Conheça o comportamento da Covid-19 por bairros de Niterói

Icaraí tem mais casos que todos os bairros da Região Oceânica juntos Movimento do comércio em Icaraí. Foto: Gustavo Stephan Icaraí O coronavírus entrou em Niterói por Icaraí. Veio na bagagem de viajantes, que estiveram na Europa ou nos Estados Unidos nas férias de janeiro e fevereiro. Com a maior população da cidade, as principais ruas comerciais, o mais alto percentual de idosos e o mais alto poder aquisitivo, Icaraí foi terreno fértil para que a Covid-19 se espalhasse rapidamente, principalmente pelo bairro, mas também por toda a cidade. No último dia 2 de julho, já eram 717 casos confirmados apenas em Icaraí, sem contar as subnotificações. Além dos fatores já citados, outros também ajudam a explicar a alta ocorrência da doença no bairro. Nunca deixou de haver filas nas portas das agências bancárias do bairro, nem mesmo no período de lockdown, e, nelas, idosos se aglomeravam em ruas como Moreira César e Gavião Peixoto. Também as casas lotéricas tinham filas diariamente, embora isso tenha acontecido em toda a cidade. Num estranho “fenômeno”, as filas em frente às Casas Pedro, na Pereira da Silva, eram diárias, até em dias de chuva. Supermercados com bastante gente. Hortifruti da Moreira César provocava medo em quem temia a contaminação. Fila na porta da Beira-Mar também era uma constante. - Houve ainda um certo descaso com o avanço da doença, especialmente por idosos de alto poder aquisitivo que entraram na onda política de minimizar a doença. Tenho essa impressão. Porque moro na Moreira César e ficava chocada de ver muitos homens idosos se reunindo normalmente, como faziam antes da pandemia, na esquina com Otávio Carneiro. Até o uso da máscara se tornar obrigatório, com risco de multa, era muita gente sem máscaras nas ruas, filas nas farmácias... Difícil de entender, mas os resultados estão aí – lamenta Angelina Barbosa, de 76 anos. A primeira morte em Niterói aconteceu dia 17 de março e foi confirmada em laboratório no dia 19. Foi também o primeiro óbito por Covid no Estado do Rio: um homem de 69 anos que morreu no Hospital Icaraí. Ele teve contato com o enteado, que chegara contaminado de uma viagem a Nova York dias antes. A falta de testes em massa não permite enxergar o avanço da contaminação comunitária nas primeiras semanas. Mas Icaraí chegou a ter metade dos casos da doença em Niterói no mês de abril, e 25% em maio. A maior parte das mortes, em torno de 80%, foi de pessoas entre 60 e 80 anos. Mesmo depois de a prefeitura decretar o isolamento social em março, antes do lockdown, era comum ver muita gente pelas ruas do bairro e até caminhando na orla. Só mesmo com o lockdown, que previa multa e contou com intensa presença de guardas municipais no calçadão, esse movimento diminuiu e o índice de isolamento chegou perto de 70%, considerado ideal. Agora que o comércio já pode abrir, tem acontecido um fenômeno curioso em Icaraí, que inclusive é motivo de queixas dos lojistas. As lojas de serviços não essenciais podem funcionar, desde o último dia 22, das 12h às 20h. Acontece que Icaraí é um bairro que tem muitos idosos, e eles gostam de sair cedo e estar em casa à noite. - Na quinta-feira saí de casa às 19h30m para ir à farmácia e fiquei com muita pena do pessoal das lojas. Porque todas estavam completamente vazias, a Moreira César escura, as lojas abertas e acesas, e ninguém quase na rua, muito menos dentro das lojas. Eu nunca pensei que fosse viver para ver isso, essa tragédia do coronavírus, com a gente presa em casa, o comércio desse jeito, as crianças sem estudar, fico muito preocupada – contou Arlinda de Azevedo, de 79 anos, moradora do bairro. Outro fenômeno em Icaraí, apesar do grande número de contaminação pela Covid no bairro, é que, com as academias fechadas, elas foram “transferidas” para a areia. Depois que os exercícios físicos foram autorizados na orla, com horários limitados, há centenas de pessoas se exercitando com personal e até aulas coletivas, verdadeiras academias ao ar livre, em alguns casos com gente que dispensa a máscara na hora dos exercícios. Fila para entrar na padaria Beira-Mar, na Moreira César Santa Rosa A proximidade de Icaraí fez com que o contágio avançasse rapidamente em direção a Santa Rosa, a partir do que o mercado imobiliário chama de Jardim Icaraí. Apesar de estar entre os cinco bairros da cidade que registram maior número de casos de Covid, porém, é o quarto em contaminação. Até a última