Desemprego e medo de contágio tornam retomada do comércio mais lenta

Lojas reabrem, mas clientes voltam aos poucos e com mais cuidados Por Carolina Ribeiro De volta às compras na Moreira César, em Icaraí O clima é de alívio mas não de comemoração para comerciantes de Niterói, que puderam reabrir suas lojas desde a segunda-feira 22, após um período de quase 100 dias de isolamento social e portas fechadas. Clientes ensaiam a volta, mas ainda lentamente. O desemprego é cada vez mais alto, a recessão se aprofunda. Falta dinheiro e sobra medo de contaminação. Então, apesar das lojas abertas e de uma movimentação maior nas ruas da cidade, a retomada será gradual, acreditam lojistas. Na segunda-feira, o índice de isolamento social em Niterói caiu para 43,9%, muito abaixo dos 70% considerados ideais no pico da epidemia. A maioria dos setores do comércio já está aberto em Niterói devido porque a cidade avançou do estágio laranja para o amarelo 2. Com exceção de shopping centers, que reabrem até o dia 1º de julho, bares e restaurantes e segmentos que envolvam aglomeração como turismo e academia, os demais podem funcionar com restrições. As ruas já estão mais cheias, mas esta não é a percepção dos comerciantes, que registram poucas vendas e prejuízos. O setor terá que suportar por mais um tempo as dívidas e a baixa arrecadação, mas a estimativa divulgada no início do mês - antes da reabertura - era de mais lojas fechando mesmo após esta retomada agora. Na ocasião, 35% das lojas de Niterói já haviam fechado e mais 30% poderiam fechar até o fim do ano. O empresário Fabiano Gonçalves é do ramo de alimentação, setor que está fechado desde o fim de março e ainda não tem autorização para reabrir. Bares e restaurantes podem funcionar por sistema de delivery e ‘pague e leve’, mas o retorno financeiro não é o mesmo. - Tivemos que aderir aos programas do Governo Federal para suspender os contratos temporariamente. Acredito que temos que nos adequar aos protocolos de segurança para passarmos por este terrível momento e entender que o estágio é de superação e cooperação e não de concorrência - opinou, contando que perdeu duas pessoas próximas devido à Covid-19. - Quem não sofrer perdas familiares e de amigos pode considerar que está no lucro. Isso sim é um prejuízo! Materialmente, perdi todo o estoque que tinha, mas iremos nos reconstruir com saúde e fé - completou. Fabiano também presta consultoria para lojas de material de construção. Apesar de estarem abertas há cerca de um mês, o movimento ainda não voltou ao normal, mas é gradual. De acordo com ele, tanto as lojas como os clientes estão seguindo os protocolos de segurança. - A retomada [do comércio] será gradual, não só em Niterói, mas no Rio de Janeiro, no Brasil e no mundo. É um problema mundial e de força maior. Protocolos têm que ser rígidos sim, pois o vírus está entre nós - finalizou. Responsável por uma loja de sapatos, Roberta Rocha diz que a movimentação de clientes nos dois primeiros dias foi lenta, o que já era de se esperar devido à preocupação das pessoas. No entanto, a crise financeira, aliada ao desemprego, também pode afastar o cliente, que precisa conter gastos. - Temos muita esperança e estamos confiando num final feliz, apesar de acharmos que a retomada vai ser devagar. Estamos todos num processo de adaptação a uma realidade que nunca sequer cogitamos… mas o lojista é comprometido, corajoso e acredita em dias melhores, estamos dedicados e também contando com a dedicação de nossos colaboradores para dar a volta por cima - comentou, acrescentando o período de lojas fechadas foi difícil. De acordo com Roberta, há ainda muita preocupação, já que houve uma perda ‘violenta’ no faturamento, mas as contas continuam chegando. Além disso, ainda precisaram se adequar às normas de segurança da prefeitura, como o uso do termômetro, um produto caro e que causa discussões quanto a aplicação. - Foi um grande pesadelo do qual ainda não acordamos. O termômetro ainda é uma dúvida muito grande. Num momento como este, onde temos que aplicar o dinheiro de maneira certeira, sem