Atletas de Niterói treinam na pandemia com cuidados

Exercícios ao ar livre marcam paisagens da cidade Por Carolina Ribeiro Treinamento na Praia de Icaraí. Foto: Gustavo Stephan Martine Grael e Kahena Kunze. Foto: Divulgação/Ana Catarina André Luiz Coutinho. Foto: Divulgação/Fátima Pelaez Ivana Alcântara. Foto: Arquivo pessoal Gustavo Mann. Voltar a se exercitar fora de casa ou aguardar o fim total do isolamento social, eis a questão. Em Niterói, as atividades físicas individuais foram liberadas nas ruas e praias da cidade desde 21 de maio - quando houve uma flexibilização do isolamento. Gostar de exercício ao ar livre parece ser uma característica do niteroiense, que é ávido pela adrenalina dos esportes radicais, mas também apaixonado por um banho de mar nos dias mais quentes ou até um passeio pelo calçadão. Não à toa, desde a liberação, muitos já voltaram à rotina de exercícios. Em maio, antes da flexibilização do isolamento, o Ministério da Saúde publicou um artigo recomendando a prática de atividades físicas, na época dentro de casa, para manter a saúde em dia e também para auxiliar o combate ao coronavírus no corpo humano. Isso porque o exercício melhora o sistema imunológico e contribui para a proteção contra as doenças crônicas, comorbidade que que pode agravar a reação do corpo ao Covid-19. Além disso, a sensação de bem-estar provocada pela prática regular de atividade física pode oferecer benefícios à saúde mental, principalmente em meio ao isolamento social e à pandemia que, naturalmente, são fatores que possibilitam estresses e crises de ansiedade. Foi por acreditar que a atividade física é um regulador de sanidade que a campeã olímpica de vela e niteroiense Martine Grael inventou quase uma academia em casa. - Cortei cabo de vassoura, improvisei exercícios e, aos poucos, comecei a correr, mesmo não sendo meu forte - contou. Quando a pandemia ganhou força no exterior, Martine e sua dupla, Kahena Kunze, estavam prestes a competir. Com eventos cancelados, voltaram para casa e ficaram três semanas isoladas da família antes de se juntarem a eles. Antes do isolamento restrito em Niterói começar, chegaram a voltar aos treinos em dupla, mas precisaram parar devido às proibições e ao risco para elas e seus familiares. Aos poucos estão retornando aos treinos de maior intensidade. - Mantendo meus treinos com a Kahena, temos consciência de que nossas famílias estão interligadas, por isso, tomamos o maior cuidado! Temos medo da contaminação, por nós e as pessoas com que estamos em contato. Na verdade, para ir treinar não entramos em contato com mais ninguém, já que moramos próximo, mas para ir no mercado vou toda equipada. Parece um ritual - comentou, completando que, além da máscara e do álcool em gel, limpa todas as compras com vinagre e álcool. Niterói sempre respirou esporte. É palco de diversos campeonatos e provas o ano inteiro - claro, antes da pandemia -. Aos finais de semana, por exemplo, não era difícil ver ruas fechadas para corridas, incluindo até o Túnel Charitas-Cafubá, ou tendas armadas nas praias para competições de canoa havaiana e stand up paddle. Organizador de muitas competições e instrutor de stand up paddle, Gustavo Mann (Supmann) conta que eles interromperam as atividades por cerca de dois meses, durante o foco da transmissão na cidade, mas que aos poucos foram retornando ao mar. Os treinos costumam acontecer pela praia e lagoa de Itaipu. - Voltamos com muito cuidado. Pegamos a prancha de stand up um por vez na guarderia, treinamos remando afastados no mar. As cidades só vão voltar a vida normal daqui há bastante tempo, mas as pessoas não aguentam mais ficar em casa, é super importante voltar a atividade física, de forma comedida, para ir retornando a rotina - acredita. O município já se consagrou também com um dos polos da canoa havaiana no Brasil. Até o final de 2018, eram mais de 10 clubes inscritos na Federação de Canoa Havaiana do Estado do Rio e mais de dois mil remadores cadastrados. Além destes, são dezenas de equipes e remadores individuais. A advogada Ivana Alcântara é integrante de um deles, o Mulheres no Mar, que treinava quase todos os dias, mas estão paralisadas desde março. - Assim que for permitido, com previsão para julho, com certeza a equipe Mulheres no Mar vai estar na água. Apesar de ter receio, já retomei os treinos individuais, pois com os cuidados necessários, contribui para nos manter saudáveis. Temos muita saudade, a equipe é pequena e só de mulheres, é quase uma família - disse, completando que as canoas são higienizadas e somente é permitido tirar a máscara dentro d’água Por receio de ser acometido pelo vírus e por ainda não encontrar um meio seguro de voltar às corridas, o jornalista André Luiz Coutinho está a quase três meses sem correr. Mesmo com a autorização da prefeitura para realizar atividades físicas na rua, André diz que ainda não se sente seguro, justamente devido a transpiração e o uso da máscara em um trajeto tão longo: do Barreto a Icaraí. - Estou estudando máscaras que podem ser usadas para correr e que segurem a transpiração, pois essas caseiras já ficam molhadas logo no primeiro ‘trote’ e aí perdem a eficácia. Desta forma, fico sem condições de correr, pois é loucura também praticar sem a máscara. Enquanto isso, continuo com exercícios de funcional em casa para não perder o condicionamento físico - comenta. Por conta da pandemia, diversas competições e provas foram adiadas ou canceladas. André estava treinando para correr duas maratonas este ano. Uma em Porto Alegre, que seria em maio, e a outra que ia de Penedo a Visconde de Mauá, mas foi adiada para novembro. Já Martine Grael e Kahena Kunze treinavam para a Tóquio 2020, olimpíada que foi adiada para julho de 2021. Marco Grael, irmão de Martine, também velejador, foi classificado junto a sua dupla Gabriel Borges para a olimpíada.

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