quinta-feira, 2 de julho, eram 360 pessoas com teste positivo para Covid em Santa Rosa. O fechamento das escolas, especialmente as particulares com maior número de alunos, como Abel e Salesianos, ajudou a diminuir o movimento. Também as portas fechadas nos corredores de bares e restaurantes no Jardim Icaraí, que costumavam atrair grande número de jovens, contiveram a expansão da doença. Já as casas lotéricas continuaram cheias e com filas na porta, especialmente no Largo do Marrão. Fonseca e Barreto Fonseca é o segundo bairro em número de casos de Covid em Niterói: eram 596 na quinta-feira, dia 2. Muito mais casos confirmados do que Santa Rosa. O terceiro é o Barreto, com 411 infectados por Covid notificados à prefeitura. Junto com o Centro (264 casos), Fonseca e Barreto formam o território mais exposto ao enorme trânsito de passageiros que a cidade registra diariamente. São cerca de 250 mil pessoas que se deslocam entre Maricá, Itaboraí, Niterói, São Gonçalo, Rio e Baixada. Apesar de o Fonseca e o Barreto concentrarem o maior número de casos depois de Icaraí, os números demoraram a aparecer na região. Passou a subir muito quando a prefeitura começou a fazer o teste em massa. Especialistas explicam que é um crescimento natural devido ao tamanho da população na região, mas outros fatores também influenciam. Quem mora na Zona Norte alerta que o isolamento quase não existiu por lá. Nos últimos meses, pareciam dias comuns. Agora que o comércio abriu realmente é preocupante. Também é a área onde há muitos trabalhadores que não puderam adotar o home office. O aposentado Ayrton Ribeiro, de 67 anos, ficava assustado cada vez que precisava sair de casa para comprar um item essencial, seja na farmácia ou no mercado. Do grupo de risco e ainda se tratando de um câncer de próstata, ele e a mulher evitam deixar a residência. No dia que precisou ir ao banco, voltou três vezes até ter coragem de encarar a fila que dava voltas no quarteirão. - Vejo muita irresponsabilidade da população. Há alguns bares que, mesmo com a proibição, continuam abertos e cheios de pessoas sentadas e sem máscara. É como se não existisse o vírus. Não acompanhei se houve fiscalização, mas infelizmente, aqueles que têm pouca condição vivem em uma situação mais precária, muitos familiares na mesma casa, e precisam trabalhar, pois não conseguem manter uma reserva de dinheiro. E já estamos em quatro meses de pandemia… - lamentou, completando que Niterói parece estar indo bem no combate ao vírus. - Acompanho sempre os boletins da prefeitura, o crescimento de casos aqui para o Fonseca. Soube de alguns amigos que se infectaram e até ficaram internados. Já está provado que o isolamento é a solução para conter o vírus e acho que a qualquer sinal de maior incidência do vírus, a prefeitura vai agir. Mas o que assusta é que algumas áreas ainda nem diminuíram o número de casos e óbitos e já está flexibilizando - comparou. Ayrton Ribeiro e a esposa temem o vírus. Foto: Arquivo pessoal O Fonseca é muito diverso. E muito grande. Ao longo de toda a Alameda São Boaventura, são muitos comércios, e a maioria já voltou a funcionar. Indiana Gomes Pereira tem um food truck no bairro há dez anos. O delivery foi sua salvação para manter os negócios em meio à pandemia. Ela comemora que o serviço está dando resultado. Mãe de uma criança de dois anos, ela e o marido se revezam para realizar a entrega, sempre com muito cuidado. - Fiquei acompanhando os casos de Covid e soube que dois clientes meus vieram a óbito. Nas entregas tomamos o máximo de cuidado, com máscara e álcool em gel. Tenho visto que a maioria das pessoas está usando máscara, farmácias e mercados seguindo as normas e medindo a temperatura de cada cliente – conta. Centro Passageiros se aglomeram para sair da barca na última quinta-feira. Foto: Sergio Torres O Centro de Niterói é um bairro de passagem. Mesmo com o lockdown, o movimento não parou no terminal rodoviário e nas barcas. A prefeitura chegou a estabelecer bloqueios nos acessos à cidade, perto da Ponte. Mas o fluxo é sempre intenso e o transporte, apesar de todas as medidas anunciadas, é uma preocupação. Os ônibus nunca deixaram de viajar cheios. Além disso, o Centro está a um pulo de Icaraí e também do Fonseca, os dois bairros com mais pessoas infectadas pela Covid na cidade e que têm muitas clínicas, consultórios e escritórios nas centenas de prédios. - No início, percebi que as pessoas estavam obedecendo mais o isolamento social, o movimento