desperdício, essa exigência foi dura! Um produto caro, que ainda gera dúvidas quanto a ser obrigatório ou não. Quanto às demais determinações, estamos cumprindo sem problemas e seguimos o protocolo recomendado pela prefeitura com obediência e tranquilidade para a segurança dos clientes e funcionários - disse. Depois da reabertura na segunda-feira (22), o presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio (Sindilojas) de Niterói, Charbel Tauil Rodrigues, já havia opinado que o consumidor vai levar algum tempo para se sentir mais à vontade para fazer suas compras. No entanto, criticou algumas medidas adotadas pela prefeitura como o uso de termômetros digitais obrigatórios para todos, incluindo pequenos e médios empresários, o horário restrito de 12h às 20h e a não autorização para reabertura de shoppings e centros comerciais fechados. - Os termômetros são difíceis de encontrar e muito caros, sendo que nem todas os modelos possuem o selo do Inmetro, e a exigência onera o pequeno comerciante. As galerias comerciais do Centro e da Zona Sul estão impedidas de funcionar, embora suas torres de escritórios e consultórios possam. É algo absolutamente sem sentido, que esperamos ver corrigido em breve pela prefeitura - criticou. O presidente em exercício da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Niterói, Manoel Alves Júnior, também ressaltou a dificuldade de obter o termômetro digital e comentou sobre o baixo movimento. Para ele, excluir o movimento da manhã ao abrir após 12h pode ser um dos fatores que favorecem a baixa movimentação, além do medo da população. Devido à mudança de estágio, puderam reabrir, com capacidade reduzida em 50%, lojas de rua, clubes esportivos (apenas para atividade individual e sem restaurante), missas e cultos religiosos (este apenas com 25% de capacidade), auto-escola e cursos profissionalizantes. Neste nível também volta a ser autorizado o retorno do sistema ‘pague e leve’ em restaurantes e drive-thru em shoppings e centros comerciais fechados. Já os centros comerciais abertos, como os do da Região Oceânica e de Pendotiba, já podem reabrir. Já estavam liberadas nos níveis anteriores as atividades essenciais como mercados e supermercados, farmácias, padarias, pet shops e postos de combustíveis, além de óticas, lojas de materiais de construção, oficinas mecânicas e de bicicletas, atividades da construção civil, serviços médicos, odontológicos e de fisioterapia, hotéis, indústria do petróleo e gás, lojas de automóveis e concessionárias, restaurantes (entrega apenas), escritórios, imobiliárias, salões de beleza e empresas de manutenção e reparo de máquinas e equipamentos. O shoppings e centros comerciais fechados, como as galerias de Icaraí, estão podendo funcionar apenas no sistema drive-thru até que todos sejam liberados até o dia 1º de julho, independentemente do nível em que a cidade se encontra. O Plaza Niterói, no Centro, estendeu nesta terça-feira (23) iniciou o sistema para todas as lojas que tiverem interesse. A venda será feita diretamente com a marca, mas a lista de lojas participantes ficará disponível nos canais oficiais dos shoppings. Na Região Oceânica, o Shopping Multicenter informou que vai detalhar em suas redes sociais todas as lojas que aderirem ao sistema drive thru, mas ressaltou que as compras também ocorrem diretamente com as lojas. O Bay Market, também no Centro, ainda não implementou o sistema. O prefeito Rodrigo Neves anunciou que os lojistas que foram autorizados a reabrir o comércio terão uma semana para se adaptar às normas e protocolos sanitários. A partir da próxima segunda, as fiscalizações não serão comente educativas: comerciantes poderão sofrer multas administrativas. Todos os estabelecimentos autorizados a funcionar devem seguir as recomendações de funcionamento como a obrigatoriedade do uso de máscara, a medição de temperatura e álcool em gel na entrada, além das regras de distanciamento social dentro e fora dos estabelecimentos. O uso de máscara também continua sendo obrigatório.

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