Dona de salão em Niterói reabre com rodízio de funcionários e hora marcada

Patrícia conta que, com isolamento, percebeu que só precisa de saúde e pagar as contas Patrícia, dona de salão no Cine Center: vida mais simples. Foto: Gustavo Stephan Mais de três meses com o salão de beleza fechado, Patrícia Amitrano, de 40 anos, pensou em encerrar para sempre o seu negócio que há sete anos funciona no Cine Center, na Moreira César, Icaraí. Se tivesse de ficar com as portas fechadas por mais um mês por causa da pandemia de Covid-19, não conseguiria mais sustentar a empresa, apesar de precisar dela para viver. Quando a prefeitura autorizou a reabertura, a partir de 25 de maio, Patrícia ainda esperou mais uma semana. Formada em enfermagem, a dona do salão e cabeleireira teve medo e achou que podia ser cedo para romper o isolamento social. Na galeria do Cine Center estava praticamente tudo fechado. O shopping abriu apenas uma das portas, mas só para lojas que podiam fazer delivery e salões de beleza. Pelo que ela soube, mais de 20 lojas do centro comercial fecharam de vez. Patrícia tomou coragem para reabrir. Tinha conseguido se inscrever no programa da prefeitura e receber parte do salário de duas funcionárias que têm carteira assinada. Mesmo assim a situação ainda é muito difícil. - Estou atendendo com muito cuidado. Atendo no máximo cinco pessoas por dia. Só eu e uma assistente trabalhando. São sete funcionários autônomos, duas com carteira assinada. Mas a gente faz rodízio. Ninguém vai todos os dias da semana – conta Patrícia. Desde a reabertura, o salão só atende com hora marcada. E o movimento ainda está muito fraco, como em diversos outros salões de beleza da cidade. - As pessoas estão com medo. Eu, mesmo reabrindo tudo, vou continuar atendendo dessa forma. Com rodízio, poucos clientes por dia. Mesmo com todos os cuidados, também tenho receio da contaminação. Tenho uma filha de 10 anos e, embora eu seja nova, 40 anos, sei que há gente nessa faixa etária morrendo também... Ela elogia o trabalho do síndico do shopping porque desde o começo tem sempre um funcionário na porta distribuindo álcool em gel e medindo a temperatura de quem vai entrar na galeria. Patrícia conta que está “doida que as coisas melhorem logo, que acabe logo isso”, mas sabe que vai demorar. E que sua vida, de qualquer forma, será diferente: - Acredito que essa situação não vai terminar logo, acho que vai até o fim do ano mais ou menos, e que a gente vai ter de se adaptar a isso. Agora são outros valores. A vida vai ficar um pouco mais simples. As pessoas gastam demais, não precisam gastar tanto, ficar fazendo tanta coisa, esse consumismo todo vai diminuir, acho. Eu percebi que não preciso de tudo. Preciso é pagar as contas, com saúde. Não quero atender muita gente mais.

© 2020. A Seguir Niterói. Todos os direitos reservados. Site por Grazy Eckert e João Marcos Latgé.