de carros era fraco e quase não se via pessoas caminhando. Hoje, apesar do número de mortos aumentar cada vez mais, percebo que as pessoas desistiram de seguir as regras e estão voltando às suas rotinas. Os mercados estão cheios, o comércio não essencial está funcionando, praias cheias… - comentou a jornalista Gabriela Outeiral, que mora no Centro. Ela e o pai, de 60 anos, estão trabalhando de casa. Só saem para atividades essenciais, como compras de mercado. Em uma dessas idas, presenciou um guarda repreendendo um ciclista (idoso) que estava sem máscara. Ele se recusou a usar o item e saiu pedalando. - A sensação que tenho é a de que estamos há três meses tentando fazer de fato a quarentena. Eu moro com meu pai, que está no grupo de risco. Por isso, tenho o máximo de cuidado possível. Quanto mais nos cuidarmos e respeitarmos o isolamento, menos gente será infectada pelo vírus, menos pessoas irão morrer e mais rapidamente poderemos voltar às nossas vidas normais - ressaltou. O dono de uma concessionária de carros no Centro, setor autorizado a reabrir desde o fim de maio, conta que o movimento ainda está muito baixo. - Está em praticamente 10% do que seria o normal, muito baixo. Os custos, porém, são os mesmos, contas chegando, funcionários, sem reciprocidade de vendas – diz o dono da concessionária, que vê os poucos clientes que chegam ainda com medo de estarem saindo às ruas. Ele conta ainda que tanto no Centro como em Icaraí e Santa Rosa tem visto muita aglomeração é na porta de loterias e agências bancárias, especialmente da Caixa. O mercado de peixes continua aberto São Francisco, Charitas e Jurujuba Movimento na praia de São Francisco em 10 de maio, quando ainda não era permitido Uma moradora de Icaraí que passou de carro por São Francisco durante o lockdown, quando eram proibidas até atividades físicas individuais na orla, conta que ficou impressionada: - Havia muito mais gente caminhando nas praias de São Francisco e Charitas do que em Icaraí. Vi muito mais guardas vigiando a orla de Icaraí, e talvez isso explique a grande movimentação em São Francisco. Até pais com carrinhos de bebê eu vi, o que me deixou chocada – conta Cintia Barbosa, de 46 anos. Em comparação com Icaraí, porém, a doença demorou a avançar. Mas agora no último dia 2 de julho, quinta-feira, já eram 158 casos em São Francisco e 121 em Charitas. Juntos, portanto, os dois bairros tinham 279 pacientes infectados. Um morador de São Francisco que pediu para não ser identificado contou que teve todos os sintomas de Covid, inclusive alguns muito característicos do coronavírus, como a perda de olfato e de paladar. Ele e a mulher tiveram todos os sintomas, apesar de terem cumprido rigorosamente a quarentena, sem sair de casa e apenas pedindo compras e refeições via delivery. Mesmo assim se infectaram, acreditam que nesse processo de receber encomendas, e ainda estão muito apreensivos. O casal de médicos não precisou ser internado, apesar dos incômodos de diversos sintomas, menos falta de ar. O que os preocupa ainda é que, passado o período mais difícil, os dois já fizeram os dois exames disponíveis para Covid, inclusive o de sangue, e todos deram resultado negativo. - É uma doença muito nova e desconhecida em todos os sentidos. Na evolução, que pode se agravar rapidamente e levar à morte; nos tratamentos, pois não há um protocolo único e comprovadamente eficaz; e até nos testes, que também falham. Até o mundo ter de fato uma vacina disponível, as pessoas devem tentar manter o isolamento social, na medida da possibilidade de cada um – diz o paciente, que é médico. Os registros de Covid nas comunidades de Charitas e São Francisco, como o Preventório e a Gruta, se mantiveram sob controle. No fim de março, agentes sanitários da prefeitura fizeram a higienização de ruas e vielas no Preventório. Idosos jogam cartas em Jurujuba: de máscaras, mas muito próximos Além de São Francisco e Charitas, nas últimas semanas a doença avançou também em direção a Jurujuba, onde já foram registrados 91 casos. Bares de Jurujuba continuaram abertos para pague e leve ou delivery mesmo nos períodos de isolamento mais duro. E o hábito de jogar cartas não afastou homens idosos do calçadão, como conta a mesma Cintia Barbosa, que no dia que passou por São Francisco de carro era por ter de ir a Jurujuba: - Quase não acreditei quando vi, numa daquelas mesas de pedra, quatro senhores bem idosos jogando cartas. Todos de máscara, mas a dois palmos de distância um do