Deuler da Rocha, do PSL, quer fazer trem suspenso na orla de Niterói

Delegado da Polícia Federal diz que cidade precisa de um bom síndico Por Luiz Claudio Latgé e Silvia Fonseca O candidato do PSL é delegado da Polícia Federal há 25 anos. Mas Deuler da Rocha não quer que haja qualquer engano sobre isto: não foi chamado pelo partido para disputar a Prefeitura de Niterói por ser delegado. Se apresenta como gestor. E para não deixar dúvida, antecipa que seu principal projeto não passa pela segurança: é na área de transporte, problema que sempre o incomodou como morador e que considera um atraso na vida da cidade. Tem um plano ousado: um trem suspenso, apoiado por “hastes metálicas tubulares gigantescas”, para ligar Barreto, Fonseca, Centro, Praia de Icaraí e Região Oceânica. Acompanhe série de entrevistas com os candidatos a Prefeito de Niterói Deuler da Rocha sustenta que a cidade tem recursos para a obra. Diz que o dinheiro não falta em Niterói, apenas está mal empregado. E promete acabar com as “cinquenta e tantas secretarias” criadas pelo atual Prefeito, Rodrigo Neves. Nesta entrevista, o A Seguir: Niterói, falou sobre planos para Saúde, Educação e Segurança. Na Saúde, prioridade do eleitor diante da pandemia, diz que saberia se aconselhar com cientistas, como na Polícia Federal trabalhava com peritos. Considera que o problema é grave “para agir com o fígado”. Mas diz que teria retomado as atividades há mais tempo. No campo político, já se definiu como político de centro. Reconhece que o partido defende ideias de direita, e concorda com elas. Representa o partido que elegeu o Presidente Jair Bolsonaro, mas sabe que não terá apoio dos grupos bolsonaristas. Mesmo assim, para usar uma figura de linguagem do Presidente, diz que "tiraria Bolsonaro para dançar". Embora o Deputado Federal Carlos Jordy, líder bolsonarista na cidade, esteja flertando com outra candidatura. Não vê questões ideológicas na disputa pela Prefeitura. “O Prefeito tem que ser um síndico,” sustenta. A Seguir Niterói inaugura, com essa entrevista, a série de sabatinas com os candidatos à Prefeitura e Niterói, com o propósito de ajudar o eleitor da cidade a conhecer melhor aqueles que se apresentam para conduzir os destinos da cidade nos próximos quatro anos. Durante toda a semana, e até sábado, o A Seguir publicará as entrevistas com os candidatos. A ordem de publicação obedecerá a pontuação apresentada na pesquisa do instituto Paraná Pesquisas, em setembro. Amanhã, teremos a candidata Juliana Benício, do Novo; na quarta, Flávio Serafini, do PSOL; na quinta-feira, Felipe Peixoto, do PSD; e, na sexta, Axel Grael, do PDT. O candidato Allan Lyra do PTC confirmou a entrevista mas não compareceu no horário previsto. Estes são os partidos com representação na Câmara dos Deputados. No sábado, o A Seguir Niterói publicará reportagem com os outros candidatos à Prefeitura A Seguir Niterói: Na última eleição, em 2018, houve uma onda de candidaturas de policiais e de militares, muitos delegados candidatos. Por que o senhor acha que um delegado vai ajudar na Prefeitura de Niterói? DELEGADO DEULER DA ROCHA: No meu caso, tenho que responder por mim, não vou falar destes candidatos… Não fui chamado em razão de minha condição de delegado, mas pela minha atuação na gestão, pelos vários cargos que ocupei, na Polícia de Federal e na Procuradoria da República e muitas atividades que exerci. Tive oportunidade de passar pela Amazônia, passei por Brasília e vim para o Rio de Janeiro Na Polícia Federal já estou há 25 anos. Eu já atuei em todas as delegacias e estive no comando de diversas delegacias da Polícia Federal. Então estas experiências vão se agregando, vão se somando, sempre atuando com gestão e com projeto. Fui chamado pelo deputado federal Felício Laterça (PSL-RJ). Ele me falou: “Olha, eu preciso de um sujeito chato para resolver uma questão partidária local. E também uma pessoa que já tivesse ou formulasse um projeto para a Prefeitura de Niterói. Pensei em você.” Não fui chamado por ser delegado, por ter um programa de segurança, nada disso. Até porque meu principal programa, por eu ter nascido e ser criado aqui, é de mobilidade urbana. Deu tempo para fazer um projeto? Deu tempo e sobrou. A primeira atitude foi ver o que dá certo lá fora, uma coisa que Niterói não faz mais. Na parte de mobilidade, você tem a possibilidade de resolver uma parcela de 60% do problema do fluxo de passageiros em veículos através de trilhos. Tem gente que