Com 62 mortes por Covid, Niterói tem a pior semana da pandemia

Dados são da Secretaria de Saúde do Estado, mas muitos casos não ocorreram agora, mas em novembro e dezembro A escalada de mortes em Niterói registrada pela Secretaria Estadual de Saúde atingiu um novo pico: 62 óbitos na última semana epidemiológica, a SE 5, a quinta semana de 2021. Desde o início do ano, os números são crescentes: 29, 32, 51, 52 e, agora, 62 falecimentos. A divulgação dos boletins, no entanto, tem sido acompanhada de um aviso, advertindo que muitos casos não ocorreram agora, mas no passado, e apenas foram confirmados e notificados esta semana. O gráfico da Secretaria Estadual de Saúde mostra o aumento de mortes por data de notificação em Niterói no final de 20 e início de 21 O Painel da Covid exibido pelo Governo do Estado apresenta ainda uma outra série estatística, que agrupa as mortes por data de ocorrência e não de notificação. O gráfico tem um atraso em relação ao que está acontecendo no momento na cidade, porque depende da conferência e realocação dos dados e as atualizações podem demorar até seis semanas. Este gráfico mostra que o maior número de mortes aconteceu em novembro, quando começou a se desenhar uma segunda onda da doença, e dezembro. De fato, pelo curva revista já aparecem 220 mortes alocadas neste período. O gráfico que registra as mortes por data de ocorrência é diferente, mostra a concentração dos casos em novembro e dezembro. Fonte: Secretaria Estadual de Saúde Indicadores apontam redução de casos e na taxa de ocupação dos hospitais A Secretaria Estadual de Saúde também registra a ocorrência de novos casos por semana, e neste gráfico é possível notar uma acentuada queda: foram 1.113, 728 e agora 481 - o menor número desde outubro. A redução do número de casos reforça a hipótese de que os registros de mortes podem apontar para o passado e não para o presente. Da mesma forma, estão em queda as internações. Hospitais particulares registraram na última semana ocupação de 22% dos leitos e 28% das UTIs reservadas para doentes de Covid. O gráfico da Secretaria Estadual de Saúde mostra queda nas últimas semanas no número de novos casos confirmados de Covid A Prefeitura de Niterói questiona os dados do Estado, mas não divulga séries com a evolução da doença, nem os critérios adotados nos boletins informados diariamente. O A Seguir Niterói compila estes dados e organiza por semanas epidemiológicas, de acordo com o modelo da OMS. Por estes dados, foram registrados na SE 5 490 novos casos da doença e 19 mortes. Os números mais baixos desde novembro. No quadro divulgaste sábado (6) a Prefeitura informa a ocorrência de 27.990 casos e 756 mortes desde o início da pandemia. Na conta do Estado, o número de óbitos em Niterói chegou a 916 na mesma data. Prefeitura informa ao jornal O Globo que faz expurgo na contagem de mortos Neste domingo (7), O Globo publica reportagem sobre o aumento de mortes pelos registros dos cartórios, acima dos números que a Prefeitura exibe. Para a médica Lígia Bahia, professora da UFRJ , a flexibilização do isolamento social no segundo semestre do ano passado está mesmo relacionada à alta de mortes. — Apesar de a cidade de Niterói ter adotado, antes, estratégias de isolamento, os maiores patamares no fim do ano mostram que essas medidas precisavam ter sido mantidas. É uma pena, porque Niterói poderia ter segurado mais, já que desde o início da pandemia não foi uma cidade negacionista. Mas, depois, acompanhou o movimento de maior flexibilização, o que impactou nesse número — disse ao jornal. O Globo ouviu a Prefeitura de Niterói, que resenhou todas as ações adotadas no combate à pandemia, e revelou algo que alguns especialistas já suspeitavam: a Prefeitura expurga de suas séries estatísticas casos de pessoas de outras cidades que morreram em hospitais de Niterói. Diz a nota publicada pelo jornal: "Sobre os registros nos cartórios, a Prefeitura diz que neles estão incluídos óbitos suspeitos e confirmados de Covid-19 de moradores de Niterói e de outros municípios que foram atendidos na cidade e que a Secretaria municipal de Saúde só contabiliza casos da doença entre os munícipes." A depuração é importante para o estudo da evolução da doença e ela deve ser informada junto aos dados divulgados. Mas não é prática na comunidade científica a alteração de séries históricas de aferição da doença, que perdem, assim, sua credibilidade e a validade de ser usada como termo de comparação.

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