A volta às barcas de Niterói depois da pandemia de Covid

Medidas de segurança frouxas preocupam passageiro que faz a travessia há 40 anos Por Sergio Torres Barca cheia e sem maiores cuidados para evitar contaminação. Foto: Sergio Torres Aglomeração na hora de descer da barca. Foto: Sergio Torres Posso dizer que uso a barca entre Niterói e Rio todos os dias já há 40 anos. Desde a faculdade, iniciada em 1980. Logicamente houve dias, e até períodos um pouco maiores, sem fazer a travessia. Mas, para encurtar a história, são quatro décadas. Somadas as distâncias percorridas na Baía de Guanabara nestes anos todos, é possível que haja quilometragem equivalente à navegada por veteranos marujos pelos sete mares. Adoro o meio de transporte marítimo, detesto a travessia engarrafada da ponte Rio-Niterói. Com a pandemia e o isolamento social, fiquei quase quatro meses em trabalho domiciliar, longe das barcas. Estava até com saudades, admito. Nesta quinta-feira (2/7), com o início do rodízio presencial no trabalho, voltei ao trajeto Praça Arariboia-Praça 15. Peguei a barca das 10h30m. Esperava haver medidas de segurança mais rigorosas. Fora o saguão de espera com os portões abertos, não vi nada de diferente, exceto todos de máscara e a pistola de temperatura na testa ao entrar na estação. Bares funcionavam normalmente, os bancos inteiriços não tinham separação. As pessoas sentavam-se lado a lado. Como depois das 9h30m a barca só está partindo de Niterói de uma em uma hora, pouco antes do embarque formou-se aglomeração inapropriada e inaceitável neste momento de preocupação e medo. Dentro da embarcação, não havia interdição de assentos, medida que dificultaria um pouco o contágio caso um passageiro estivesse contaminado pelo coronavírus. As pessoas, por conta própria, tomavam a iniciativa de buscar cadeiras mais afastadas. Embora proibida, a venda de produtos por ambulantes na barca se mantém. No primeiro piso havia dois deles, de máscaras e borrifando algo líquido nas mãos. Um vendia barra de cereais; o outro, carregadores de celulares. Ambos elevando muito a voz para apregoar a qualidade e o preço das mercadorias. Ainda no primeiro piso, uma terceira voz possante se ouvia. A de um violeiro barbudo, que interpretava pérolas do cancioneiro nacional. Mas este, por motivos óbvios, não usava máscara facial durante a cantoria em meio aos passageiros. E tome cantoria durante toda a travessia. Sem ser advertido.

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