Cinemas reabrem em Niterói com cuidados sanitários e blockbuster

Jean Bernardini do Reserva diz que público vai demorar a aparecer mas prepara lançamentos para o fim do ano e o verão Os cinemas têm data para abrir, em Niterói: quinta-feira, 29 de outubro. A data coincide com o lançamento do filme mais aguardado da temporada, Tenet, uma superprodução de ação, da Warner Brothers. Nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia, depois de uma série de adiamentos, em função da pandemia, e com cinemas ainda fechados em muitas cidades, foi a melhor notícia da indústria do cinema em muito tempo. Um convite para que as pessoas voltem a frequentar as salas de exibição. Essa é a expectativa do francês Jean Thomas Bernardini, do Reserva Cultural. - Vai abrir, vai ser devagar. Mas as produtoras de cinema precisam mostrar também que as pessoas têm o que ver nos cinemas - comenta. Jean Bernardini: 39 filmes prontos para lançar, depois de sete meses de paralisação Ele conhece as duas pontas do negócio, é dono também da Imovision, uma das maiores distribuidores de filmes e arte no Brasil. Diz que tem 39 filmes esperando para ser lançados, depois de sete meses de fechamento das salas de exibição do país. Sabe que não é o melhor momento para lançar novos filmes, com as salas reabrindo com pouco público. Mas assume o risco: “o cinema tem que ter filmes, se não tiver, aí, sim, para tudo.” Neste sentido, Tenet é uma esperança. Um blockbuster, no jargão do cinema - um arrasa-quarteirão, em tradução livre, referência à multidão que os grandes lançamentos levavam à porta dos cinemas. Na França, teve mais de 2,5 milhões de espectadores. Cerca de 40% do que poderia render. Mas um número importante, quando as salas de cinema reabrem com distanciamento entre as poltronas e uma ocupação que varia de 30% a 60% da lotação, dependendo da cidade. Tenet: primeira megaprodução em exibição depois da pandemia Em São Paulo, onde o Reserva tem salas na Avenida Paulista, e reabriu na semana passada, a ocupação pode ser de até 60%. Em Niterói, neste momento, será de 30%. Mas Jean sabe que ainda assim haverá lugares vazios. - Tem cinemas que abriram com ocupação, média, de 4%. Nós tivemos um desempenho melhor, 8%. Mas é muito pouco. Jean se divide entre São Paulo, onde mora, e Niterói. Cumpriu a quarentena, com rigor. Só agora, com a melhora nas curvas de contágio, voltou a circular. Mesmo assim, com todos os cuidados. Máscara, mãos limpas, distanciamento. É rigoroso com isto. Ainda estranha que as pessoas possam se descuidar tanto e lotar restaurantes e bares. Acha que o cinema se preparou bem para a reabertura, com um protocolo cuidadoso. Apesar da exibição em salas fechadas, o sistema de refrigeração não deixa o ar viciado. há distância entre as poltronas e as entradas e saídas são separadas. No Reserva, em Niterói, a situação é ainda mais favorável, diante dos enormes espaços da obra de Niemeyer. - Mas, mesmo com todos os cuidados, as pessoas ainda têm medo de sair. Quem não tem, depois de sete meses de isolamento e de tanta informação desencontrada - reflete. Para ele, a falta de informações e, pior do que isto, as informações desencontradas, atrapalhou muito o controle da doença. “Quem poderia pensar que viveríamos uma coisa assim?”, indaga. “O mundo enfrentou situações como estas no passado, a febre amarela matou milhões de pessoas. Mas não havia a ciência. O homem foi à lua, prepara viagens nos espaço, e, de repente, estamos vulneráveis na saúde”. Ele acha que se soubéssemos o que sabemos hoje sobre a doença as ações teriam sido diferentes. Mas entende que “não há o que criticar, só lamentar.” Para o negócio do cinema, especialmente, ainda há outros complicadores. A pandemia desmontou o calendário da indústria. Normalmente, os grandes lançamentos obedecem a uma lógica. São feitos em escala mundial. Tem a temporada de verão no hemisfério Norte. Tem a temporada do Oscar. Mas, com a pandemia, cada cidade reabriu os cinemas numa data diferente em condições diferentes. Então se perde o impacto dos lançamentos. Tenet é um primeiro teste. Jean acredita que isto só voltará a acontecer no verão e na temporada do Oscar, março e abril. Pergunto se o fato das pessoas terem ficado tanto tempo em casa e com tanta oferta de filmes por streaming pode afetar a indústria. Ele acredita que não. Que a possibilidade de ver filmes em casa pela web existe há muito tempo. E mesmo que as pessoas tenham visto mais filmes agora, a experiência de ver um filme no cinema é outra. “Pode ser que tenha gente que gostou de ver filme na tv, mas certamente tem gente que não aguenta mais ver filmes na TV.” No Reserva, o grupo conta ainda com um bistrô, uma hamburgueria e uma pizzaria. A área de gastronomia voltou a funcionar antes. Mas apesar de todas as normas e cuidados o momento também é pequeno. A livraria Blooks funcionar, normalmente, mas se ressente da perda do movimentos dos cinemas. A área de feiras e eventos, nos pilotis, não tem previsão de voltar a funcionar. Jean diz que passou a maior parte do tempo da pandemia, fazendo contas. Tentando descobrir maneiras e fórmulas de manter o negócio atraente. Diz que terá prejuízo com a abertura das salas com tão pouco público. Uma pesquisa que fez com frequentadores do cinema em Niterói, antecipou que apenas 20% das pessoas poderiam voltar nas próximas semanas a uma sala de cinema. Acha que essa situação vai se prolongar até o ano que vem. Nenhuma conta fecha. Mas não se deixa abater. Volta a estudar as listas de filmes que tem para lançar. Desenha o calendário. Dia 29, Jean Bernardini estará na porta do Reserva, em São Domingos. “Tem que ter filmes, enquanto a indústria souber oferecer filmes, o cinema vai funcionar.”

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