A ocupação dos hospitais

Hospitais privados têm 94% dos leitos ocupados Por Carolina Ribeiro O crescimento alarmante de casos confirmados de coronavírus em Niterói, que levou a prefeitura a aumentar a restrição à circulação de pessoas nas ruas a partir desta segunda-feira, carrega preocupação adicional: a ocupação quase total dos leitos, apesar de a cidade ter ampliado a capacidade de atendimento em UTIs no sistema público e contar com rede ampla de hospitais privados. O agravante é que Niterói tem recebido, especialmente na rede particular, pacientes da capital, de São Gonçalo e da Região dos Lagos, o que reduz os leitos para niteroienses. No último dia 5, a rede de hospitais privados de Niterói já havia atingido 94% de ocupação dos leitos de UTI disponíveis para pacientes com Covid. Especialistas da Universidade Federal Fluminense (UFF) ouvidos pelo site A Seguir: Niterói estimavam, há duas semanas, que, na rede particular, cerca de 80% dos internados eram de fora da cidade. O sindicato dos hospitais privados nega esse percentual e diz que, embora já tenha sido de fato maior, hoje o total de internados aqui mas residentes em outros municípios está em torno de 20% a 30%. Na segunda-feira passada (4), o prefeito Rodrigo Neves já alertava, em live nas redes sócias, para o surgimento de novos casos de Covid a cada dia e a pressão sobre a rede hospitalar: - Só não estamos vivendo o caos que estamos vendo em outras regiões do país graças às medidas de isolamento que a prefeitura implementou e a sua conscientização (da população) sobre a gravidade do problema.  Estamos com as redes pública e privada de Niterói fortemente demandadas por pacientes do coronavírus. Essa demanda de crescimento é diária, Diariamente, novos casos. E fez um apelo aos gestores de unidades privadas: - Quero chamar a atenção dos hospitais privados, que estão lotados, sobre a necessidade de priorizar o atendimento a pacientes de Niterói, porque os hospitais estão sediados em Niterói, têm o apoio da cidade e precisam atender de maneira muito específica e prioritária os cidadãos de Niterói – disse o prefeito. E continuou: - A situação está se agravando. Nossos hospitais privados estão lotados de pacientes, com 93% dos leitos ocupados. Estamos vencendo a batalha porque, diferentemente de outras cidades, estamos tendo um crescimento muito gradual de óbitos e estamos conseguindo estruturar uma resposta a essa epidemia de maneira consistente e planejada. Entretanto, a resposta mais consistente é o isolamento social. Os próximos 10 a 15 dias vão ser dramáticos no Rio. De acordo com o Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Casas de Saúde de Niterói e São Gonçalo (Sindhleste), dos 229 leitos equipados com respiradores nos dez hospitais particulares que atendem pacientes com coronavírus, 216 estavam em uso, restando apenas 13 no dia 5, data do último levantamento. Já nos quartos particulares, dos 282 leitos, 80% (227) já haviam sido ocupados. Ainda segundo o sindicato, em média, cerca de 20% a 30% de leitos ocupados são de pacientes de outros municípios. Problema que vem sendo verificado também na rede pública. Fontes do Hospital Municipal Carlos Tortelly, uma das quatro unidades de referência para o tratamento de Covid na cidade, revelaram ao A Seguir: Niterói que cerca de 50% dos pacientes contaminados internados lá eram de fora do município. De acordo com o Sindhleste, a realidade dos hospitais particulares há duas semanas era outra. Naquele período, quem ocupava os leitos dos hospitais eram os pacientes de outros municípios, como o Rio, onde ainda não havia hospitais de campanha prontos e as redes particulares não tinham concluído a preparação para ampliar os leitos para Covid. E por isso unidades particulares do Rio acabaram enviando pacientes para Niterói. Mas, segundo o Sindhleste, essa taxa de ocupação de moradores de fora vem caindo porque os hospitais do Rio agora já estão se estruturando. Além disso, muitos moradores da Região dos Lagos procuram Niterói por atendimento médico ao longo de todo o ano, o que já fazia parte da rotina. No período de pandemia, portanto, a referência continua sendo a de Niterói. O desconhecimento sobre o vírus e a doença, as inúmeras complicações já observadas em pacientes e o agravamento do quadro de saúde sem que se possa conhecer as razões, todos problemas globais, acabam impactado a ocupação dos hospitais. - Temos um longo tempo de permanência dos pacientes nos hospitais quando eles precisam de internação. Não recebemos testes ou respiradores em Niterói. Estamos fazendo com recursos próprios, ressalvado o apoio do Governo do Estado, com 15 respiradores para o Hospital Oceânico. Não temos respiradores em quantidade para atender a todos porque, infelizmente, o tempo de permanência