A palavra do momento na moda é versatilidade, diz diretora da Agilità

Maria Manuella Almeida vê grande preocupação com a sustentabilidade no pós-pandemia Por Silvia Fonseca Loja da Agilità na Moreira César, em Icaraí: marca niteroiense Maria Manuella Almeida, da diretoria da Agilità A pandemia mudou também a moda. A tendência agora é a indústria apostar na versatilidade, na roupa que acompanha a pessoa do dia à noite, transformando-se apenas com acessórios, diz Maria Manuella Almeida, diretora da Agilitá. A marca de Niterói, que une sofisticação e contemporaneidade há 26 anos, tem hoje seis lojas no país - uma em Icaraí, três no Rio e duas em São Paulo - além do e-commerce. Mais do que uma fonte de glamour, a indústria é grande geradora de renda, movimentando um ciclo do qual muita gente depende para viver, diz Maria Manuella. O grupo, um sonho das fundadoras Lucinda Aziz, Vânia Almeida e Agnes Crocchi, hoje tem três marcas: Agilità, Litt e Fabulous Agilità. Emprega cerca de 200 pessoas. “Veremos uma moda mais autoral, mais sustentável e com mais cooperação. Pequenos artesãos produzindo para grandes marcas e tendo os seus trabalhos reconhecidos”, conta Maria Manuella, que, como empresária de moda, acompanha as mudanças e as tendências do setor no mundo. Para ela, as pessoas agora vão passar a buscar mais qualidade e atemporalidade na forma de se vestir. Confira a entrevista de Maria Manuella Almeida para o A Seguir: Niterói: A Seguir: Agora que as lojas físicas foram reabertas, depois de mais de quatro meses fechadas por causa da Covid-19, quais estratégias adotadas na pandemia vão persistir por mais tempo? Maria Manuella Almeida: O on-line só tende a crescer. Vamos aprimorar cada vez mais o código vendedor que, além de estimular as vendas, diminuiu muito a devolução do site. Estamos com o projeto do omnichanel, uma estratégia que se baseia na convergência de todos os canais de comunicação da empresa. Ele integra lojas físicas, virtuais e compradores. Nosso objetivo é que o on-line e o offline somem forças na venda. A moda pós pandemia vai priorizar o conforto ou a beleza? Acho que em um primeiro momento veremos uma tendência de peças mais comfys até mesmo pela questão da mudança na forma de trabalhar, com a chegada definitiva do home office. Mas, com o tempo, principalmente depois que tivermos uma vacina, acredito que a moda virá mais luxuosa, mais colorida e mais maximalista. Se olharmos para a história da moda, foi exatamente isso o que aconteceu nas pós-pandemias. Com muita gente em casa, no home office, houve mudança de hábitos. Haverá também mudanças de estilo? Mesmo no segmento de luxo, você acha que haverá uma aposta maior em roupas com design confortável e tecidos mais fáceis de cuidar? Acredito que haverá uma mudança de estilo num primeiro momento, mas com o surgimento da vacina acredito que os consumidores priorizarão looks com mais glamour e com mais cores, até mesmo como forma de celebrar a nova vida, a nova liberdade! A tendência será a mesma no consumo e na moda de luxo, mas acredito que agora veremos uma real e grande preocupação com a sustentabilidade. Não só na matéria-prima, como em toda a cadeia produtiva. Estilistas já preparam, de dentro de suas casas, as coleções de verão 2021. O que esperar? O que virá pela frente? Veremos uma moda mais autoral, mais sustentável e com mais cooperação. Pequenos artesãos produzindo para grandes marcas e tendo os seus trabalhos reconhecidos. Falando de tendência, a palavra do momento é versatilidade, a roupa que te acompanha do dia até a noite, e que muda totalmente dependendo dos acessórios. Por muito tempo as pessoas consumiram o fast fashion, hoje o consumo consciente e a sustentabilidade estão cada vez mais fortes. A quantidade passa a não ser mais prioridade, as pessoas buscam qualidade e atemporalidade na forma de se vestir. A Vogue Itália, no mês de abril, publicou a capa toda branca, numa ação de respeito às pessoas que estão morrendo e também de homenagem aos profissionais de saúde. A moda de luxo sentiu algum desconforto, de certa forma, por precisar continuar vendendo para manter empregos na pandemia? Ouvi algumas pessoas falando que falar de moda, postar looks, era futilidade e insensível para o momento que estamos vivendo. Não acredito que a moda de luxo (na verdade, a moda em geral) tenha sentido desconforto por continuar vendendo. A moda é uma das maiores geradoras de emprego no mercado. Então, se não vende, não só os seus empregados diretos como toda uma cadeia produtiva deixa de produzir e consequentemente, deixa de trabalhar e receber remuneração. Precisamos ver a moda como uma grande geradora de renda, e não só como uma fonte de glamour. Muita gente depende desse ciclo para viver. Qual será o futuro dos desfiles nas semanas de moda? E as feiras de negócio da indústria? Tudo digital por muito tempo? Acredito que não. Assim que puder tudo volta a ser presencial. Essa semana eu li que os resultados de engajamento e audiência das semanas de moda digitais de Londres, Paris e Milão, que aconteceram nos meses de junho e julho, não foram positivos. A Fendi inclusive já anunciou que fará um desfile presencial em Milão em setembro, por acreditar que os desfiles são muito importantes para a recuperação da indústria da moda. Sobre as feiras de negócio, as clientes ainda valorizam muito tocar no tecido, ver o acabamento da roupa pessoalmente. Nós criamos um site para a venda para as multimarcas, mas não acho que a experiência digital substitui o físico, eles se complementam. A moda é um dos setores que mais estão sofrendo com a pandemia. E, apesar de considerado não essencial, é também um dos que mais empregam. Como a indústria da moda foi impactada pela pandemia? A indústria da moda foi muito impactada pela pandemia, não só pelo setor financeiro mas como também pelo estrutural. A China que foi o principal epicentro da doença, é um dos principais responsáveis tanto pela matéria prima quanto pela mão de obra do setor no mundo todo. Mesmo para as marcas que não dependem dos suprimentos chineses, o impacto com os pontos de venda fechados foi muito grande, acarretou a diminuição da circulação de clientes assim como o consumo e a energia de compra. Grande parte das pessoas que trabalham na indústria de moda são mulheres, das fábricas às lojas. Isso de alguma forma foi importante no enfrentamento da crise? A Agilità é fruto do sonho de três amigas mulheres, é uma empresa em que 95% dos funcionários são mulheres. Elas sempre foram e serão importantes e essenciais no enfrentamento de qualquer crise. Com as lojas fechadas por quatro meses em Niterói e outras cidades, que estratégias novas de venda e de produção tiveram que adotar? Como se reinventaram? As marcas tiveram que se reinventar no on-line. Nós criamos o código vendedor no nosso site do dia para a noite para que a nossa equipe de vendas conseguisse vender de casa, e tivemos uma surpresa super positiva. Na produção nós desaceleramos, o calendário mudou completamente, atrasamos lançamentos tanto de varejo quanto de atacado.

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