Como era gostoso 'pegar' um cineminha de rua em Niterói

Cidade já teve mais de uma dezena de salas, que foram fechando desde a década de 70 e provocam saudades em quem mora aqui Por Silvia Fonseca No antigo prédio do Cassino Icaraí, onde hoje é a reitoria da UFF, funcionavam os Cine Cassino e Grill Como niteroienses também não gostamos de dias nublados, uma quinta-feira fria e de chuva fina como esta (20) nos convida a sair andando e ir ver um filme ali no cinema da esquina. Tudo bem que a gente precisa ficar em casa por causa da pandemia de Covid, mas, mesmo se não houvesse um vírus ameaçando lá fora, cinema de rua também não haveria. Como foi que Niterói deixou morrer seus cinemas de rua? Da década de 70 para cá, foram sendo apagados quase todos. Restou o da UFF e surgiram os de shoppings, mais recentemente o do Reserva Cultural. Mas num dia de chuva e de brincadeira de #tbt nas redes sociais, quero meus cinemas de rua de volta! Se eu fosse (muito) ranzinza, diria: não basta ter dinheiro (no caso, IDH alto). É preciso ter bom gosto. Mas conheço as muitas razões do fenômeno, que não é exclusivo da cidade nem do país: o surgimento da TV, dos shoppings, da internet, das séries, da netflix... tudo isso, com o agravante da violência, levou ao triste fim das salas. O Cine São Bento, que ficava na Domingues de Sá, em frente ao Campo O Cinema Icaraí ainda está de pé, mas apenas o prédio E como falei de tbt, vamos ao Cine São Bento, que ficava em frente ao Campo, em Icaraí. Era um prédio lindo, que abrigou tantas emoções de gente da cidade, e virou pó. Ali do lado havia a lanchonete Treco. Sair do cinema e comer hambúrguer lá, meu Deus! Mandaro. Nome de filme, mas era assim que se chamava um outro cinema de rua, que ficava no Largo do Marrão. O "poeira" fazia sessão dupla: dois filmes pelo preço de um. Havia o Cinema Icaraí, na Praça Getulio Vargas. O prédio ainda está lá, nos lembrando como era bom ver um filme e depois comer uma pizza na Gruta de Capri ou um sanduíche no Ponto Jovem, na Miguel de Frias. Ali perto já funcionaram o Cinema Cassino e o Cinema Grill, no antigo Cassino Icaraí, onde hoje é o prédio da reitoria da UFF. Pelo menos, no caso, agora temos o Cine Arte UFF, fechado por causa da pandemia de Covid. O Central, em frente às barcas Cine Éden, também na Visconde do Rio Branco, que se chamava Rua da Praia e onde passava o bonde elétrico O "poeira" do Largo do Marrão O Cinema São Jorge, no Fonseca, que tinha também o Cine Alameda A antiga Rua da Praia, no Centro, era o paraíso dos cinéfilos em Niterói. A hoje Visconde do Rio Branco tinha um seguido do outro. O Cine Theatro Imperial funcionava no antigo Hotel Imperial, onde hoje fica o Plaza Shopping. Na rua ficavam também o Cine Central, em frente à estação das barcas, o Odeon, o Éden e o Rio Branco. Cinco, pelo menos! Fonseca fechou o São Jorge e o Alameda. E nunca mais o bairro foi o mesmo. Até quem nasceu na década de 1990 pôde frequentar pelo menos cinco cinemas de rua em Icaraí. Apenas em Icaraí! O bairro tinha outro encanto quando os casais saíam dos cinemas no fim da noite, o movimento agitado na Moreira César, todo mundo indo jantar ou tomar um chope a pé para digerir o filme... Windsor, Cinema 1, Center, Icaraí... Apagaram-se todos. Resta o Cine Arte UFF. O primeiro filme que vi na vida, num cinema, foi o clássico animado da Disney "A Dama e o Vagabundo". O lançamento foi em 1955, mas vi no começo dos anos 70. Não é saudosismo. A vida anda para a frente. Taí a pandemia de Covid para mostrar que viver é pra hoje, para agora. Mas como era gostoso o meu cineminha de rua... Aliás, "Como era gostoso o meu francês", de Nelson Pereira dos Santos, foi lançado aqui em Niterói. O cineasta morou na cidade e foi professor da UFF. Arduíno Colassanti, o fantástico ator "francês" protagonista do filme, também morou muito tempo aqui, viveu em Jurujuba até morrer... Um médico famoso da cidade atuou. De novo: como era gostoso o cinema de rua...

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