Cemitérios de Niterói ampliam área de enterros na pandemia de Covid

Há fila para o único crematório da cidade, particular, no Parque da Colina; Prefeitura pretende construir um crematório municipal por Gabriel Gontijo Despedida com cuidados sanitários: dor e isolamento na pandemia. Foto Agência Brasil Dez meses depois do começo da pandemia de Covid-19, e com o aumento dos números de casos, internações e mortes nas últimas semanas, cemitérios de Niterói ampliaram a capacidade de realizar enterros, além de reduzirem o número de horas para velórios nas capelas. Apenas um cemitério particular da cidade tem crematório, no Parque da Colina, em Pendotiba, o que tem provocado fila de espera. Leia também: Niterói tem a pior semana do ano em casos de Covid Nos cemitérios municipais, porém, a capacidade de enterros foi ampliada. O A Seguir: Niterói conversou com dois funcionários de cemitérios, um coveiro e outro que trabalha na parte administrativa. Pedindo para não serem identificados, os dois relatam um pouco da mudança na rotina em meio à pandemia e da dor de quem tem de enterrar seus parentes sem despedidas. O coveiro diz que viu aumentar muito o número de enterros. Da mesma forma, o funcionário administrativo contou que o "trabalho de retaguarda" está mais acentuado, além do temor de contrair o vírus e o abalo psicológico pela rotina extenuante de trabalho. - A carga emocional é forte, pois atendemos familiares que foram afastados de seus entes queridos de forma repentina. Ouvimos suas histórias e muitas vezes sentimos com isso. A orientação, nos casos confirmados, é de não fazer velório e nem abrir o caixão. Muitos viram seus entes queridos pela última vez no momento da entrada no hospital e não houve despedida. E, assim como todo profissional de saúde, vimos nossa rotina mudar, os plantões ficaram cheios e o cansaço bateu. Todos tivemos que lidar com tudo isso de forma a atender as famílias da melhor forma e sem nos esquecermos do sofrimento de cada um - desabafa um dos entrevistados. O cemitério que teve mais aumento de enterros diariamente foi o do Maruí, no Barreto. Explicando que o local recebe corpos de São Gonçalo, um funcionário disse que a quantidade de enterros "aumentou de seis a nove por dia para 12 a 14 atualmente". Mas a área destinada a enterros foi ampliada, segundo a Prefeitura. No cemitério de Itaipu houve a abertura de 160 novas gavetas, numa obra iniciada ano passado e concluída no começo da pandemia. Segundo esse funcionário, a partir de 2021 também estão previstas obras de ampliação para a construção de mais gavetas nos cemitérios de Charitas e do Maruí. Além disso, também há a previsão de construir um crematório municipal. O único existente em Niterói é o do Parque da Colina, que é particular. Alteração no funcionamento das capelas Segundo o funcionário que trabalha na parte administrativa, o funcionamento das capelas precisou ser alterado e só é permitida a presença de poucos familiares na parte externa. - Agora a entrada e a permanência são permitidas na parte de fora da capela por apenas uma hora antes do enterro - explicou. Ainda segundo o profissional que trabalha na parte administrativa, existe uma demanda crescente de visita no cemitério para uma despedida tardia desde a flexibilização das medidas de isolamento. Mas já existe uma expectativa que nem isso volte a acontecer por uns meses, devido ao recente aumento de mortos pela Covid A Prefeitura informou que a capacidade atual é de 15 enterros diários, "podendo ampliar caso necessário, nos cemitérios que administra: Cemitério do Maruí (Barreto), Cemitério São Francisco Xavier (São Francisco) e Cemitério São Lázaro (Itaipu)", mas salientou que a média tem sido "inferior a esse número". A Secretaria Municipal de Obras detalhou quais são as outras ações previstas. - A Secretaria informa ainda que entre as medidas adotadas estão a ampliação de 160 gavetas no cemitério de Itaipu; ampliação de 352 gavetas no cemitério do Maruí; construção de 100 carneiros no cemitério do Maruí; contratação de 120 cremações; ampliação de 80 gavetas no cemitério de São Francisco, com contratação prevista para janeiro. Também está sendo concluído o projeto básico para implantação do crematório no cemitério do Maruí, no próximo ano - informou a Secretaria em nota. Sobre a questão envolvendo a permanência em capelas, a secretaria confirmou a informação que o tempo para permanência é de uma hora antes do enterro e que a realização do funeral se dá na varanda externa, "conforme orientação da Anvisa e da Vigilância Sanitária Municipal". O período liberado anteriormente era de três horas. Segundo apurou a reportagem, há fila para a cremação no cemitério Parque da Colina, em Pendotiba. O local é o único da cidade que conta com esse tipo de serviço funerário. Procurada, a administração do cemitério não se manifestou.

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