Danielle Bornia: ‘Quero mudar o quadro do avanço da privatização em Niterói’

Conheça Danielle Bornia, candidata do PSTU a Prefeita Danielle Bornia, candidata a Prefeita pelo PSTU, em frente à biblioteca, no Centro de Niterói, um dos seus lugares favoritos da cidade Nascida em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e moradora de Niterói desde 1999, Danielle Bornia é graduada em Nutrição e tem licenciatura em Ciências Sociais pela UFF. Na faculdade, iniciou a militância no movimento estudantil e fez parte da direção do Diretório Central dos Estudantes da UFF e da Executiva Nacional dos Estudantes de Nutrição (ENEN), atuando nas lutas em defesa da universidade e da saúde públicas. Como muitos jovens trabalhadores, conciliou estudo e trabalho no mercado informal e no comércio. Assim como muitos LGBTs, também trabalhou num call center, com jornada longa, salário curto e um ritmo de trabalho que adoece. A Seguir Niterói: Por que a senhora quer ser Prefeita de Niterói? Danielle Bornia: Essas eleições acontecem num momento em que se combinam uma pandemia e uma das maiores crises econômicas, que tem entre seus resultados milhares de mortes e milhões de trabalhadores desempregados que se desdobram para colocar comida na mesa. Não há saída para a classe trabalhadora e para o povo pobre dentro deste sistema. Para mudar de fato, a classe trabalhadora, os negros, os jovens, as mulheres, as LGBTs, os indígenas e todos os setores explorados e oprimidos devem organizar-se para derrubar esse sistema e construir um governo seu, que funcione por meio de conselhos populares. Esse é o projeto que o PSTU está apresentando no país inteiro e que queremos implementar em Niterói. Minha candidatura e nosso partido estão a serviço das lutas de trabalhadoras e trabalhadores e consideramos de fundamental importância nesta campanha eleitoral, mesmo de caráter municipal, levantar a bandeira de Fora Bolsonaro e Mourão, que, em vez de garantir uma quarentena com emprego e renda para derrotar a pandemia, adotou uma postura negacionista da ciência e impulsionou ações para impor a volta da ditadura militar no Brasil. Dessa forma, este governo é responsável, hoje, pelas mais de 137 mil mortes, mais de 4,5 milhões de brasileiros infectados, pelos 41 milhões de desempregados e pelo aumento da exploração e miséria. O que, por sua formação, pode fazer pela cidade? Sou licenciada em Ciências Sociais e trabalho como profissional de Educação da rede municipal de educação de Niterói. Queremos mudar o quadro de avanço da privatização da cidade, que faz com que a rede privada de educação seja maior que a rede pública e quase 17 mil crianças de 0 a 4 anos estejam fora da escola pública. Por isso, defendemos a Educação Pública de qualidade, com mais investimento e valorização dos trabalhadores da educação com 5 salários para professor e 3,5 para funcionários. Para isso acontecer, 30% do orçamento devem ser destinados à manutenção e desenvolvimento da educação pública e 6% para a educação inclusiva. Deve haver a construção de Unidades Municipais de Educação Infantil (UMEIs) públicas para atender toda a demanda. Defendemos que sejam incorporados todos os terceirizados, contratados e conveniados pela prefeitura. Pela redução de alunos por sala de aula! Abertura de concursos para suprir a demanda de profissionais de educação! Somos totalmente contra a Reforma Administrativa de Bolsonaro que é, na verdade, a destruição dos serviços públicos. Cada profissional deve ter o direito de cumprir a carga horária de cada matrícula em apenas uma escola. Também é importante que se garanta educação sexual nas escolas para que as crianças e jovens possam se proteger. É urgente uma política de combate ao racismo, machismo, LGBTfobia e xenofobia nas escolas. Diretores e diretoras devem ser eleitos, pois são cargos de confiança das comunidades escolares. Também está presente no meu projeto o fortalecimento dos Conselhos Escolares e da Gestão Democrática, buscando maior diálogo, participação e controle pela comunidade escolar. Nesse momento de pandemia, somos contra a reabertura das escolas enquanto não houver vacina, testes em massa ou controle da pandemia, com garantia de alimentação escolar a todos os alunos. Também defendemos o fim da atual política de Ensino à Distância, que reforça a desigualdade entre alunos e estimula a privatização do ensino. Qual o seu principal projeto? É urgente garantir a vida da classe trabalhadora, com cumprimento de quarentena, para valer com emprego e renda! A massificação de testes para Covid-19 garantidos por um Sistema Único de Saúde (SUS) 100% público e estatal, sob o controle de Conselhos Populares. A testagem também deve acontecer nos locais de trabalho sob o controle dos trabalhadores. É preciso reverter o processo de privatização da saúde com a estatização dos hospitais e laboratórios privados sob o controle dos trabalhadores! Os profissionais de saúde não merecem apenas aplausos, mas também a efetivação dos mais de 2/3 desses profissionais do município que têm vínculos de trabalho precário, como terceirizações, OS, e outras formas de contratação. É fundamental a ampliação da rede pública municipal com incorporação de todos os hospitais e recursos ampliados durante a pandemia, com condições de trabalho e salário adequadas para os profissionais. Que marca gostaria de deixar para a cidade? Em Niterói, apesar de a cidade ser conhecida pelo “alto nível de qualidade de vida”, expressam-se, com força, a desigualdade e as mazelas da sociedade capitalista. Enquanto ricos e poderosos têm condições privilegiadas nos bairros nobres da cidade, há muitas pessoas em situação de rua e, nas comunidades carentes, milhares de desempregados e subempregados, incluindo os que foram demitidos da antiga indústria naval da cidade, hoje reduzida a pequenas empresas com um número ínfimo de trabalhadores. É preciso romper com o capitalismo para que toda a riqueza da cidade gerada pelos trabalhadores retorne aos trabalhadores! As mudanças que queremos fazer em Niterói devem contribuir para uma revolução socialista em nível mundial, pois o capitalismo nos mata, explora e oprime no mundo inteiro. Se a miséria é globalizada, nossa luta também deve ser! Qual seu lugar favorito em Niterói? A melhor expressão da cidade ou o seu refúgio? Trabalho no bairro Ilha da Conceição. É uma comunidade que se formou como uma colônia de pescadores e, com a instalação dos estaleiros, se tornou um bairro operário. Hoje, com a crise econômica e a política de privilegiar os lucros dos grandes empresários, o bairro reflete a situação do conjunto da classe trabalhadora da cidade com o desemprego e o fechamento de pequenos comércios. Mas também reflete a garra e a disposição de luta dos trabalhadores, pois a comunidade se organiza para resolver os problemas que a prefeitura trata com descaso. Quem estará no governo com a senhora? O assessor, o colaborador mais próximo, a pessoa de confiança, o primeiro secretário que vai nomear? A classe trabalhadora é a maioria na sociedade. São os/as trabalhadores/as que produzem todas as riquezas. Apesar disso, o poder está nas mãos dos ricos e dos grandes empresários. Apoiamos todas as lutas dos trabalhadores e da juventude e incentivamos sua auto-organização! Defendemos a estatização de todas as grandes empresas sob o controle dos trabalhadores. Também defendemos a formação de conselhos populares com poder deliberativo acima das câmaras municipais para governar as cidades e o Brasil! Queremos estimular a auto-organização dos trabalhadores e setores oprimidos da população para que eles tenham, de fato, poder para enfrentar e questionar as políticas que os governos e empresários querem impor à maioria da população.

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