Byafra quer mais união contra Covid

Em quarentena, músico, niteroiense da gema, compõe e defende engajamento maior da classe artística Por Carolina Ribeiro Foto: Lívio Campos Em um cenário sem pandemia, o cantor niteroiense Byafra estaria comemorando seus 40 anos de carreira em um show na Sala Nelson Pereira dos Santos, em São Domingos, neste sábado (30/5). Os planos, no entanto, foram adiados por causa do coronavírus e das regras de isolamento. Mas Byafra garante: assim que as apresentações estiverem liberadas na cidade, voltará aos palcos e com novidade. No repertório, poderão ser incluídas músicas produzidas durante a quarentena. - Nunca fiz tanta música na vida - conta Byafra, que se divide entre produzir canções e participar de entrevistas e programas de rádio enquanto os shows estão proibidos. - Tinha shows marcados em Niterói e no Teatro Rival, no Rio. Pretendo retornar com esses shows e incluir alguma música que foi feita nesse período. Estou produzindo. A gente não sabe se vai fazer uma boa música se não fizer. Depois a gente vê como usar ou para qual cantor mandar - adiantou. Nascido Maurício Pinheiro Reis, há 62 anos, o cantor e compositor é popular em Niterói, cidade em que nasceu e mora até hoje. Do bairro do Ingá, onde reside, ou dos passeios pela orla de Icaraí, adotou o isolamento social à risca e chegou a se refugiar em Trajano de Moraes, na Região Serrana do Rio. De volta a Niterói, só sai às ruas para o essencial. - Está todo mundo morrendo de medo. Temos um presidente totalmente irresponsável, que sai sem máscara, arriscando a população, dando mau exemplo. Quem deve definir o isolamento social são as autoridades sanitárias. Estou obedecendo rigorosamente à Organização Mundial de Saúde (OMS), usando máscara e tomando precauções - afirmou, completando que a população terá que se acostumar ao “novo normal”. - O mundo todo está se debruçando atrás de uma vacina para, então, voltar à normalidade total. Mas a gente pode ir aprendendo a conviver, temos que aprender a conviver com a doença - pondera. Obrigados a ficar longe dos palcos, artistas de todo o mundo encontraram nas plataformas digitais um meio de se aproximar dos fãs e de entreter a população. Para Byafra, no entanto, as lives deveriam ser mais interativas, com a participação do público, especialistas e autoridades. O objetivo deveria ser também o de conscientizar e informar. - A live não pode ser alienante. Não gostei das que assisti, uma coisa despropositada. As pessoas tomando cerveja, tomando ‘porre’. Deveriam fazer lives com participação de autoridades sanitárias e informar balanços do que está sendo feito, por isso chamo de live social - analisa. Sabendo do poder de difusão da arte e da cultura em geral, Byafra acredita que os artistas poderiam estar sendo ainda mais úteis neste momento. Além das lives sociais para advertir a população, dar mais auxílio a demais integrantes da classe artística, como as equipes técnicas. - Isso está nas mãos das prefeituras e do governadores, aqueles que se preocupam, como acho que é o caso do Rodrigo [Neves, prefeito de Niterói], com a cultura e com a arte. A classe precisa trabalhar em algo útil para a população. Mais importante do que receber grana é colocar a classe artística na luta contra o coronavírus - ressaltou. Apesar de assistir a aulas em lives e de participar dos vídeos como entrevistado, Byafra diz que ainda não há uma data para a sua apresentação on-line. - Para cantar, gosto de ter as condições ideais. Banda acompanhando, um bom som, conexão de Internet de qualidade. Por enquanto não… - finalizou. Ao longo dos 40 anos de carreira, Byafra lançou 16 álbuns e cinco coletâneas, vendendo mais de três milhões de CDs. Sua música embalou muitas histórias, foram nove temas de novelas na TV Globo e uma no SBT. O cantor e compositor também chegou ao mundo dos livros com “Vôo de Ícaro” (editora Kimera), escrito com o jornalista e escritor Pinheiro Junior.

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