Arquitetos constróem projeto de solidariedade

Juntos Somos+Arq recolhe doações para ajudar famílias em Niterói Por Carolina Ribeiro Arquitetos de Niterói distribuem as cestas básicas aos sábados. Foto: Divulgação Foto: Divulgação Do desejo de ajudar a população mais vulnerável em meio à pandemia do Covid-19 ao resgate social do fazer arquitetura. O projeto Juntos Somos+Arq começou ainda em março, quando duas amigas arquitetas, Paloma Yamagata e Carol Freitas, se juntaram para arrecadar doações de cestas básicas para os mais necessidades. Três meses depois, com o engajamento de arquitetos e designers do Brasil todo, mais de meio milhão de pessoas já foram beneficiadas com a arrecadação de R$ 5 milhões, em doações e leilões beneficentes, e entregas de 97 mil cestas. Em Niterói, será realizado o primeiro leilão em 4 de julho. Para o segundo semestre, os planos serão ampliados e prevêem uma mudança na arquitetura. Após se indignar com alguns posts nas redes sociais, como a comemoração pelas “férias” causadas pelo isolamento social, ou correntes de apoio restritas a posts de internet, a arquiteta niteroiense Paloma Yamagata - hoje moradora do Rio - buscou a ajuda de amigos para ações que fizessem realmente a diferença na vida das pessoas. O início, então, foi juntar doações, com a também arquiteta Carol Freitas, e ir ao mercado. Em apenas um dia conseguiram R$ 4 mil, que resultou em mais de 600 quilos de alimentos e produtos de higiene. Foi neste ritmo, de um dia para o outro, aliado a uma publicação no Instagram, que a rede de doações foi criada. Com a ajuda de arquitetos de todo o Brasil - já são 23 estados e 32 cidades participantes - o projeto se tornou nacional. - Ver tanta gente postando fotos de viagem e celebrando o isolamento me incomodou muito. Era quase agressivo quando tantas pessoas estão passando fome e morrendo da doença - recorda-se Paloma. Além de arrecadar doações em dinheiro para a compra das cestas básicas, o grupo organiza leilões on-line com peças de decoração, móveis, telas, entre outros, doados por lojas, arquitetos, designer de interiores e artistas plásticos. Pelo menos cinco leilões nacionais já foram realizados. O de Niterói acontece por meio do site Vip Direto em 4 de julho. Mais detalhes de como se cadastrar serão divulgados nos próximos dias. - O projeto tomou uma proporção muito grande e nunca tivemos essa pretensão, ficamos muito felizes. Assustou no primeiro momento, mas gosto de tudo certinho. Paramos o escritório e fomos atrás de quem podia coordenar nos estados, gravar vídeos de divulgação… Agora que conseguimos organizar queremos tornar o movimento mais sólido e não vamos parar - adiantou. O grupo foi se desenvolvendo pelo Brasil com o auxílio de administradores regionais e chegou em Niterói pelas mãos da arquiteta Sandra Wayand, que passou a ser a coordenadora do projeto na cidade. Mais de 350 cestas já foram doadas nos últimos dois meses. Mas eles querem mais. - Começamos a pedir doações para a família, clientes, lojas parceiras e estamos crescendo aos poucos. Todos podem doar, seja com cesta básica ou com dinheiro - contou Sandra. Em Niterói são cinco pontos de coleta de alimentos (veja lista abaixo). Doações já foram realizadas no Morro do Estado, no Centro, Morro do Palácio, no Ingá, e no Complexo do Viradouro, em Santa Rosa. A próxima será neste sábado, na comunidade R3, no Rio do Ouro. São cerca de mil famílias cadastradas. - Estamos vendo tanta desigualdade neste país, é muita gente passando fome. Apesar de fazermos o cadastro antes, sempre aparecem mais pessoas quando veem que estamos doando alimentos. E sabemos que há muitos necessitados - comentou, completando que o projeto também recebeu doação de máscaras. Para Paloma Yamagata, Niterói tem o potencial de ajudar muito mais. Em dois meses, foram arrecadados R$ 20 mil, enquanto na cidade do Rio passou de R$ 530 mil. Hoje 50 arquitetos da cidade fazem parte do projeto, mas há espaço para mais. Além disso, toda a cidade pode participar doando. Um mercado do Rio, inclusive, disponibiliza cestas básicas com desconto para o projeto e permite que clientes adquiram as cestas direto no local. - Niterói tem mais de mil arquitetos. Se pelo menos 10% ajudarem com doação, tempo, divulgação, conseguimos muito mais. Mas também começamos o projeto no grupo de arquitetos, mas ele é para todos. Para o leilão, mais pessoas se mobilizaram… - contou Paloma. E elas querem mais. O grupo já pensa nos planos para o segundo semestre. As doações de alimentos estão previstas até julho para que deem início às “ações transformadoras”. A ideia é incentivar o sistema de projetos Pro Bono e a construção de espaços comunitários, como creches, cozinhas e hortas. - Estamos escrevendo um estatuto, para ser publicado no segundo semestre, que entendemos que vai reger o nosso segmento. Não é mais aceitável o arquiteto trabalhar fora de algumas premissas, para ser sustentável não basta colocar uma luz que economize energia e dinheiro para o cliente. Temos que ser mais responsáveis socialmente. Perdemos o papel social do arquiteto ao longo do tempo. Desde o modernismo brasileiro não se fala em arquitetura para a população. A maioria de nós projeta para dentro de quatro muros - ponderou, completando que a intenção é que os profissionais atendam seus projetos particulares e também projetos sociais. - Saindo dessa situação emergencial queremos contribuir para ações comunitárias, destinando parte do nosso entulho para reutilização, incentivando e patrocinando projetos que constroem residências para pessoas em vulnerabilidade social. Entendemos que hoje os arquitetos e os designers têm um papel social mais importante do que o que vinha desempenhando, que antes era nulo - finalizou. Pontos de coleta de alimentos em Niterói Mãos do Oriente - Rua Lemos Cunha 365, loja 101, Icaraí: de terça a quinta, das 10h às 12h. Bello Banho - Rua Marechal Deodora 160, Centro: de segunda a sexta, das 9h às 17h. Florense - Rua Álvares de Azevedo 230, sala 101, Icaraí: de segunda a sexta, das 10h às 17h. Bontempo - Rua Rui Barbosa 158, São Francisco: segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 14h. Hayasa - Estrada Francisco da Cruz Nunes 600, Pendotiba: segunda a sexta, das 10h às 17h.

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