dos pacientes graves é muito maior do que pacientes com uma pneumonia, uma gripe. Peço a você, fique em casa nos próximos dias. É um momento de agravamento da crise _ pediu o prefeito na semana passada. Diretor do Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da UFF, Aluísio Gomes da Silva Junior diz acreditar que a cidade está bem preparada para enfrentar o vírus, porém, com o atendimento de pacientes de outros municípios, a rede que já está sendo bem utilizada, atingirá a capacidade total. - Estamos vivendo o pico da doença no Rio de Janeiro. O número de casos, internações e mortes será diferente para cada município, conforme a intensidade do isolamento e a capacidade de atendimento da rede hospitalar. Municípios mais preparados vão ter internações e mortes. Os menos preparados vão ter muitas internações e muitas mortes. A diferença será no volume de pacientes que chegar ao sistema de saúde - alerta o especialista, ressaltando que há municípios, como São Gonçalo, que ainda não montaram um hospital de campanha. O secretário municipal de Saúde, Rodrigo Oliveira, destacou em live nas redes sociais os esforços da prefeitura, “dia e noite”, para adotar as medidas sanitárias e tentar conter a disseminação da doença: - Estamos num esforço grande, seja nas nossas unidades próprias ou nas unidades em parcerias, como a ampliação de leitos no Hospital Universitário Antônio Pedro. Iniciamos há alguns dias a testagem em massa. Enquanto o Brasil está fazendo um teste para cada 3 mil habitantes, Niterói está fazendo um teste para cada 10 habitantes. Isso vai dar para a gente a capacidade de aumentar e detalhar a circulação viral na cidade, programando e orientando as medidas e respostas sanitárias para combater a pandemia. Mais leitos Em reunião na última quinta-feira (7) com o prefeito, os donos dos hospitais garantiram que a população de Niterói terá espaço nas redes e, se preciso for, vão ampliar os seus leitos. Algumas das casas de saúde já trabalham na ampliação, realização de obras ou adaptação de espaços subutilizados. No mesmo dia em que anunciou restrições ainda mais severas na circulação de pessoas na cidades, prevendo multa de R$ 180 para aqueles que estiverem fora de casa sem razão essencial, o prefeito Rodrigo Neves também informou que a cidade vai expandir em mais 40% os leitos de UTI públicos e privados até o próximo sábado (16). Segundo o prefeito, especialistas estimam que esta semana, entre os dias 10 e 20 de maio, deverá ocorrer o pico de contaminação pelo Covid-19 na Região Metropolitana do Rio. - Em Niterói, os hospitais não estão como nos outros municípios, não temos colapso. Mas é importante ressaltar que a situação exige atenção. Estamos decididos a ganhar essa guerra com menos mortes em nossa cidade, com a manutenção dos nossos hospitais privados e públicos em condições de atender aos nossos pacientes e, sobretudo, em condição de retornarmos o mais rápido possível à normalidade – disse o prefeito. Para o secretário de Saúde, os dados sobre crescimento do número de casos e, em especial, do número de óbitos em Niterói mostram que a prefeitura está conseguindo “domar o coronavírus”: - Isso só foi possível devido às medidas da prefeitura de expansão da rede de atenção à saúde, mas principalmente às medidas de isolamento social. Tem dado tempo para que o sistema de saúde consiga cuidar dos casos graves de saúde que chegam às unidades - disse Rodrigo Oliveira, completando: - Vamos precisar perseverar ainda mais com a principal arma contra o covid-19, que é o isolamento. Vinicius Queiroz, presidente do Sindhleste, informou, por meio de sua assessoria, que toda a rede privada de hospitais de Niterói está empenhada no atendimento aos pacientes. Além disso, ressaltou que o sindicato mantém diálogo permanente com o prefeito e a Secretaria municipal de Saúde. - Os hospitais possuem um modelo operacional com protocolos de segurança específicos para o Covid-19, mobilizando as equipes diariamente, pois muitos profissionais de saúde acabam também contaminados e isso exige uma dinâmica intensa de substituição. Os hospitais lidam também com algumas dificuldades, como os preços abusivos de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), tendo que arcar com esse ônus para manter sua equipe e os pacientes protegidos - finalizou. No último levantamento divulgado pela prefeitura, até quinta-feira (7), a cidade registrava 629 casos de niteroienses com coronavírus confirmados, sendo 70 hospitalizados em leitos públicos e privados, 339 em isolamento domiciliar e 35 óbitos. Outras 185 pessoas já estão curadas da doença. Além disso, mais de 150 pessoas estavam internadas com síndromes respiratórias graves aguardando o resultado dos exames.

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