Curso de pré-vestibular comunitário para trans de Niterói faz parcerias

Prepara Nem tem como missão oferecer auxílio educacional para a comunidade LGBTQI+ por Gabriella Balestrero Alunos do curso Prepara Nem, que acontece em Niterói. Foto: Divulgação O Prepara Nem é um curso de pré-vestibular gratuito que existe há seis anos e, desde 2016, acontece em Niterói. Sua linha de atuação é voltada para pessoas em situação de vulnerabilidade social da população LGBT, principalmente das pessoas transexuais, que ocupam apenas 0,2% das vagas nas universidades, segundo levantamento feito pelo Andifes em 2019. O projeto, que nasceu para mudar essa realidade, agora tem um novo desafio: manter a assistência em meio a uma pandemia global. Em tempos “normais”, a iniciativa acolhe de 15 a 20 estudantes, que participam de aulas em um método não formal de ensino. Isso significa que, além da formação acadêmica, o projeto se propõe também a ser formador de senso crítico e cidadania para uma população que, quando consegue ingressar na vida escolar, ainda se vê em uma posição periférica em relação ao resto da turma. Os participantes do curso possuem diferentes níveis de ensino e idade e são de diversos locais do Leste Fluminense. Por causa do distanciamento social, as aulas presenciais não estão acontecendo este ano. Para driblar essa dificuldade, a solução encontrada foi oferecer bolsas de aulas on-line para inscritos no programa. As aulas serão oferecidas por uma plataforma, que doou 50 bolsas para o Prepara Nem. Em complemento, os professores do cursinho ainda planejam aulões mensais (abertos para quem quiser assistir), reforços, monitorias e oficinas temáticas pensando não somente em ampliar o conteúdo mas também oferecer o sentimento de comunidade que é criado durante as aulas presenciais. - Estarmos juntos e trabalhar os laços afetivos entre a população LGBTQI+ favorece o aprendizado. Durante a pandemia, perdemos a possibilidade de ir além do conteúdo programático. Mas não podemos ficar à mercê de tantas instabilidades e desafios postos porque estamos falando de uma população mais vulnerabilizada - explica Bruna Benevides, coordenadora do projeto. Para ela, um dos maiores desafios é incluir indivíduos de camadas sociais mais sensíveis, que não só possuem problemas de acesso tecnológico mas também de espaço e de tempo para estudar: - A decisão de levar o curso adiante foi muito difícil. Mesmo entendendo que haverá quem não consiga participar, nós não podemos abrir mão daquelas que possuem condições de estudar on-line mas que não conseguem pagar por isso. A iniciativa também tem buscado parcerias para doações de material e de acesso à internet, de forma que todos os interessados consigam ter acesso ao programa. - Dar condição às pessoas que não têm acesso, mas sem abrir mão das que já têm esses recursos, são as nossas principais linhas de atuação neste momento - explica. O projeto ainda prevê amparo psicológico, com atendimento voluntário de profissionais da área, e também social, mobilizando a doação de alimentos e artigos de proteção contra o Covid-19. Mas nem tudo são dificuldades. Graças ao acesso on-line, o Prepara Nem conseguiu ampliar o número de vagas que oferece. A expectativa é de que pelo menos 70% dos inscritos consigam seguir até o final do curso e prestar não só o Enem como faculdades com outros métodos de seleção, como a Uerj. - A adesão ao projeto é importante porque demonstra o reconhecimento perante a população e a importância do mesmo para o aprendizado desses alunos que estão inscritos no ENEM, apesar de todas as dificuldades - conclui a coordenadora. Adiada para 2021, a data do Enem ainda é motivo de discussão na comunidade escolar. A principal crítica é a de que grande parte dos estudantes não possuem condições socioeconômicas de se preparar até o fim de janeiro, quando acontece a prova.

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