fala em uma linha de metrô, mas não sabe fazer conta. Então temos um projeto complexo que vai levar vias pelas laterais da cidade, primeiro pelo Fonseca e o Barreto e depois pela orla de toda cidade - e mais tarde para a região oceânica. Então teríamos uma situação imediata até mais ou menos Jurujuba. Tem alguns problemas com áreas do Exército, mas que é possível resolver… De onde sairiam os recursos para a obra? Os recursos em Niterói não faltam. Eles são mal aplicados. O que temos são recursos perdidos, especialmente o que se gasta com a estrutura fabulosa que foi criada com cinquenta e tantas secretarias e fundações sem fim. Isso tudo vai ser absolutamente restringido. Vamos criar uma secretaria de controle, e vamos ter as polícias investigando. Quando você não tem o que temer e está querendo fazer um governo limpo, e tem um plano anticorrupção, você pode cortar essas entidades que não servem absolutamente para nada... Como seria este projeto? O que ouvi dos técnicos: seriam investimentos em quatro anos da ordem de R$ 280 a R$ 400 milhões… essa linha vai solucionar um problema. Isso eu estou falando de ouvir os técnicos falando, não poderia falar mais porque ainda estamos estudando, mas seria a única alternativa para melhorar o trânsito Será trem, metrô, VLT? Não, não, é um trem suspenso, que você vê muito na Europa e vê na Ásia quase inteira. É um sistema que é fácil, você faz com pouca interferência. Começa no Fonseca e no Barreto, acompanhando as linhas que já existem, fazemos a ligação ali na Jansen de Mello. Os projetistas já nos apresentaram. Já estivemos nos estaleiros para ver se haveria alguma dificuldade para passar por ali... O senhor disse que o projeto prevê vias pela orla de toda a ciadade. Isso pode significar a construção de um viaduto na Praia de Icaraí? Não, não, de maneira alguma, não é um viaduto. Isso é suspenso por hastes metálicas. Vou lhe encaminhar o projeto para você entender, uma imagem fala mais do que mil palavras. Para ser suspenso, precisaria de pilares ou colunas... Isso, são colunas metálicas de fácil instalação. O senhor construiria colunas metálicas para a passagem de um trem na Praia de Icaraí? Não é na frente da Praia de Icaraí, não, seria encostado nos morros. Acho que estou debatendo mais esse projeto aqui do que debati com os engenheiros… Desculpe insistir. É que trata-se de um projeto muito importante… Os dados técnicos eu não tenho. Tenho a maior honra de chamar os técnicos para explicar, pena que eles não estejam aqui A elevação é feita através de hastes metálicas tubulares, gigantescas, isso está na visão de todo mundo, por isso me surpreendo com tantas perguntas. Mas vou mandar as imagens, que com elas será intuitivo, para mim é tão intuitivo que eu não guardei os dados técnicos. Cometi um pecado então, mas esse pecado eu vou sanar mandando as imagens. Não é um pouco superficial apresentar um projeto com tantas dúvidas? Não há dúvida em relação ao projeto. O que posso dizer é que temos um projeto que representa a única solução para resolver este problema. Encaminharei rapidamente as imagens, me comprometo a encaminhar prontamente. Aqui não tem saia justa, aqui tudo é transparente. O que temos é um projeto que é a única possibilidade para enfrentar o problema, quando encaminhar será facilmente entendido. Você me exige que explique tecnicamente e eu não sei explicar. O que eu posso explicar é que faremos uma via do Barreto, do Fonseca para a Jansen de Melo, que vai distribuir o trânsito, como acontece em várias cidades do mundo. O motivo disso é diminuir o fluxo e, em cada uma das estações dos bairros, você libera um volume de passageiros que melhora o trânsito dos veículos em todo o circuito do trem. Por onde o trem vai passar? Necessariamente ele tem que passar por fora. Ou ele passa juntos aos morros… ...mas os morros estão em Santa Rosa… Não, não, você vai sair do Centro, vai passar por fora, ali onde tem o Reserva Cultural, e você pode ter uma estação dentro da universidade. O planejamento inicial é este, mas é evidente que tem muito debate pela frente. Então, o trem vai ao Gragoatá, vai subir o morro, vai passar na frente do MAC e vai descer na Praia de Icaraí? O projeto é possível passando tanto próximo dos morros como perto da praia. Por que é ideal que ele passe na praia? Porque você cria um mecanismo que vai dar recursos também para o turismo… Vamos mudar de assunto: Educação. Qual o plano para a Educação na cidade? A responsabilidade