Covid-19 avança no interior do estado

Interiorização da doença pode agravar falta de leitos Por Silvia Fonseca A falta de leitos de UTI disponíveis no sistema público e a lotação quase total ou esgotada na rede privada de saúde é uma tragédia nos grandes centros urbanos. E já preocupa muito em Niterói, que tem recebido pacientes da capital do Estado do Rio, de São Gonçalo e do interior. Mas o problema do colapso nos hospitais pode se agravar, tanto em Niterói com em outros municípios localizados em regiões metropolitanas. Pesquisadores do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) já relataram uma preocupante tendência de interiorização da Covid-19 no Brasil. O aumento dos casos em cidades do interior, onde as redes de saúde pública e privada é menor e tem menos recursos, acaba levando a uma procura maior por leitos em cidades maiores e com mais unidades de saúde estruturadas. Ao analisar dados de pesquisa do IBGE, os especialistas da Fiocruz constataram que o vírus cada vez mais chega às periferias das regiões metropolitanas e dali, de forma acelerada, se alastra para municípios do interior e de menor porte. Os pesquisadores ressaltaram que, apesar de os primeiros casos da doença no Brasil terem sido registrados em grandes metrópoles, com aeroportos e oferta de voos nacionais e internacionais, nas últimas semanas pelo menos 44% das cidades médias (entre 20 mil e 50 mil habitantes) passaram a confirmar casos de Covid-19 em moradores. Para esses cientistas, a tendência é o crescimento de ciclos de transmissão em cidades pequenas, em sua maioria localizadas no interior do país. Em seus pronunciamentos nas redes sociais da prefeitura, o prefeito Rodrigo Neves tem demonstrado diariamente preocupação com a explosão dos casos na capital do Rio de Janeiro e também em São Gonçalo. Ele destaca a situação trágica nas Regiões Metropolitanas e diz que por isso Niterói tenta se antecipar com uma série de medidas para conter a expansão do vírus no município. Em se tratando de um vírus como o corona, “nenhuma cidade é uma ilha”, tem dito, especialmente nas Regiões Metropolitanas. Em nota técnica do Sistema MonitoraCovid-19, os pesquisadores da Fiocruz destacam que essa tendência é verificada porque “metade das regiões para onde a doença se difunde apresenta recursos de saúde abaixo dos parâmetros indicados para situações de normalidade”. “O avanço do Covid-19 em direção às cidades menores revela uma situação preocupante em razão da menor disponibilidade e capacidade de seus serviços de saúde. Isso direciona a busca pelo atendimento médico aos centros urbanos de referência para o tratamento da doença, o que tende a ampliar a pressão sobre os serviços de saúde nas grandes cidades. Esse já é um quadro preocupante em cidades polo, como Manaus, que atende não só aos moradores do município, mas também a pessoas saídas de um conjunto de pequenas cidades e vilas situadas ao longo de rios”, disse Diego Xavier, epidemiologista do Icict/Fiocruz, ao falar sobre a nota técnica da pesquisa no site da fundação. Os dados do estudo do IBGE baseiam-se no conceito de Regiões de Influência das Cidades (Regic), que colocam os municípios em uma nova distribuição regional, de acordo com o relacionamento e o deslocamento entre cidades, provocado pela necessidade do atendimento à saúde.

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