Comércio reabre e enche ruas de Niterói, mas com queixas

Comerciantes reclamam do horário e da compra de termômetros por preços altos Intenso entra e sai na Leader da Otávio Carneiro. Foto: Silvia Fonseca Mais estabelecimentos comerciais abertos, praias e parques liberados, mais pessoas na rua. O primeiro dia do avanço de estágio em Niterói, do laranja para o amarelo nível 2, foi de muita movimentação em diferentes regiões da cidade. Apesar de autorizados a funcionar, comerciantes devem seguir regras sanitárias, mas clientes queixam-se que não há cuidados de distanciamento social e, às vezes, nem o uso da máscara. Se não fosse este item no rosto das pessoas, inclusive, esta segunda-feira (22) poderia ser considerada um dia normal. Dia normal na Moreira César, e só as máscaras mudam o cenário. Foto: Silvia Fonseca Principal rua de comércio de Icaraí, a Moreira César ficou cheia de gente com sacolas de compras. Embora a prefeitura recomende que, mesmo tendo autorizado a reabertura das lojas, as pessoas só saiam de casa para o estritamente necessário, muita gente comprava em lojas de bijuterias, de brinquedos, de sandálias, entre tantas outras. Na loja da Vivo na Rua Lopes Trovão, quase esquina com Tavares de Macedo, a fila tinha mais de dez pessoas esperando para entrar, aglomeradas, sem manter o distanciamento mínimo recomendado. Também chamava a atenção o entra e sai na loja da Leader, na Otávio Carneiro. Pais com crianças em carrinhos de bebê esperavam a mulher fazer compras em lojas de roupas na Moreira César. Foi uma cena comum. Parecia dia normal, sem os números trágicos da pandemia de Covid-19. Os shoppings de galerias, como nas esquinas da Moreira César com Lopes Trovão e também com Belisário Augusto, estão com apenas uma das portas abertas. As lojas que dão para a rua abriram. Com funcionários medindo a temperatura de quem entra e distribuindo álcool em gel, mas em alguns casos é fácil observar que quase nunca a distância recomendada é observada. Os tapumes que fechavam as vidraças de lojas no período mais duro do isolamento social e que tinham mudado a cara da Moreira César e de outras ruas de comércio de Icaraí foram abaixo para a reabertura. O ambiente, o intenso vaivém de pessoas, tudo parecia ter voltado ao normal e o bairro recuperado sua cara, não fossem as máscaras, que continuam obrigatórias. Casal foi um dos primeiros a entrar no Campo de São Bento. Foto: Wilson Pessoa No mesmo bairro, o Campo de São Bento foi aberto às 10h, quando muitas pessoas já aguardavam para entrar. O único portão de acesso agora é o da Lopes Trovão, altura da Men de Sá. A saída é pelo portão 2, também na Lopes Trovão, mas mais próximo da Roberto Silveira. Guardas medem a temperatura de quem entra, e só podem ficar no parque 500 pessoas ao mesmo tempo. O parquinho das crianças e os equipamentos de ginástica continuam fechados. Como o Horto do Fonseca e o do Barreto, o parque agora fica aberto das 10h às 20h30m, sem a realização de feiras. Segundo bairro com o maior número de casos de Covid-19, o Fonseca também registrou intensa movimentação ao longo de todo o dia. Alguns estabelecimentos da Alameda São Boaventura ficaram com fila na porta. Reaberto nesta segunda para atividades físicas individuais, o Horto do Fonseca ficou vazio durante a tarde. Brinquedos estão fechados. Foto: Colaboração/Priscila Ribeiro Moradora do Fonseca, a jornalista Priscila Ribeiro alerta que o bairro não cumpriu o isolamento como deveria ao longo dos meses. Mesmo no período de circulação restrita em abril e maio, o movimento nas ruas estava intenso e o comércio funcionava em meia porta. - Durante o período de lockdown, nos dois primeiros dias ficou tudo vazio, mas no terceiro dia já estava tudo aberto novamente. Todo mundo na rua e, infelizmente, muitos sem máscara. A única diferença é que alguns dão álcool em gel na entrada. Vou voltar a caminhar no Horto, já que abriu, pois preciso me exercitar, mas vou à tarde para evitar aglomeração - contou, completando que ao visitar o Horto nesta segunda o local estava vazio e com os brinquedos fechados. Já na Região Oceânica, a movimentação de pessoas já vinha aumentando ao longo das últimas semanas, com bastante fluxo de carros, principalmente. Na Avenida Central, em Itaipu, moradores dizem que o isolamento nunca chegou e que todos continuaram saindo. Já o morador de Piratininga Leandro Siqueira sai de casa apenas para o necessário, mas sempre que vai à rua percebe um aumento gradual da movimentação. Nesta segunda, diz o contador, havia muito mais gente na rua, com lojas mais cheias e todo o comércio de rua já estava funcionando no trajeto entre Piratininga e Itaipu. Das lojas que visitou, a maioria estava cumprindo o distanciamento social, mas nenhuma aferia a temperatura de clientes. Bancos permanecem com filas enormes na área externa. - Nas últimas semanas fui em diferentes lojas de ferragens, ótica e mercado. No sábado, fui buscar meu óculos e tive que esperar até que o outro cliente saísse para entrar, pois a loja já havia sido multada por estar com diferentes clientes na área interna. Já nesta segunda percebi que todas as lojas estavam funcionando novamente, menos restaurante - contou. Apesar do movimento na rua, para os comerciantes o cenário ainda não está favorável e o prejuízo é grande. Entidades que defendem o setor afirmam que o primeiro dia foi de movimento tímido e que o horário de funcionamento das 12h às 20h é prejudicial às vendas. Para o presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio (Sindilojas) de Niterói, Charbel Tauil Rodrigues, o movimento baixo já