Alta hospitalar, a maior alegria

Diretora do CHN comemora cura de 157 pacientes Por Silvia Fonseca Os casos de pacientes com Covid-19 já representam 34% dos atendimentos do Complexo Hospitalar de Niterói (CHN). Diretora-geral do maior complexo privado de saúde da cidade, a médica Ilza Boeira Fellows destinou dois prédios apenas para atendimento e internação de pessoas com suspeita ou confirmação de Covid. Nascida em São Paulo mas moradora de Niterói desde criança, viu colegas se recuperarem e também morrerem com coronavírus. A maior vitória em meio a esta pandemia, diz ela ao “A Seguir: Niterói”, é já ter dado alta a 157 pessoas com teste positivo para Covid. Essas 157 altas representam nada menos que 31% dos recuperados que tiveram teste positivo para coronavírus em todas as unidades das redes pública e privada da cidade. Segundo dados divulgados pelo prefeito Rodrigo Neves em 20 de maio, dos 1.488 casos confirmados de Covid-19 até aquele dia, 506 pessoas haviam se recuperado. Recentemente uma das alegrias foi dar alta ao médico ginecologista Marcos Brandão, de 57 anos, que ficou 38 dias na UTI com Covid. - Ficamos muito felizes, pois além de ele ser uma pessoa muito especial, é um colega muito querido. O ser humano e a preservação da vida sempre foram o nosso foco. Por isso, a sensação é sempre a de dever cumprido. Aqui não medimos esforços para cuidar de todos aqueles que buscam o nosso atendimento, sejam pacientes com sintomas suspeitos de Covid-19, sejam os que não foram infectados pelo novo coronavírus e precisam dar continuidade a seus tratamentos ou necessitam de um atendimento de urgência ou emergência que nada têm a ver com a pandemia - diz Ilza Boeira. Também foi no CHN que dias depois, apesar de todos os esforços das equipes de saúde, morreu por complicações decorrentes da Covid-19 o médico Victor Bon, de 49 anos, deixando os colegas consternados. Dra. Ilza Boeira Fellows, diretora-geral do CHN A SeguirÇ Qual a taxa de ocupação hoje do CHN? Quantos pacientes com Covid-19 o complexo já internou desde o início da pandemia, em março, e quantos se recuperaram? Dra. Ilza Boeira Fellows: O CHN está preparado para atender diversas patologias, inclusive casos de Covid-19, que atualmente representam cerca de 34% dos nossos atendimentos. Do início da pandemia até hoje já atendemos 3.805 casos, entre suspeitos e confirmados. Deste total, 309 pacientes necessitaram de internação, sendo 69 casos graves de UTI, e já demos 157 altas de casos confirmados. Quantos leitos o CHN tem e quantos deles são de UTI? Todos os de UTI estão equipados com respiradores? O CHN é referência em alta complexidade na região Leste Fluminense. Temos um total de 323 leitos, sendo 189 de quartos privativos, 110 de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) adulto, 24 de UTIs pediátrica e neonatal e 26 leitos exclusivos para transplantes. Todas as UTIs têm equipamentos de ponta, incluindo respiradores, e estão distribuídas pelas cinco torres dedicadas ao atendimento assistencial. Dois prédios – as unidades I e II - são dedicados exclusivamente à triagem, ao atendimento e ao tratamento de pessoas que apresentam sintomas suspeitos ou casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus. Como tem sido a rotina de médicos, enfermeiros e auxiliares desde os primeiros casos? Uma rotina intensa como em qualquer hospital que atende casos de alta complexidade e não apenas casos de Covid-19. Vale ressaltar que o CHN reforçou as medidas de segurança e combate ao novo coronavírus e implantou novos fluxos de atendimento, tudo em total conformidade com os protocolos preconizados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde, para garantir que os profissionais das nossas equipes médico-assistenciais e de apoio possam desempenhar suas atividades com segurança, tranquilidade e eficiência. O complexo tentou comprar mais respiradores e não conseguiu? Que dificuldade de material tem tido? O CHN tem mantido seus estoques regularmente abastecidos. Como a direção do CHN está lidando com o fato de ter profissionais contaminados? É fato que os profissionais da linha de frente de atendimento ficam mais expostos. Porém, com as medidas preventivas adotadas, nosso percentual de profissionais com suspeita ou confirmação da doença é muito pequeno, em torno de 15%. No momento estamos com 68 colaboradores afastados por Covid e em recuperação domiciliar. O que mais mudou na rotina do hospital? O que mudou foi a demanda e o foco nesse momento pandêmico. Além do esvaziamento dos procedimentos eletivos e do atendimento de doenças crônicas. O CHN precisa cuidar daqueles que chegam com sintomas suspeitos de Covid-19, mas sem negligenciar o cuidado aos pacientes que já eram atendidos antes da pandemia e que precisam dar continuidade a seus tratamentos. Por isso, mudamos nosso fluxo. As unidades I e II do complexo passaram a ser totalmente dedicadas à triagem, ao atendimento e ao tratamento de pessoas que apresentam sintomas suspeitos ou casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus. Já as unidades III, IV e V, que ficam em outros prédios, mantêm os atendimentos de rotina, tais como: oncologia, transplantes, cardiologia, neurologia, exames e cirurgias de pacientes que já estavam em tratamento no CHN. A setorização dos leitos de UTI em áreas distintas de atuação e o cuidado para pacientes com Covid-19 (área vermelha – Unidades I e II) e não Covid-19 (área verde – Unidades III, IV e V) traz segurança e tranquilidade a todos no ambiente hospitalar, especialmente aos pacientes que não foram infectados pelo novo coronavírus, mas que apresentam doenças crônicas e, por isso, precisam manter o acompanhamento médico e terapêutico ou até mesmo uma cirurgia eletiva. Com essas medidas, o paciente troca o medo por confiança e volta a se cuidar adequadamente. Há risco de falta de leitos para Covid em Niterói? Não é possível avaliarmos, pois as informações de leitos na cidade são consolidadas pelos órgãos governamentais competentes. O CHN é uma instituição privada de saúde que faz parte da Rede Ímpar, e não temos medido esforços para garantir o atendimento a todos os nossos pacientes, inclusive os com Covid-19. Só para se ter uma ideia, aqui no Rio de Janeiro, a Rede Ímpar participa do consórcio formado com a Rede D'Or e a United Health, que doou R$ 9,2 milhões para reforma de quatro andares do Hospital São Francisco da Ordem Terceira da Penitência, na Tijuca, e que contará com cerca de 100 leitos, sendo 28 deles de UTI. O consórcio também doou equipamentos, insumos e medicamentos. Também apoiamos o Hospital da Região Oceânica com doação de respiradores. O que tem sido mais difícil? E as maiores vitórias? Mais difícil é essa batalha contra uma doença ainda muito desconhecida. E nossa maior vitória, com certeza, foram as 157 altas que já demos até o momento para nossos pacientes de Covid-19 e o fato de garantirmos o tratamento com segurança aos nossos pacientes crônicos.

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