Abre, fecha…

A falta de coordenação entre as ações dos municípios da região metropolitana do Rio de Janeiro dificulta o controle da Covid-19 em Niterói Os bloqueios se mantém e dificultam acessos da ponte. Foto: Prefeitura Menos de dez dias depois de anunciar um plano de transição para o retorno gradual das atividades, ao fim do lockdown de maio, Niterói já tem que voltar a restringir a movimentação de pessoas na cidade. O bloqueio é localizado: o acesso às praias da Região Oceânica só será facultado aos moradores de Piratininga, Camboinhas, Itaipu e Itacoatiara. A decisão foi tomada depois que a doença voltou a registrar forte crescimento, com 25 mortes em apenas sete dias. Os indicadores apontavam ainda que a Covid avançava na direção das praias oceânicas. O número de casos em Piratininga, por exemplo, cresceu três vezes em duas semanas. No boletim desta quinta-feira, 04.06, foram 153 casos, 20 novas notificações, em apenas 24 horas. O boletim da prefeitura revela ainda que o número de novos casos continua crescendo muito, com o aumento da testagem: cerca de 200 casos por dia. Nesta quarta-feira, o número de mortes chegou a 129 - e há 121 pessoas internadas em UTIs. Foi o menor número de óbitos dos últimos sete dias, depois de uma sequência com quatro e cinco mortes por dia. O problema é que não é apenas Niterói que começa a traçar planos de retomada das atividades. O Rio surpreendeu os especialistas ao anunciar a volta de diversas atividades, num momento que a doença ainda cresce de forma acelerada. O Rio já soma 33 mil casos e 4231 mortos. Quando a Covid-19 surgiu na China, no final do ano passado, os cientistas do mundo todo se viram diante de uma doença de alto contágio e letalidade, sobre a qual nada sabiam. As informações disponíveis sobre a doença, seis meses depois, ainda não bastam para devolver a segurança ao planeta. Mas os cientistas já estabeleceram alguns pontos de consenso. Qualquer criança é capaz de recitar, nas suas aulas virtuais: manter distância, usar máscaras, lavar as mãos. O isolamento, até agora, tem se revelado a forma mais eficiente de deter a doença. Isso fez com que as cidades adotassem medidas restritivas, como o fechamento do comércio, escolas, locais de concentração e, num estágio de maior risco e gravidade, o lockdown, com restrições e punição à movimentação de moradores. Outra certeza que os cientistas têm é que não há esforços isolados nesta tarefa, as ações precisam ser coordenadas. Não basta ter controle da doença em Niterói quando há 250 mil pessoas se movimentando diariamente entre Niterói, Rio de Janeiro, São Gonçalo e Baixada. A Região Metropolitana do Rio concentra 70% dos casos da doença no estado e nenhuma cidade estará imune ao que acontece no município ao lado. O alerta é da OMS, da Universidade Johns Hopkins, da USP, da UFRJ, da Fiocruz. O Instituto de Saúde Coletiva da UFF já alertou para a necessidade de ações combinadas. O maior reconhecimento disto foi a decisão da prefeitura de oferecer recursos para a construção de um hospital de campanha em São Gonçalo. Não há como evitar que os doentes utilizem o sistema de saúde de Niterói. Da mesma forma, o controle do trânsito, com barreiras nos acessos à cidade, diminuiu a movimentação entre as cidades. O cenário, no entanto, começa a mudar com a decisão da prefeitura do Rio de retomar uma série de atividades, inclusive comércio, igrejas e atividades em locais públicos. Boa parte do moradores de Niterói trabalha no Rio. A movimentação entre bairros e entre as cidades foi uma das razões alegadas pela prefeitura de Niterói para voltar a estabelecer o fechamento das praias da Região Oceânica. Os casos da doença praticamente dobraram em Piratininga, em apenas uma semana. A cidade corre o risco de entrar num processo de restrições e flexibilização constante. Em menos de um mês, Niterói saiu adotou o lockdown, anunciou um plano de retorno gradual às atividades e já se vê obrigada a impor barreiras de trânsito na Região Oceânica. Os números da doença no município são preocupantes. Depois do Rio, Niterói é a cidade com maior número de casos da doença. O Rio tem mais da metade dos 60 mil casos do estado, e Niterói 3.447, de acordo com o painel da Covid-19 exibido pela Secretaria Estadual de Saúde. Outros municípios da Região Metropolitana não têm dados confiáveis sobre o contágio, por não terem realizado testes em escala, até o momento. Mas o número de mortes revela a dimensão da epidemia: O Rio tem 4.231 mortos; Caxias, 286; Nova Iguaçu, 219; São Gonçalo, 211; e Belford Roxo, 122. Niterói tem 129 casos. Mas quando o números são tomados proporcionalmente, por 100 mil habitantes, a cidade não se distingue entre os municípios vizinhos. Na live realizada na quarta-feira, 3/6, o prefeito Rodrigo Neves alertou que a cidade vai monitorar o avanço da doença e manter o isolamento necessário para evitar o contágio e o crescimento da doença.

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