Cinco boas notícias sobre a Covid-19 em Niterói e no mundo

Pandemia já matou mais de 45 mil no Brasil, mas surgem sinais de esperança Por Silvia Fonseca O Brasil deve chegar a um milhão de casos de pessoas contaminadas por Covid-19 neste fim de semana e passar de 50 mil mortos. Em meio a esta tragédia sem precedentes, o A Seguir: Niterói destaca algumas boas notícias, no mundo e na cidade, porque também é preciso ter esperança. Em Niterói, até esta terça-feira (16/6), havia 168 óbitos e 4.072 pacientes infectados. A boa notícia era que 2.925 já tinham sido recuperados. Mas há outras boas notícias. Veja a seguir: 1. Corticoide reduz mortes por Covid-19 Uma droga barata e de fácil produção é a melhor notícia até agora contra as mortes provocadas pela Covid-19. Os resultados da pesquisa feita com 6 mil pacientes pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, foram divulgados na terça-feira (16/6) e mostram que a dexametasona, um corticoide, foi eficaz para salvar um terço dos pacientes de Covid-19 em estado grave e submetidos à ventilação. A dexametasona (no Brasil, o produto referência mais comum é o Decadron) é usada para combater doenças reumatológicas, como artrite, e alérgicas, como asma. Mas tem efeitos colaterais e, embora seja vendido em farmácias sem receita, não deve ser usado sem indicação médica. O uso do corticoide para reduzir as mortes por Covid-19 também passa por análises no Brasil, coordenadas pelos hospitais de São Paulo. Ao anunciar os resultados, o professor de doenças infecciosas do Departamento de Medicina de Nuffield e um dos principais autores do trabalho, Peter Horby, disse que a dexametasona é a primeira droga que mostrou ser capaz de melhorar a sobrevida de pacientes com Covid-19. Especialistas comemoraram a boa notícia, mas pediram cautela porque os detalhes do estudo ainda não foram divulgados em revista científica. Outra questão é que a droga foi eficiente para reduzir a morte de pacientes graves, mas não houve benefícios em casos mais leves, para quem não está sob ventilação ou recebendo oxigênio. Como disse o médico sanitarista Gonzalo Vecina em artigo no O Estado de S.Paulo, “o importante é que finalmente aparece uma droga que é um auxiliar comprovado para ajudar no controle dessa doença. A primeira. E é um remédio bastante barato e fácil de produzir”. 2. Ainda não há vacina, mas ela está a caminho Não foi descoberta ainda uma vacina contra a Covid-19, mas a boa notícia é que há inúmeros estudos nesse sentido. Uma das mais avançadas e consideradas mais promissoras é desenvolvida também pela Universidade de Oxford, no Reino Unido. Será testada em vários países e, no Brasil, em 5 mil voluntários no Rio e em São Paulo, estados que concentram mais casos de Covid-19. Além dela, existem pelo menos outras 70 vacinas sendo desenvolvidas e mais de 80 drogas sendo testadas em 1.765 estudos com vítimas do coronavírus. Nenhuma das vacinas em estudo tem, porém, resultados comprovados ainda. Então, até que isso ocorra, o melhor remédio contra a disseminação da Covid-19 continua sendo o isolamento social e os cuidados recomendados por autoridades sanitárias, como usar máscaras e lavar muito bem as mãos, sem levá-las ao rosto. 3. Curva de mortes dá sinais de estabilização Embora o Brasil deva chegar a 1 milhão de casos confirmados de Covid-19 até este fim de semana, o país completou ontem três semanas com o registro de mortes por coronavírus dando sinais de que começa a se estabilizar. Desde 26 de maio, o patamar médio no país é de 985 vítimas de Covid-19 por dia. Esta é uma boa notícia, mas que também requer muito cuidado por causa das dimensões continentais do Brasil e dos diferentes graus de evolução da doença em estados e municípios. A epidemia parece começar a se estabilizar no Rio, por exemplo, mas ainda é forte em São Paulo, com mais de 300 mortos por dia, e ganha impulso em estados como Paraná e Paraíba. Nos últimos 15 dias, o Estado do Rio registrou até uma ligeira queda no número de mortes, baixando de cerca de 200 para 140 por dia. Há especialistas, porém, que alertam sistematicamente para o risco de uma chamada “segunda onda” da pandemia por causa da flexibilização precoce do isolamento em alguns estados, como é o caso do Rio. Outro fator de risco é que o inverno aqui está começando e, nesta época, há mais propensão à incidência de doenças respiratórias. 4. Desaceleração no número de casos de Covid em Niterói Niterói apresentou um crescimento de casos menos acelerado que cidades do entorno, tem 50% dos leitos públicos e privados disponíveis e tem taxa de letalidade mais baixa, o que são boas notícias. Mas a grande ligação da cidade com São Gonçalo e Rio de Janeiro é um alerta máximo para Niterói. “A proximidade é um risco muito grande. A população de Niterói trabalha no Rio e a de São Gonçalo trabalha em Niterói. Tem que observar até o fim da semana como vão se comportar os dados para definir a situação da cidade”, diz Aluísio Gomes da Silva Junior, membro do Comitê Consultivo da prefeitura e diretor do Instituto de Saúde Coletiva da UFF. Essa evolução da Covid-19 poderá levar a prefeitura a alterar ou não o estágio de Niterói do laranja para o amarelo nível 2, que permite maior flexibilização do isolamento social e a reabertura de parte do comércio na cidade. A previsão é que os dados da doença sejam analisados até sábado para que as mudanças ocorram a partir de segunda-feira (22). Ainda não é possível determinar se o pico da doença já passou no município, segundo o especialista. 5. Testagem em massa em Niterói Niterói foi uma das cidades pioneiras no Brasil na testagem em massa contra Covid-19; Foram comprados 50 mil kits e já foram aplicados 20 mil testes. Isso permite um diagnóstico rápido e o isolamento da pessoa contaminada, a arma mais eficaz até hoje contra a propagação da doença. Quanto mais pessoas testadas, e isoladas se comprovada a infecção por Covid-19, mais rapidamente a doença é controlada. É o que os epidemiologistas chamam de monitoramento remoto, uma etapa importante para a transição para o Novo Normal. Além das unidades de saúde do município que fazem o teste rápido, ele também é realizado em três pontos da cidade em sistema drive-thru: em São Francisco, no Cafubá e no Caminho Niemeyer, no Centro.

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