do município em relação à educação é restrita à educação básica, Mas a sua ação não pode ficar limitada a cuidar apenas dos quatro ou cinco anos, porque você terá mais adiante um problema seríssimo. Você vê jovens saindo da escola, então essa escola não conseguiu manter o garoto. Tem que ter uma coisa nova e esta coisa nova são os cursos profissionalizantes. Conveniados com o estado. Isso eu escutei nas comunidades, no Caramujo e em outras comunidades. Porque o filho do rico tem uma visão de mais longo prazo, mas o filho do pobre precisa de uma identidade profissional imediata. Seria de enorme insensibilidade ignorar isso e dizer que é problema do estado. Então a gente pode pensar em convênios para os cursos profissionalizantes Como melhorar a qualidade do ensino fundamental? Em todas as áreas nós temos que cuidar das pessoas e das instalações. Na educação não é diferente, a gente tem professores que não passam por reciclagem. A gente tem professores que só querem ficar perto de suas casas. Em linhas gerais, a gente tem que ter atenção a programas de reciclagem, as professoras têm que ter reciclagem pelo menos no biênio. Na Saúde você tem estes programas de forma mais natural. Na área de educação, não. E é evidente que o sujeito que está trabalhando há 10, 20 anos perde condições de se atualizar. Não é todo mundo que tem condições tecnológicas e financeiras de se reciclar, ganhando o que ganha um professor. Então tem que cuidar disso e de ter instalações para poder exercer o trabalho. Se você quer resolver isto, você não precisa ser um criativo, precisa ser um gestor. Eu sempre falo, o brasileiro quer um “eureca” a cada semana. Não há “eureca”. Há o aproveitamento daquilo que tem de melhor em todo mundo. É assim na mobilidade, na educação, no saneamento. O senhor está no partido que elegeu o presidente Bolsonaro. O senhor é bolsonarista? Eu não gosto dessa política de pessoas. A mim pouco interessa o culto à personalidade, o culto à ideologia. Eu antes me caracterizava como centrista. É claro que meu partido tem posições de direita. Ideias que eu já tinha antes. Mas não tem nenhuma espécie de culto ideológico e nenhum culto à personalidade… Agora, se você me perguntar se o Bolsonaro estivesse no baile, se eu tirava ele para dançar? Eu tirava, sim. Mas o Deputado Carlos Jordy tentou se lançar pelo partido e os apoiadores do presidente Bolsonaro saíram dizendo que foram traídos com a sua candidatura. Quem traiu quem? Olha só, eu nunca deixei apequenar o debate… E vou falar francamente, porque há personagens da história que se julgam grandes. É lógico que o Bolsonaro criou uma onda e é uma onda grande, uma onda forte, uma onda padrão canal de Nazaré (endereço de surfe, em Portugal, conhecido pelas ondas gigantes). Mas não pode esquecer que o surfista não é a onda. Havia um cenário em que a esquerda vinha numa derrocada com questões relativas à corrupção, e a direita vinha num embalo e foi crescendo de uma forma muito forte, aí veio o Bolsonaro, e aquilo ganhou uma proporção incalculável. Só que os surfistas da onda são os surfistas da onda. A forma que ele vai pegar esse onda até o final é que vai dizer se ele é um bom surfista ou um mal surfista. Mas estas pessoas não ocupam esse espaço para dizer por aí que elegeram o Bolsonaro… Eu não sou um político, sou um gestor, candidato… É evidente que a gente tem consciência das mazelas, mas essa briga pequena eu não participei dela… Eu já te disse, tiraria o Bolsonaro para dançar, mas também não ficaria cantando a noite inteira para ele dançar comigo… Mas os bolsonaristas não tirariam o senhor. Não sei, não sei …neste exato momento estão fazendo uma caminhada com outro candidato. É lógico que eu gostaria do apoio, lógico. Isso acontece, vai acontecer, acontece em outros lugares, no Rio de Janeiro... Agora, eu não estou nessa disputa para ganhar a simpatia de demais políticos, eu estou nessa disputa para gerir uma cidade, que tem que ser gerida com seriedade, sem papagaiada. Sem culto a nenhuma espécie de personalidade ou de ideologia. Se você quer trabalhar numa cidade, você não vai ter que ficar tratando dos grandes problemas mundiais, você tem que ser síndico, cara, você tem que ir para a rua, tem que olhar o esgoto, tem que acompanhar o que está acontecendo no colégio, tem que surpreender no órgão público, mostrar que você está olhando…. O debate político apequenado não me interessa. É lógico que eu gostaria do apoio. Se o sujeito acha que não