Colégio Niterói abre “aulões” para todos na pandemia

Professores tiveram que se reinventar, diz Rafael Vicente por Carolina Ribeiro Foto: Divulgação. Rafael Vicente, artista plástico e dono do Colégio Niterói Solidariedade. Diante das incertezas do cenário pós-pandemia de Covid-19 e dos possíveis impactos em relação aos estudos fora das salas de aula, representantes do Colégio Niterói, na Zona Norte do município, decidiram abrir os “aulões” de preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) transmitidos no Youtube. Assim, desde o início de maio, estudantes de outras escolas podem acessar o material gratuitamente. Mesmo com o adiamento do exame, que estava marcado para outubro e novembro deste ano, para uma data ainda incerta - o Ministério da Educação fala entre 30 e 60 dias depois do agendado -, a recomendação dos especialistas é por continuar estudando. Sabendo das dificuldades encontradas por muitos estudantes de diferentes realidades, Rafael Vicente e seu irmão, Cláudio Vicente, proprietários do Colégio Niterói, decidiram ampliar o acesso ao material oferecido pela unidade. - A ideia de abrir o “aulão” para todos partiu dessa incerteza do mundo com a pandemia. Fiz uma reunião com os professores para que continuássemos com as aulas e que, então, pudéssemos divulgar para mais alunos. Eles acharam uma boa ideia, assim como os alunos - contou Rafael, que é artista plástico. O passo seguinte foi divulgar um comunicado nas redes sociais da escola informando da decisão. Foram quase 900 compartilhamentos em dez dias, o que impulsionou ainda mais o projeto. Desde então, já foram divulgadas aulas de história e redação no canal do Youtube da escola. A próxima, na quarta-feira (3 de junho), será de biologia. - Podemos contribuir com esses alunos que estão sem aula. É um momento de solidariedade, de refletir. Não se trata de “quem eu sou”, mas de “quem somos” - diz ele, contando que as aulas estão fazendo sucesso entre os candidatos do Enem. Com a escola fechada, professores e alunos passaram a se encontrar diariamente por vídeo-aula. As aulas são disponibilizadas para estudantes dos turnos da manhã e da tarde de todas as idades: ensinos Infantil, Fundamental e Médio. O terceiro ano, que se prepara para o Enem, ainda conta com o “aulão”. Para Vicente, a pandemia poderá trazer um novo cenário para a educação. - Todos os professores tiveram que se reinventar. Nossas casas viraram sala de aula. Quem não aproveita essas novas ferramentas para o ensino ainda não entendeu que a tecnologia veio para contribuir. Mas a presença física do professor em sala é insubstituível - ressalta ele, completando que um dos benefícios do vídeo é que as aulas ficam gravadas após serem encerradas. O Colégio Niterói foi criado há 25 anos por um casal de professores: José Maria Guimarães Vicente e Maria das Graças Pinto Vicente, pais do artista plástico Rafael Vicente e de Cláudio Vicente. Depois que o pai faleceu de um câncer agressivo, Rafael foi convidado pela mãe a ajudá-la no gerenciamento da escola, há cinco anos. Por conta dessas relações tão pessoais, o colégio ganhou o apelido de “Família Niterói”. - Aceitei o convite e resolvi levar um pouco da minha criatividade para a escola, um novo olhar, não só educacional, mas de uma visão mais artística do mundo. E tem dado certo. Somos uma escola particular, mas entendemos que a Zona Norte da cidade requer cuidados, por isso criamos muitos projetos voltados para comunidade, por acreditar que esse é o papel da escola - comenta. Depois de iniciada a quarentena, todos os alimentos perecíveis da cantina, como salgados e lanches, foram doados para comunidades do entorno. Além disso, a matriarca da família, de 70 anos, que está cumprindo o isolamento social em casa, passou a produzir máscaras de proteção caseiras para doar aos moradores do entorno da escola.

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