Confinados, sim. Sem cinema, jamais!

Cineclubes seguem com encontros virtuais e salas de bate-papo Por Suzy Silva Suzy Silva e cineclubistas no Ciné Club Jean Vigo em sessão antes da quarentena Para os amantes da 7ª arte, a pandemia do novo coronavírus afastou, por tempo indeterminado, a possibilidade de assistir aos filmes nas grandes telonas e realizar os encontros nos diversos cineclubes existentes na cidade. A atividade precisou se reinventar. Para não perder a conexão com o seu público, os organizadores passaram a criar eventos virtuais, através de plataformas digitais, onde os cineclubistas se reúnem para falar sobre cinema e distrair suas mentes. Em tempos de distanciamento social, além de propagar a cultura cinematográfica, os cineclubes passaram a configurar um novo cenário, como grande aliado para promover o equilíbrio e amenizar os efeitos do confinamento. Sem ter para onde escoar os filmes, a indústria cinematográfica precisou considerar as plataformas streaming como uma das soluções para enfrentar a crise. Nesse contexto, o público foi contemplado com uma série de novos títulos, disponibilizados de forma gratuita. Hoje, o público conta com um menu de opções, em diferentes categorias, e pode utilizar a plataforma que melhor lhe convier. Mas, e os bate-papos depois das sessões? As trocas de impressões sobre os filmes que tanto enriquecem a experiência dos cinéfilos? É essa lacuna que os cineclubes de Niterói vêm tentando preencher com os encontros virtuais. Criado com o intuito de difundir a cultura e a língua francesa por meio do cinema francófono, o Ciné Club Jean Vigo, da Aliança Francesa de Niterói, lançou, este mês, um novo projeto chamado Ciné-Maison, que propõe eventos virtuais, abertos ao público, na intenção de manter a conexão com os habitués, enquanto os encontros presenciais estão suspensos. - O Ciné-Maison é um canal que nos permite uma reconexão com os nossos cineclubistas. Nossa intenção é tentar trazer um pouco de entretenimento, manter o contato com o cinema francófono e diversificar os assuntos em meio a notícias tão pesadas. Acreditamos que a arte faz bem para a alma e ajuda a nos estabilizar nesses tempos de pandemia – conta Julie Mailhé, diretora da Aliança Francesa de Niterói. Sobre a seleção dos filmes, a diretora explica que, por já estarmos vivendo um momento desafiador, houve uma preocupação em não propor filmes muito densos. Por isso o Ciné-Club vem explorando temas mais leves ao recomendar filmes românticos e comédias. Produtor do Núcleo de Cineclubes de Niterói (NuCiNi), Miguel Vasconcellos, defende que nessa época de pandemia é de suma importância o trabalho que os cineclubes, festivais e mostras de cinema vêm fazendo ao disponibilizar filmes online para o público. “É uma forma de manter as pessoas entretidas, para que não respirem apenas informações e boletins diários sobre o coronavírus. A cultura aumenta muito a autoestima nesses tempos sombrios e difíceis pelo qual estamos passando”- afirma Miguel, que também precisou migrar as exibições dos filmes e os bate-papos, conduzidos por ele, para uma versão online. A seleção dos filmes também sofreu alteração. Segundo o produtor, antes os cineclubes do NuCiNi, geralmente, exibiam longas-metragens brasileiros, mas no modo online, passaram a dar prioridade aos curtas e, daqui pra frente, também vai fugir de temas apocalípticos. - Do ponto de vista terapêutico, usar filmes como recurso é extremamente valioso, pois ajuda a enfrentar os efeitos colaterais provocados pelo isolamento social - afirma Angela Faleiro, educadora terapêutica e social. Angela atua com arte terapia em um centro de atenção psicossocial. Ela conta que já utilizava o cinema para abordar alguns temas com seus pacientes. No entanto, a necessidade do distanciamento social tornou mais latente à importância desse hábito. “A gente entende o sentido do isolamento, como legítimo e benéfico para a saúde do indivíduo e do coletivo. Em contrapartida, a reclusão pode trazer um estado de monotonia e acentuar a ansiedade. E recomendável e saudável que as pessoas incluam nessa nova rotina atividades de interesse pessoal e entretenimento” – conclui Angela. Cynthia Daflon é frequentadora assídua dos Cinemas do Reserva Cultural, do Cine Arte UFF e do Ciné Club Jean Vigo. Advogada, Cynthia diz que depois das audiências no Fórum, ir ao cinema era mais do que um prazer, já fazia parte da sua rotina. Desde o início da pandemia, com as audiências suspensas e com a impossibilidade de ir aos cinemas, ela tem abraçado todas as oportunidades que são oferecidas para nas plataformas digitais. “Corro atrás dos filmes que não consegui ver e estou atenta aos lançamentos. Já me inscrevi no bate-papo virtual do Ciné-Maison com a expectativa de receber mais informações e dicas de bons filmes para assistir nesse período fatídico, porque como diz uma amiga cinéfila: a gente pode até ficar em casa, mas sem cinema, jamais” – brinca Cynthia. Enquanto os cinemas não retomam as suas atividades, os cinéfilos seguem em busca de ofertas de filmes e de um bate-papo, mesmo que seja do sofá de casa. Para obter mais informações sobre os cineclubes mencionados, os interessados podem acessar as redes sociais do NuCiNi (Núcleo de Cineclubes de Niterói) e da Aliança Francesa de Niterói. Nesta sexta, dia 15/05, às 18 horas, o Ciné-Maison realizará o seu primeiro bate-papo virtual em homenagem ao ator Jean Dujardin. Os filmes sugeridos foram: O retorno do herói e Um amor à altura, do diretor Laurent Tirard, disponíveis no telecine e UN + UNE – assinado por Claude Lelouch, disponível na Netflix. Para participar do encontro os interessados devem se inscrever com antecedência através do e-mail: secretaria@aliancafrancesa.niteroi.br ou WhatsApp: (21) 98481-0258. Suzy Silva é jornalista, com atuação nas áreas de comunicação e marketing empresarial. Trabalhou no jornal O Globo e para empresas como Coca-cola e Endesa. No setor de administração de shopping centers, atuou como gestora de projetos, ações e eventos de marketing. É membro do conselho constitutivo da Aliança Francesa de Niterói; curadora do Ciné Club Jean Vigo, realiza exibição de filmes em parceria com a cinemateca da embaixada da França. Atualmente compõe a equipe do Reserva Cultural, sob gestão de Jean Thomas Bernardini e Laure Bacque.

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