Construtoras esperam “dobrar ou até triplicar investimentos em Niterói”

Empresas acreditam que 2021 será o ano da recuperação plena da construção civil na cidade Por Carolina Ribeiro Praia de Icaraí. Foto: Reprodução Vicente Maciel é diretor da Fernandes Maciel Construtora: aposta de forte retomada da construção civil em 2021. Foto: Divulgação A construção civil pode ser um dos setores que mais vão crescer, gerar renda e emprego neste cenário pós-pandemia em Niterói, apostam especialistas na área e em economia. O segmento está, inclusive, presente no plano de retomada econômica, lançado pela Prefeitura, por meio de reformas e melhorias em comunidades da cidade. Vicente Maciel é diretor da construtora Fernandes Maciel e diretor institucional do Serviço Social da Indústria da Construção do Rio de Janeiro (Seconci), e também já foi presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário. Há 40 trabalhando no ramo de construção civil, veio de Minas Gerais, mas diz que é niteroiense por adoção, pois chegou na cidade aos 9 anos. Em entrevista ao A Seguir: Niterói, afirma que está confiante de que o próximo ano será de mais lançamentos, obras e contratações, com expectativa de dobrar e até triplicar a quantidade de investimentos do setor em Niterói. A Seguir: O Brasil é um dos mais afetados pela pandemia do Covid-19, tanto em vítimas da doença como também na questão da economia. De que maneira o setor da construção civil de Niterói foi afetado pela pandemia? O setor chegou a paralisar os serviços? Vicente Maciel: Nos dois primeiros meses a Prefeitura não decretou decisão sobre a construção civil, mas pediram que as obras fossem interrompidas. Nós, claro, aceitamos parar, porque era uma colaboração para a não disseminação do vírus, mas a condição deveria ser formalizada para que pudéssemos ter uma resposta perante nossos clientes, prazos, vizinhos de canteiros de obras e os funcionários. Em função do pedido, o Prefeito editou um novo decreto no qual a atividade foi paralisada. Recentemente, as obras foram liberadas com metade da capacidade. Porém, já havia uma boa diminuição do setor antes do coronavírus, principalmente na Zona Sul, as obras se restringiam mais à Região Oceânica. As obras em andamento são pequenas, não são aquelas de 400 funcionários, são menores, em Piratininga. Por isso, a pandemia não afetou tanto porque o setor já vinha em franca desaceleração. Agora, em função de o mercado estar melhorando, e até o coronavírus ajudou porque mostrou às pessoas que eles precisam de um imóvel melhor, as vendas estão melhorando e alguns lançamentos estão sendo feitos. São lançamentos mas que não significam obras em andamentos, significam uma certeza de uma obra vai começar, provavelmente no ano que vem. Ficou um pouco mais caro para nós, empresários, porque são 40 novas medidas de segurança. Já seguíamos um protocolo extenso de cuidados no canteiro de obras sobre saúde e segurança dos funcionários e a isso foram adicionadas mais 40 ações visando a medidas sanitárias, de higienização, de cuidados, de isolamento, e isso encarece. Mas é necessário e vamos cumprir. Qual era o cenário da construção civil antes da pandemia? Niterói teve um acúmulo muito grande de lançamentos no início da década, de 2011 a 2014. A partir daí houve uma grande oferta, o que também aconteceu no Rio e em São Paulo, foi um fenômeno a nível Brasil, não só em Niterói. Mas o município também teve porque é uma cidade excelente, com um grau de qualidade de vida enorme. Muitas construtoras vieram de fora pra cá, empresas de capital aberto, com grande quantidade de recursos. Agora, já houve um equilíbrio entre oferta e demanda, por isso estávamos numa plataforma de recuperação, levantando voo, e o vírus veio abortar essa subida da curva de lançamentos, de empregos, de oferta de produtos. De uma certa forma, o Covid-19, ao prolongar uma inatividade [de construções], prolonga a diminuição do estoque de novas unidade. Mas o cliente não deixa de comprar apartamento devido ao Covid, às vezes compra até em função do vírus, já que passa a quarentena toda em um apartamento pequeno, que não é adaptado para toda a família reunida. As opções de investimento para quem tem recursos e liquidez não são boas, então o imóvel passa a ser uma opção de investimento excelente. O setor espera o ano de 2021 como recuperação, 2020 não. O que nos mostra isso é o índice Caged, que mostra a quantidade de empregos formais no setor. Estamos conseguindo estabilizar em baixa, já que estava em franco declínio, mas no ano que vem vamos conseguir voltar a contratar. A construção civil é um dos setores indutores de Niterói. Especialistas afirmam que é o setor que mais ganha força e com o maior potencial de crescer após a pandemia. Como isso é visto pelo setor? Niterói tem quatro pilares de recursos. Setor de serviços, royalties, construção civil e construção naval. Niterói