outro. No último dia 29 de junho, Dia de São Pedro, padroeiro dos pescadores, a tradicional missa realizada na igreja do bairro foi celebrada sem a presença de fiéis, mas transmitida ao vivo. Os poucos católicos que compareceram ficaram do lado de fora, mantendo a distância recomendada, numa cena emocionante. A procissão de barcos em homenagem a São Pedro não foi realizada este ano. Pendotiba, Largo da Batalha, Badu O bairro do Badu apareceu de forma insistente nas últimas semanas nos estudos do GET-UFF contra Covid-19 que calculam a incidência da doença pelo número de moradores. Desde o fim de maio, a maior taxa, proporcionalmente, acontecia na região, que registrou 150 casos para 5 mil habitantes. Atualmente parece que a transmissão do vírus voltou a diminuir em toda a região, que contempla ainda Largo da Batalha, Caramujo, Sapê, Badu, Ititioca e Maceió. No último dia 2, Badu tinha 154 casos. Largo da Batalha, 115. Caramujo, 121, pelos dados da prefeitura. Na última semana, a diarista Katia Regina Correia Leite, moradora do Cantagalo, confidenciou ao A Seguir: Niterói que o isolamento social não estava sendo seguido à risca na área. Muitos moradores pelas ruas, sem máscara, festas clandestinas e comércios abertos e cheios. - Nós queremos fazer a nossa parte, mas as pessoas não fazem a parte delas e nos colocam em risco. Meu marido tem 61 anos, é diabético e tem câncer de próstata, mas continua trabalhando, assim como eu e minha filha, que tem um filhinho de 4 anos. Nós tomamos todos os cuidados possíveis com o uso da máscara, álcool em gel e sapato fora de casa, mas temos muito medo da contaminação. Acredito que as pessoas só vão acreditar no risco quando algo acontecer na família delas - analisou na ocasião. O movimento foi intenso no Largo da Batalha, mesmo nos períodos de regras mais rígidas de isolamento social. A lotérica tinha sempre filas nas portas, assim como era grande o número de pessoas entrando e saindo de mercados e farmácias. Piratininga, Itaipu, Camboinhas e Itacoatiara Praia de Piratininga foi fechada para visitantes de outros bairros Uma das últimas áreas a serem mais fortemente atingidas pela doença foi a Região Oceânica. Sua localização geográfica, que a torna quase uma cidade dentro da outra, pode ter ajudado a afastar o vírus por mais tempo. No início de maio, Piratininga, Itaipu, Camboinhas e Itacoatiara não registravam nem 10% dos casos da cidade O fechamento das praias, de bares e restaurantes ajudou, diminuindo os pontos de concentração. Barreiras com guardas foram instaladas tanto na entrada de Itaipu como de Itacoatiara, deixando entrar apenas moradores. Isso conteve o avanço da doença no começo. Itacoatiara e Itaipu ficaram bem protegidos, praticamente só com moradores circulando, até que a prefeitura liberou as atividades físicas na orla e as barreiras foram retiradas. Houve tantos banhistas num domingo em Piratininga que a prefeitura acabou voltando atrás. A situação começou a mudar justamente em junho. No início daquele mês, já eram 283 contaminados no quatro bairros. Em um mês aumentou bem mais: agora, no começo de julho, dia 2, já eram 484. Piratininga é a que teve mais doentes de Covid, com 273 contaminados até quinta-feira. Itaipu vem em seguida, com 166. Camboinhas tinha 33 casos e Itacoatiara, 12. A niteroiense Laura Nunes mora em Piratininga com os pais, já idosos. Ela diz que, no início da pandemia, os moradores estavam mais dispostos a cumprir o isolamento, mas conta que, nas últimas semanas, justamente quando as taxas de contaminação estão aumentando no bairro, há um maior relaxamento. Calçadões cheios e com fiscalização branda, assim como nas areias, lotadas aos fins de semana. - Quase não se vê guardas restringindo a entrada no bairro. E há muita gente caminhando no calçadão. Outro dia vi um circuito na areia com mais de 10 pessoas, ninguém de máscara. Pessoas se encontram nas ruas para conversar, beber cerveja na calçada, alguns sem máscara. Até comerciantes já vimos sem proteção, e ele nos disse que não acredita no vírus… temos muito medo, pois meu pai é do grupo de risco – comentou Laura. A Região Oceânica não oferece opções de hospitais particulares, apenas um que abriu apenas como centro de imagem de um plano de saúde. Mas concentra duas unidades públicas de referência ao tratamento do Covid-19, o Mário Monteiro, no Cafubá, e o Hospital Oceânico, que foi arrendado pela prefeitura para o enfrentamento da doença, com a oferta de 136 leitos. O