agreguem valor, ela viu no convite uma oportunidade de estreitar relacionamentos. - Conhecer mulheres inspiradoras, trocar ideias e aprender me fez uma empreendedora melhor, sedenta por conhecimento - argumenta. A empresária é categórica ao afirmar que “empreender não é brincadeira”, mas que, com muito amor e dedicação, é possível transpor obstáculos.

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