mereço o apoio, eu só posso fazer o seguinte: demonstrar que foi um equívoco dele, fazendo um bom trabalho e mostrando eficiência. Nestes tempos de pandemia, a Saúde se tornou a principal preocupação de todos. O senhor é contra ou a favor da vacinação obrigatória? Acho que você tem que ser cauteloso para falar deste assunto, que é sério, científico. O gestor que se antecipa sobre aspectos de cunho científico agindo com o fígado... eu não me meto nisso. Uma conduta que você não vai esperar de mim. Vou ouvir. Ouvir um grupo, porque você não pode nem ouvir um só, porque eu não vou cometer um erro, vou formar um grupo, com quatro, cinco pessoas, e ouvir, porque eu não posso tomar uma atitude errada. Isso aí é uma irracionalidade, uma temeridade, e tem que ter racionalidade com isto. O que teria feito diferente? Eu teria conferido igualdade de tratamento, especialmente para o pessoal do comércio, porque na minha concepção. Não há igualdade. Você pode tomar qualquer medida e não posso criticar essas medidas, mas eu posso ter preocupação quando a adoção destas medidas começa a discriminar determinados comerciantes, determinadas regiões. Eu ouço até uma brincadeira, as pessoas perguntam: será que o vírus tem hora para atacar, para abrir uma praia num determinado horário? Mas você criar uma barreira numa praia, você admitir a abertura de um restaurante e não admitir a abertura de outro, jamais entenderei… O senhor teria feito isolamento…? No primeiro momento, sim. Mas não consigo entender você abrir uma praia e fechar outra a um quilômetro e meio dali; abrir um restaurante, fechar outro. Não consigo entender... Teria feito lockdown? No primeiro momento, sim. Mas no momento que fosse viabilizado a suspensão para um, teria que ser viabilizada para todos. Mas não posso trabalhar Niterói numa republiqueta, que uma hora fecha, abre para um, pega o outro pela perna… Teria flexibilizado há mais tempo? Teria flexibilizado há mais tempo Não adianta a cidade ficar assim, numa condição semi aberta, porque quando você roda pela cidade você vai ver que as pessoas estão nos bares, estão sem máscaras. Neste instante, eu abriria. Mas respeitando uma visão técnica e se fosse necessário fechar, fecharia. Como o senhor é da área de segurança, como pretende conduzir programas como Niterói Presente? Eu conheço um pouquinho desse assunto. Niterói nao pode ter uma segurança parcial. Niterói Presente teve um papel importante. Mas não pode ter hora para acabar. Nós formulamos um programa, com base na melhor tecnologia, existe em Berlim, em Barcelona, mas em Berlim com maior sucesso, que espalha a segurança pela cidade, não só num bairro ou outro, e isso tudo monitorado, num terminal central. Essa gestão permite, por exemplo, em Berlim, ter uma ação rápida cobrindo toda a cidade, em dois a oito minutos. Então, se você cria em Niterói uma gestão centralizada e o contingente bem distribuído, você não tem Niteroi Presente, você tem Niterói Onipresente. Se você caminhar em alguns lugares do Fonseca você vai olhar só tem segurança em determinado horário. No Barreto nem tem. Então, você tem que corrigir isso. São responsabilidades que temos que assumir A Guarda Municipal deve ser armada? Deve, sim. E vou dizer porquê. Hoje há uma certa liberalidade na venda de armas no país... ...o senhor é contra? … não, sou favorável. A arma deve ser concedida com todas as responsabilidades. Até para o policial. Em alguns estados americanos, só pelo simples fato do cidadão puxar a arma na rua ele é responsabilizado. Mas não pode criar restrição para o guarda, porque o guarda tem responsabilidade de agir, então ele tem que estar preparado para agir… Mas este assunto, tem que ficar claro, decorre de dispositivo constitucional e o prefeito não tem o que fazer sobre isto, tem que respeitar. Alguma outra questão? A gente tem andado pela cidade e tem visto que tem problema que não tem sido tratado, que é a questão dos idosos. Porque muitas famílias têm que sair e não tem com quem deixar os pais. E precisam trabalhar, mas não têm com quem deixar os idosos. Então, a gente sentiu necessidade de botar no programa, que até já foi feito mas não teve continuidade, um centro de atenção ao idoso, para que as famílias possam trabalhar… É o que nós queremos. Nota da Redação. Até o fechamento da edição, o A Seguir Niterói não recebeu o projeto do trem suspenso.

© 2020. A Seguir Niterói. Todos os direitos reservados. Site por Grazy Eckert e João Marcos Latgé.