Comitê Científico desaconselha a volta às aulas em Niterói

Cientistas advertem Prefeito Rodrigo Neves sobre o risco de nova onda de contágio O Prefeito Rodrigo Neves reuniu neste sábado, 22, o Comitê Científico que assessora o governo na tomada de decisões no combate à Covid e ouviu dos cientistas a recomendação de não apressar a volta às aulas, até que a cidade passe para o estágio de alerta Amarelo-1, como previsto no planejamento da transição para o Novo Normal. Não houve melhora nos indicadores para a flexibilização do controle; o índice permanece estável, mas num “platô” que ainda não permite a mudança. O Governo do Estado do Rio anunciou a volta do Ensino Médio às aulas presenciais no próximo dia 14. Dirigentes da escolas privadas têm pressionado a Prefeitura de Niterói a autorizar o retorno às atividades. Numa reunião com o Prefeito nesta quinta-feira, relataram que Rodrigo Neves teria sinalizado o retorno junto com o Estado, o que a Prefeitura não confirmou nem desmentiu. A Prefeitura chegou a informar que, independentemente da decisão do governador Witzel, iria seguir o planejamento e as recomendações do Comitê Científico. Segundo relato de uma fonte, na reunião deste sábado a recomendação do Comitê foi clara: desaconselhar a volta às aulas até que a cidade atinja as metas previstas no plano de transição para o Novo Normal. A prefeitura estabeleceu um indicador próprio, que considera informações como o número de novos casos, óbitos, taxas de transmissão da doença, letalidade, nível de ocupação dos leitos hospitalares, entre outros. Na última avaliação, o índice estava em 6,1, e pelo plano estabelecido, precisa chegar a 5 para que a cidade passe ao estágio Amarelo - 1. O Comitê é uma instância de assessoramento, formado por cientistas da UFF, UFRJ e Fiocruz; não tem poder deliberativo. As decisões são do Prefeito, que tem anunciado reiteradamente que vai se pautar pelas análises do Comitê. O Comitê deve produzir nesta segunda-feira, 24, uma nova nota técnica. A questão da volta às aulas tem motivado intenso debate, não apenas entre dirigentes de escolas, públicas e privadas, professores, e pais de alunos. As pesquisas científicas não permitem ainda assegurar que a rotina das escolas não será uma alavanca para nova onda de contaminação. Existem pesquisas que mostram que as crianças, especialmente as da Educação Infantil, aparecem como possíveis agentes contaminadores de professores, pais e outros adultos. Ao mesmo tempo, outros estudos relativizam as possibilidades de contágio. A Prefeitura de Niterói tem procurado respeitar os pareceres técnicos, mas a pressão das escolas particulares aumentou depois da liberação do Ensino Médio privado, pelo governo do Estado, a partir de 14 de setembro. Um pesquisa recente feita pelo DataFolha indica que 79% dos brasileiros são contrários à volta às aulas neste momento, quando a epidemia ainda não dá sinais de ter sido controlada, apesar da melhoria de alguns indicadores. A Prefeitura de Niterói, segundo algumas fontes, trabalha com a indicação, por fontes próprias de pesquisa, que 70% dos pais seriam contra a volta das crianças à escola. Em São paulo, por exemplo, a decisão já foi adiada para outubro. Uma decisão, no entanto, parece já estar tomada. Qualquer que seja o momento de retorno das aulas, a abertura das escolas obedecerá a um rigoroso protocolo sanitário, que prevê higienização, controle de temperatura, medidas de isolamento, estabelecimento de turnos e restrições nas áreas de convivência, no recreio, atividades esportivas e na saída. A secretaria de Educação do município já trabalha com as escolas para informar o modelo e oferecer treinamento. Também é consenso que a volta começará pelo Ensino Médio, ficando o retorno da Educação Infantil para um segundo momento. Depois da última reunião do Comitê Científico, quando a Prefeitura esperava a mudança no estágio de alerta, a Prefeitura estabeleceu que as escolas permanecerão fechadas até o dia 31 de agosto. Na segunda-feira, o Prefeito deve fazer novo anúncio. Na última vez que falou sobre a situação da pandemia, disse que não melhorava nem piorava. Se levar em conta o Comitê, como prometeu, anunciará que o fechamento das escolas se prolongará, pelo menos, até dia 14. Não haverá nova reunião do Comitê a tempo de um anúncio diferente ainda este mês. A data deixaria em aberto a possibilidade de atender ao pedido de volta às aulas das escolas particulares do Ensino Médio.

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