Comissão de Saúde de Niterói defende um cronograma municipal de imunização

Em audiência pública, vereadores, profissionais da saúde e sindicatos pedem mais transparência sobre vacinação Por Amanda Ares Foto: site oficial Câmara Municipal de Niterói Na noite da última segunda feira (22), a Comissão de Saúde e Bem Estar Social da Câmara Municipal realizou uma audiência pública online para discutir o Plano Municipal de Imunização de Niterói. Vereadores, profissionais da saúde municipal e do Hospital Antônio Pedro, e representantes de sindicatos debateram a necessidade de maior organização no município frente aos problemas recentes de fraude, demora na entrega de novas doses, e mudança de diretriz do Ministério da Saúde. Mãe e padrasto de suspeitos de furar fila da vacina no Azevedo Lima terão de depor A subsecretária de saúde Camilla Franco abriu a audiência apresentando o plano original da prefeitura, que precisará de alterações devido a mudanças feitas pelo Ministério da Saúde. Segundo ela, Niterói ainda mais imunizantes para aplicar a segunda dose e finalmente imunizar “os trabalhadores de saúde da rede SUS municipal, que trabalham diretamente com casos de Covid, os da rede privada também nessa frente, profissionais de saúde com mais de 60 e idosos em locais de estadia”. — Só vamos encerrar a primeira fase quando atingirmos todo esse público alvo — afirmou Camilla Franco. O vereador Paulo Eduardo Gomes (PSOL), que preside a Câmara Municipal de Saúde, propôs a criação de um cronograma próprio que oriente os profissionais da saúde e a população para quando novas doses chegarem, o que preveniria fraudes: - Porque a Prefeitura insiste em dizer que não pode fazer calendário porque não tem vacina, mas daí não temos também um cronograma claro para as fases, e isso pode ser planejado de forma transparente independente de quantas vacinas cheguem. Se dentro da faixa 01 tem várias categorias temos que estabelecer prioridades na faixa 01. Não pode o motorista de ônibus ser vacinado, por exemplo, enquanto todos os profissionais de saúde que atuam nos hospitais da cidade e todos os idosos não forem vacinados. - exemplificou. Durante a reunião, que durou mais de quatro horas, profissionais da saúde da cidade expuseram que centenas de colegas não puderam se vacinar ainda. O Superintendente do Hospital Universitário Antônio Pedro, Tarcisio Rivello, por exemplo, disse no HUAP ainda faltam 1700 profissionais que não receberam sequer a primeira dose ainda. A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde (Sindsprev), Maria Ivone Suppo, afirmou que a solução para muitos tem sido procurar em outras cidades. Sobre o perfil dos pacientes internados em instituições de saúde, o deputado estadual Flavio Serafini (PSol) questionou ainda se pacientes dos hospitais psiquiátricos da cidade também entram na conta, “tanto para aqueles que estão em Jurujuba quanto para quem está em outras unidades terapêuticas”. Ele também trouxe outro problema: a falta de rigidez nos protocolos de segurança e distanciamento, que evitariam a proliferação do vírus na cidade: - Possivelmente, até o meio do ano, Niterói não vai ter vacinado sequer a população prioritária. Portanto, quais os planos do município para colaborar com a convivência com o vírus enquanto se busca a vacina? A gente tem que ter protocolos rígidos para evitar a proliferação. Outros levantamentos relevantes foram a dificuldade econômica causada pela crise, que poderia causar problemas para a população mais vulnerável em se deslocar para se vacinar longe de casa, a alta de mortes na cidade no mês de janeiro, a necessidade de realizar uma campanha de conscientização aproveitando o orçamento municipal para publicidade, e uma nova defesa à outra tentativa de consórcio de compra independente de vacinas. Sobre medidas para evitar fraudes e garantir a transparência no processo de vacinação, o vereador Paulo Eduardo Gomes (PSOL), expôs que está em curso um “Projeto Substitutivo 01/2021, aprovado e construído pelo conjunto de vereadores que estabelece critérios de transparência na fila de vacinação”. - Ainda que não possamos prever datas é preciso que fique claro, por exemplo, que dentro da primeira faixa os profissionais de saúde da linha de frente e os idosos terão prioridade sobre outros grupos. A faixa um (como são chamados os que receberam a 1a dose) cresce a cada dia por orientação do próprio governo federal. Muitas inclusões são justas e necessárias, como a inclusão dos profissionais de educação, mas justamente por isso é que no Município temos que ter um cronograma claro para não deixar os grupos de maior risco esperarem mais do que o necessário. Vimos hoje que muitos profissionais de saúde que atuam na rede hospitalar da cidade não receberam ainda nem a primeira dose, tanto em hospitais privados quando públicos, como no Hospital Antônio Pedro. Da mesma forma há idosos acamados ainda aguardando a visita das equipes de saúde da família. Nosso papel aqui é ajudar o governo a organizar melhor essa fila e salvar vidas. A meta obviamente é vacinar todos." Niterói aguarda receber um novo lote de vacinas esta semana, mas ainda sem quantidade definida.

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