Comitê prevê estagnação da pandemia de Covid-19 em Niterói pelos próximos meses, sem melhoras

Especialista alerta que vírus continua circulando no município e por isso não recomenda volta às aulas Por Carolina Ribeiro Lazer num fim de tarde em Icaraí: a volta à normalidade ainda vai demorar, segundo especialistas. Foto: Gustavo Stephan A recomendação é para “segurar a onda” e evitar novas flexibilizações. Há algumas semanas em um platô em relação a novos casos de Covid-19, Niterói não registra uma piora no combate ao vírus, mas também não apresenta melhora. Isso significa que, apesar das medidas de segurança, o vírus continua circulando na cidade e o contágio não está diminuindo, como era previsto. A estimativa de especialistas é que o município permaneça registrando a doença de forma estagnada pelos próximos meses, o que não quer dizer uma melhora da pandemia. Aluísio Gomes da Silva Junior, membro do Comitê Científico Consultivo da Prefeitura e diretor do Instituto de Saúde Coletiva da UFF, diz que os dados que confirmam mais casos e óbitos são um reflexo de que o vírus permanece circulando na cidade. Não representam aumento, mas uma estagnação. -A doença ainda está acontecendo em Niterói e mais casos são registrados no município porque testa-se mais. Está em um platô, parece maior e em crescimento devido à quantidade de testes, mas o que acontece é que parou de cair o número de casos - explica. Leia mais: Niterói não passa no teste da Covid e mantém Alerta Máximo. Niterói, ao contrário de muitos outros municípios, inclusive os vizinhos São Gonçalo e Rio de Janeiro, fez um forte e longo isolamento social que deu bom resultado. A pandemia foi sendo controlada na cidade e os números permitiram flexibilizar a circulação de pessoas, sem provocar novas ondas de contaminação. Mas o aumento da circulação, principalmente com moradores dos demais municípios, está impedindo que a cidade avance. Isso porque Niterói mede o avanço do vírus a partir de um sistema de métricas, estágios e cores. Há cinco semanas os índices - que levam em conta novos casos, óbitos e ocupação hospitalar - oscilam entre 6,1 e 6,6 devido à taxa de novos infectados semanalmente. Este resultado não permite, para os especialistas, a reabertura de escolas, universidades, teatros e cinemas. - Os lugares que adotaram quarentena severa, como Niterói, deveriam registrar queda de casos. Como os outros municípios em volta não adotaram, Niterói mantém uma curva [de contaminação] que não adianta fazer uma nova quarentena. Teremos que administrar isso. Ao contrário do que os outros municípios estão fazendo, como o Rio e São Gonçalo, que flexibilizaram ainda mais, recomendamos que Niterói aguarde - ressaltou. Veja: Taxa de isolamento chega a menos de 40% em plena pandemia em Niterói A esperança da Prefeitura de avançar pôde ser sentida durante os pronunciamentos do Gabinete de Crise. Desde julho o Prefeito Rodrigo Neves diz que há “previsão de avançar para o nível Amarelo 1 nos próximos dias”, mas o dia da mudança não chega justamente devido à estagnação dos casos. É por este motivo que o Comitê Científico Consultivo da Prefeitura desaconselhou, em reunião com o prefeito no sábado (22), a volta às aulas presenciais no próximo mês. A intenção de reabrir as escolas a partir de 14 de setembro foi antecipada por Neves aos dirigentes das escolas particulares. O desejo era de reabrir o Ensino Médio já no dia 14. - Os casos devem continuar nesse patamar, estagnados, pelos próximos meses, por isso nosso medo em reabrir escolas. Mostramos a nossa preocupação na reunião com o Prefeito e o Secretário de Saúde - disse o professor Aluísio, completando que a reabertura das escolas vai aumentar a circulação e pode elevar o número de casos e óbitos. Após a última reunião, o comitê de especialistas encaminhou uma nota técnica à Prefeitura com recomendações para as novas decisões em relação ao Covid-19, incluindo a não autorização de retorno às aulas presenciais. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Niterói respondeu que, durante o processo de retomada gradual para o novo normal, é esperada uma variação de novos casos, mas que a oscilação está dentro do previsto. Além disso, informou que a nota técnica está sendo finalizada pelo comitê e em breve será disponibilizada. O Comitê Técnico Científico Consultivo que presta apoio às decisões do Gabinete de Crise é coordenado pelo professor Antônio Claudio Lucas da Nóbrega, reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF). Participam também os professores Aluísio Gomes da Silva Junior, também da UFF; Roberto Medronho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); e Rômulo Paes de Sousa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

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