pedido dos moradores é que a unidade não seja devolvida, mas que permaneça com a prefeitura e aberta à população. A maioria do comércio de Niterói já pôde reabrir, devido ao maior controle da doença, incluindo os shoppings. Mas tudo com restrições e protocolos de segurança rigorosos. Dona do Studio Adely Stael, no Cafubá, Adely comemora poder voltar a atender seus clientes e lista todos os cuidados que ela e sua equipe têm tomado para garantir a segurança de todos. Reforço nos cuidados para reabrir o Studio Adely Stael, no Cafubá. Foto: Arquivo Pessoal O retorno ainda é lento. Metade da capacidade, pausa entre um cliente e outro para higienizar todas as áreas de toque, como balcões, cadeiras, aparelhos e o chão, sem esquecer a maquininha de cartão. Um aviso na porta e um banquinho com álcool em gel reforçam o pedido para que os clientes se protejam. - O período de salão fechado foi muito preocupante, nos pegou completamente de surpresa, pois não sabíamos que era uma doença tão avassaladora. Nunca tínhamos visto isso antes. Estamos nos adaptando a esse processo, alguns clientes ainda ficam receosos, mas é um passo de cada vez - salientou. Mesmo com tantos avisos e cuidados, ainda há pessoas sem máscara nas ruas. Em sua percepção, há uma tendência em respeitar o uso da máscara nos comércios, mas na rua muita gente anda com a boca e o nariz livres. Alguns clientes já tentaram entrar sem a proteção, mas foram impedidos. - Não tiramos a máscara e não permitimos que tirem. É para proteção deles e nossa também. Temos que proteger o nosso ambiente da melhor forma possível para que possamos trabalhar, pois o comércio não pode ficar fechado por tanto tempo. As empresas não suportam as dívidas e vira uma ‘bola de neve’, com a falência de muitos - analisa. Comunidades Quase todos os bairros da cidade tem comunidades, mas a prefeitura só divulga os dados de Covid-19 pelos bairros em que elas estão inseridas. Não divulga por comunidades. Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz, em parceria com a prefeitura, porém, incluíram diversas comunidades de Niterói em um estudo que está acompanhando a disseminação do novo coronavírus na cidade por meio da coleta e análise de amostras da rede coletora de esgotos do município. As coletas foram iniciadas em 15 de abril e são realizadas semanalmente. Atualmente, a média de amostras positivas para o novo coronavírus é de 85%. Este índice se refere às 11 semanas de coletas com resultados disponíveis (entre 15 de abril e 23 de junho). A pesquisa tem duração prevista de 12 meses. Segundo a Fiocruz, já foram coletadas amostras de esgoto bruto em 29 pontos da cidade, que incluem as comunidades do Palácio, Cavalão, Preventório, Vila Ipiranga, Caramujo, Maceió, Cascarejo, Morro do Estado e Boa Esperança. No total, nos 29 pontos, 85% das amostras estavam contaminadas. Taxa de transmissão Tudo muda. Todo dia. A cada boletim da prefeitura sobre casos confirmados de Covid-19 em Niterói, um novo bairro aparece com mais doentes e maior taxa de transmissão do vírus. Na semana passada, Itaipu e Maria Paula eram os que estavam com índices de transmissão mais altos, segundo análise do Departamento de Estatística da UFF por meio do grupo GET-UFF contra Covid-19. Nesta semana, destacam-se Cafubá, Tenente Jardim e Ponta da Areia, que registrou o maior aumento de casos confirmados, com 450% de uma semana para a outra. O vírus, apesar de ter chegado em Niterói em março por Icaraí, se alastrou por todas as regiões da cidade. A transmissão foi acontecendo de forma diferente. Começou avançada pela Zona Sul, onde estava o foco nos primeiros meses. Mas depois do início da testagem em massa, em maio, constatou-se que o coronavírus circulava por todos os bairros da cidade. Se na semana passada, destacavam-se Maria Paula, com crescimento de 150%, e Itaipu, com aumento maior que 450%, nesta semana aparecem o Cafubá (250%), Tenente Jardim (300%) e Ponta da Areia, com o maior aumento (450%). Vale lembrar que a divulgação por bairros da prefeitura é feita pela data de confirmação do vírus por testes e não pelo início dos sintomas. Em entrevista ao A Seguir: Niterói, o professor do Departamento de Estatística da UFF Wilson Calmon já explicou que, quando há uma flexibilização do isolamento social, a transmissão do vírus pode aumentar em lugares que antes havia registrado poucos casos, pois ainda há pessoas suscetíveis ao vírus naquela região.

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