Bistrô de paellas e ceviches nasce durante pandemia em Niterói

Mr. Lang também entrega pescados nobres na cidade e no Rio por Sergio Torres Pratos de frutos do mar: Mr. Lang também é chef e costuma ter vieiras para entregas Sven Eric Lang é um niteroiense que há sete anos desistiu da rotina de empresário da área de seguros e passou a se dedicar a algumas de suas atividades preferidas, como mergulho, pesca submarina e gastronomia. Para se manter, vendia parte do que pescava. Aos poucos, montou um negócio que já tem quase 700 clientes. Todos recebem em casa frutos do mar de alta qualidade, higienizados e embalados. Lang, de 51 anos, também recebe grupos pequenos em um bistrô particular para o consumo das paellas e ceviches que prepara. Antes de criar o endereço virtual Mr. Lang, pelo qual recebe as encomendas da clientela, ele passou uma temporada na Europa. - Em 2013, desisti da vida de empresário e fui morar fora do Brasil. Tive a oportunidade de ver como peixes, crustáceos e moluscos eram tratados e comercializados em países como Alemanha, Holanda, França e Reino Unido, mantendo uma qualidade excepcional - relembra. O envolvimento com o mar e a pesca vem da adolescência. - Comecei com a pesca submarina aos 14 anos. Como morava em Itacoatiara, estava sempre atento às condições do mar. Para ir comprando os equipamentos de mergulho, que eram caros, passei a vender parte do que pescava. Desde essa época já fazia a minha ‘mesada’ com o dinheiro dos polvos, peixes, lagostas e cavaquinhas que pescava. Por conta disso, passei a entender e identificar a origem e a qualidade dos pescados - relata. Mr. Lang começou a pescar fazendo pesca submarina Ao fechar sua corretora de seguros e partir para a temporada europeia, Lang focava na especialização em gastronomia. No retorno ao Brasil, deduziu que havia campo em Niterói para um serviço domiciliar de excelência no setor de pescados nobres. - Quando voltei em 2015 percebi que, ao aplicar um pouco do que havia aprendido, aliado aos instrumentos de comunicação que temos, como WhatsApp, Instagram e Facebook, daria para tentar implantar um conceito de pescado artesanal, fresco, embalado a vácuo e congelado. No ano seguinte, Lang retomou a pesca com regularidade, comprou uma máquina básica de embalagem a vácuo e recuperou um freezer há tempos desligado. Passou, então, a embalar e congelar os produtos das pescarias. À época, ele estudava na Escola de Gastronomia da UniLaSalle, em Niterói. - Levei alguns polvos e peixes que havia preparado para uma aula de frutos do mar e acabei virando fornecedor da universidade! Como estudava com chefs e donos de restaurantes, não demorei a passar a fornecer também para eles. Com o objetivo de tornar seu negócio mais conhecido, e também se fortalecer no enfrentamento à crise econômica do país nos últimos anos, Lang resolveu investir nas redes sociais. A meta era atrair pessoas físicas para seus peixes, camarões, lulas, polvos, lagostins e mariscos variados. - Passei a enviar semanalmente um menu dos pescados que tinha em estoque, inicialmente para parentes e amigos. Com o tempo, minha atuação foi viralizando. Hoje tenho quase 700 clientes cadastrados. Para interagir com os fregueses, Lang criou o Seu Chef Online, canal onde ouve a opinião dos consumidores a respeito dos pescados. - Passei a estimular a troca de informações, pedindo opiniões sobre os produtos que vendia, mandando receitas, dicas e curiosidades a respeito do que faço -conta. Lang revela que, como a demanda passou a superar em muito a oferta, recorreu a amigos mergulhadores, a pescadores artesanais de Itaipu, a profissionais de pesca oceânica e a fornecedores de produtos específicos, como camarões e vieiras. Os resultados nos últimos meses o surpreenderam, admite. - Quando decretaram o estado de pandemia eu não fazia a menor ideia do que iria acontecer, mas o resultado vem sendo excepcional. Muitas pessoas descobriram ou reativaram o hábito de sentar à mesa sem pressa, cozinhar para a família, tentar novas receitas. Como já tinha um serviço de entrega domiciliar “funcionando com desenvoltura”, Lang teve sucesso em conciliar o atendimento aos antigos clientes “e aos muitos novos que passaram a encomendar meus produtos”. A ideia do bistrô informal surgiu quando cuidava do jardim da casa que havia recém-alugado. Conseguiu 50 paletes (estrados de madeira, também chamados de pallets, palavra inglesa) e, com serra, martelo e pregos, começou a construir o mobiliário do bistrô. - Mesas, estantes, balcão do bar, estrutura das plantas, tudo foi tomando forma aos poucos. Ia comprando cadeiras de restauração, fechando paredes com esteiras de palha e remos, decorando os ambientes com recordações dos tempos de mergulho e com pratos que minha avó trouxe de suas viagens ao redor da Terra. Lang conta que um dia chamou parentes para almoçar e, depois, postou algumas fotos na lista semanal de pescados que envia aos clientes por zap. - Na semana seguinte tinha uma reserva para dez pessoas provarem minha paella. E na semana seguinte, outra reserva, e mais outra... Com o ciclo interrompido pela pandemia, resolvi oferecer ceviches para delivery ou take away. Os amigos começaram a aparecer sem avisar. Lang decidiu, então, colocar três mesas para recebê-los com ceviche e cerveja gelada. - Devemos voltar com a paella sob reserva antecipada em breve e incorporar semanalmente novos pratos ao menu. As caipirinhas e mojitos do chef também costumam fazer sucesso - comemora. O endereço do Mr. Lang Bistrô ainda é segredo. Ele teme que a divulgação possa levar para lá uma quantidade grande de pessoas, o que dificultaria o atendimento eficaz. Mas reservas podem ser feitas pelo zap, no telefone (21) 99428-2022. - O bistrô ainda é totalmente informal, em área residencial e com três mesas apenas. Fico preocupado em gerar expectativa, ter gente batendo na porta e não ter como receber. Pelo sistema de reservas, posso ter um controle prévio e atender bem a todos. Como as pessoas estão com sede de sair de casa e buscar coisas novas, fico com medo de queimar o negócio antes mesmo de acontecer.

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