era esperado pela entidade. Ele acredita que o consumidor precisará de algum tempo para, gradualmente, se sentir mais à vontade para fazer suas compras. O presidente opinou ainda sobre as regras da prefeitura. - Temos três reparos a fazer no novo sistema. Os termômetros digitais obrigatórios, que estão difíceis de encontrar e muito caros, sendo que nem todas os modelos possuem o selo do Inmetro. Essa exigência onera pesadamente o pequeno comerciante, requerendo uma pessoa na porta para aferir as temperaturas. Isto pode fazer sentido numa entrada de um supermercado ou de um shopping, mas não de uma pequena loja. O segundo reparo é quanto à faixa de horário: o ideal seria das 11h às 19h e não de 12h às 20h. E uma terceira questão diz respeito às galerias comerciais do Centro e da Zona Sul, que estão impedidas de funcionar, embora suas torres de escritórios e consultórios possam. É algo absolutamente sem sentido, que esperamos ver corrigido em breve pela prefeitura - criticou. O presidente em exercício da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Niterói, Manoel Alves Junior, também afirmou que o movimento foi baixo. Em um pesquisa rápida sobre esta segunda-feira, lojistas repassaram à entidade que estão vendendo cerca de 10% de um dia normal, de antes da pandemia. Outra questão é a dificuldade de obter o termômetro digital. - Estamos com duas campanhas em andamento, uma para que o empresariado cumpra as normas sanitárias, pois não queremos voltar a ficar fechados, e a outra é para que o niteroiense “valorize quem compra aqui, desenvolve e emprega aqui”. Há uma dificuldade de obter o termômetro com preço justo, houve uma procura muito grande nesta segunda, mas conseguimos. Dois fatores ocorrem com a clientela: ao abrir às 12h, já perdemos parte do movimento que seria de manhã. E a segunda é que as pessoas estão respeitando o confinamento e saindo apenas para o essencial - acredita, completando que acredita na retomada do comércio. Devido à mudança de estágio, puderam reabrir, com capacidade reduzida em 50%, lojas de rua, clubes esportivos (apenas para atividade individual e sem restaurante), missas e cultos religiosos (este apenas com 25% de capacidade), auto-escola e cursos profissionalizantes. Neste nível também volta a ser autorizado o retorno do sistema ‘pague e leve’ em restaurantes e drive-thru em shoppings e centros comerciais fechados. Já os centros comerciais abertos, como os do da Região Oceânica e de Pendotiba, já podem reabrir. Já estavam liberadas nos níveis anteriores as atividades essenciais como mercados e supermercados, farmácias, padarias, pet shops e postos de combustíveis, além de óticas, lojas de materiais de construção, oficinas mecânicas e de bicicletas, atividades da construção civil, serviços médicos, odontológicos e de fisioterapia, hotéis, indústria do petróleo e gás, lojas de automóveis e concessionárias, restaurantes (entrega apenas), escritórios, imobiliárias, salões de beleza e empresas de manutenção e reparo de máquinas e equipamentos. Shoppings O shoppings e centros comerciais fechados, como as galerias de Icaraí, estão podendo funcionar apenas no sistema drive-thru a partir desta segunda. De acordo com o novo decreto da prefeitura, os empreendimentos devem reabrir em 1º de julho, independentemente do nível em que a cidade se encontra. O maior deles, o Plaza Niterói, no Centro, que já estava oferecendo esta opção para operações alimentícias, vai estender o sistema para todas as lojas que tiverem interesse a partir desta terça-feira (23). Segundo o Plaza, as vendas vão ser realizadas pelo canal do próprio lojista: de plataformas de e-commerce, redes sociais, WhatsApp ou ainda por aplicativos, com todos os protocolos de higiene já seguidos e ajustados às recomendações da prefeitura. A lista de lojas participantes ficará disponível nos canais oficiais dos shoppings. Já na Região Oceânica, o Shopping Multicenter está realizando o levantamento junto às lojas para saber quais irão aderir ao novo sistema de vendas. Em breve vai divulgar as marcas no site e nas redes sociais do Multicenter. Para comprar, o cliente faz os pedidos na loja via atendimento telefônico, on-line ou similar e agenda com a loja a retirada do produto. Na data, devem estacionar nas vagas próximo ao hall dos elevadores subsolo para facilitar o acesso dos lojistas, depois informa ao lojista a vaga em que está e aguardar o produto dentro de seu veículo. O Bay Market, também no Centro, informou que ainda estuda diferentes cenários e, caso implemente o sistema, divulgará nas redes sociais. Em nota, a prefeitura de Niterói informou que no primeiro dia com as novas regras, 669 pessoas passaram pelo Campo de São Bento, 184 no Horto do Barreto e 423 no Horto do Fonseca até o início da tarde. Todos os frequentadores tiveram a temperatura medida, além da oferta de álcool gel. Guardas Municipais e Fiscais do Departamento Fiscalização de Posturas fiscalizaram o comércio de rua da cidade, verificando o cumprimento das regras sanitárias e orientando sobre o uso de máscaras para funcionários e clientes. Ninguém foi multado e, segundo os agentes, a população vem colaborando e aderindo cada vez mais ao uso de máscaras. O Departamento de Fiscalização de posturas reforçou as orientações para os comerciantes sobre a necessidade de uso de termômetro para medição de temperatura dos clientes, oferta de álcool gel, ocupação de 50% da capacidade do estabelecimento e sobre o horário de funcionamento de 12h às 20 horas.

© 2020. A Seguir Niterói. Todos os direitos reservados. Site por Grazy Eckert e João Marcos Latgé.