não pode depender isoladamente de um deles, precisa que os quatro funcionem. O royalty não parou, mas diminuiu muito porque o preço do petróleo caiu. O setor de serviços praticamente parou com a pandemia. Era um setor que drenava recursos para o Executivo em na pandemia, isso se inverteu: a Prefeitura que está dando ajuda de custos aos empresários e funcionários, uma iniciativa muito importante, se não eles quebram de vez. O setor de construção civil não necessita dessa ajuda financeira, necessita de clientes. Geralmente os financiamentos são de bancos particulares ou públicos como a própria Caixa Econômica. Dependemos da Prefeitura em termos de controle, legislação e de planejamento, como pedimos a aprovação do plano urbanístico das praias da Baía. Com relação ao nosso setor, tão logo passe a pandemia, vamos dobrar ou até triplicar a quantidade de investimentos em Niterói. O setor chegou a quase parar antes da pandemia e depois parou, mas temos potencial sim. Os estoques estão baixos, Niterói tem uma qualidade de vida e de gestão boa que esperamos que continue com o próximo prefeito. Temos na cidade empresários locais com capacidade de gestão e financeira para investir. Junho foi o segundo melhor mês para o setor imobiliário e julho dever ser o terceiro, o que representa uma grande melhora para o segmento que vinha enfrentando uma crise. Ao mesmo tempo, a cidade está com apenas 400 unidades novas no estoque, quando já chegou a 3 mil. Já há previsão de novos investimentos nesta área? Três mil unidades para Niterói é um exagero, aconteceu durante aquele pico do início da década, na fase de ouro, quando construtoras de fora como São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, e até Canadá, vieram investir. Mas é muito para a cidade, pois o município tem um crescimento populacional muito baixo, aumenta pouco mais de 1% ao ano. Mas 400 unidades novas também é um ponto baixo da curva. De 2015 a 2020, os estoques foram diminuindo, mas o problema hoje é o grau de incerteza que o Covid-19 gera, mas que por outro lado também incentiva a compra de imóveis como investimento e como recompensa de moradia, para ter um imóvel bom, depois de quatro meses num imóvel adequado. Fora os dois que já foram lançados, tem outros que estão previstos. Só a minha empresa tem dois, um na Presidente Backer e outro na Miguel Couto, prédios de 100, 145 unidades, mas para o ano que vem. Há um grande número de obras em andamento, mas são pequenas na Região Oceânica, com 30 a 40 apartamentos. As grandes obras vão acontecer, tem um na Comendador Queiroz, e outras empresas também vão lançar. Até porque a inatividade dessas empresas custa caro, elas precisam continuar. Como já temos a certeza da vacina, esperamos que essa fase Covid termine nos próximos meses. Entre lançamento e início de obra, temos um prazo. Tenho duas obras interrompidas, que ainda não lancei e vou retomá-las. É o ano de recuperação plena da construção civil, não chegando ao exagero de 3 mil unidades. A Região Oceânica é o novo foco da construção civil? A cidade recebeu muitos investimentos de obras nos últimos anos. Hoje os empresários também colhem frutos. Piratininga, na Região Oceânica, é o bairro com o melhor desempenho, devido ao túnel, que foi o grande chamariz para os clientes. Mas falta o plano urbanístico para as praias da Baía. Para a Região Oceânica tem, mas nas praias da Baía não tem. O mercado se dirigiu para onde poderia aprovar projetos, pois sabia como era a regra do jogo. É natural que tenha se dirigido para a Região Oceânica e colhido os frutos da região em infraestrutura. Eu morei 20 anos na região, vejo o quanto melhorou. Agora, é um mercado limitado, com aproveitamento limitado, não há um grande boom imobiliário por lá, pois são obras pequenas em função da própria característica do local. Recentemente a Prefeitura lançou o plano de retomada econômica de Niterói, o que inclui projetos para o setor da construção civil, com o Mercado Municipal e o programa de habitação social. Qual a expectativa do setor para este plano? O plano é uma boa notícia para a construção civil. A cidade é um todo. Não podemos ver Niterói sob o plano da classe média e alta que caracteriza a cidade. Tudo o que a construção civil puder fazer em parceria com a Prefeitura, principalmente nas comunidades mais carentes, vejo como excelente. Isso tudo tem que ser agregado à atividade principal da construção civil, que é onde tem lucro, a saúde financeira dessas empresas. Vejo com muito carinho essa possibilidade, principalmente se vier bem desenhada junto com o plano urbanístico que a gente já aguarda há décadas ser aprovado pelo município e o Legislativo. Isso é importantíssimo para que a gente saiba quais são as regras do jogo, para que possamos investir e participar de todas as iniciativas do governo municipal.

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