Educação é essencial e escolas precisam reabrir, diz infectologista

Para Chebabo, é preciso fechar atividades econômicas para que colégios possam retomar aulas Por Silvia Fonseca Escolas estão fechadas no Brasil desde março por causa da pandemia de Covid-19 O infectologista Alberto Chebabo, da UFRJ, defende a reabertura das escolas porque educação, afirma, é uma atividade essencial. O especialista diz lamentar que bares, restaurantes e outras atividades econômicas tenham sido autorizados a reabrir primeiro na pandemia de Covid-19, sem organização, enquanto as escolas são mantidas fechadas há mais de 200 dias no Brasil. - O Brasil é o único país do mundo onde estamos há mais de 200 dias sem aulas presenciais. E a gente flexibilizou bar, restaurante, já normalizou o horário de funcionamento do comércio, e não flexibiliza as escolas porque acha que isso vai trazer risco de disseminação do coronavírus. Ora, a gente já tem disseminação maior por causa da flexibilização desorganizada, mas estacionou num patamar acima do ideal que a gente deveria ter aqui neste momento - disse o infectologista, em conversa com o médico Felipe Ribeiro, responsável técnico por Soluções Médicas Integradas (SER) do Complexo Hospitalar de Niterói (CHN), em live promovida pelo hospital na noite desta terça (15). Leia o artigo da diretora-geral do GayLussac de Niterói Para Chebabo, a questão da volta às aulas presenciais tem de ser tratada com base em evidências científicas e tendo como parâmetro sempre aquilo que é melhor e pior para a sociedade. - Porém, esse fechamento das escolas tem uma justificativa, que é evitar a circulação de pessoas e a transmissão facilitada do vírus através desse contato. A partir do momento em que a gente começa a flexibilizar, a ideia era primeiro liberar as atividades mais essenciais. Mas atividades econômicas foram sendo flexibilizadas, como comércio, bares e restaurantes. E escolas, que são essenciais, até hoje não. Mas complementou: -Porém, esse fechamento das escolas tem uma justificativa, que é evitar a circulação de pessoas e a transmissão facilitada do vírus através desse contato. A partir do momento em que a gente começa a flexibilizar, a ideia era primeiro liberar as atividades mais essenciais. Mas atividades econômicas foram sendo flexibilizadas, como comércio, bares e restaurantes. E escolas, que são essenciais, até hoje não. Para o especialista, para manter funcionando uma atividade essencial como as relacionadas à educação, era preciso então fechar outras, como têm feitos outros países. - Você não abrir para aula presencial dizendo que ainda tem taxa de transmissão elevada na cidade do Rio, por exemplo, sem que a gente consiga tomar medidas que reduzam essa taxa de transmissão, diminuir atividades que não sejam essenciais, para que possa reabrir escolas com mais segurança... a gente não faz isso, muito pelo contrário. Esta semana, no Rio, o prefeito autorizou festas para crianças em casas infantis. Qual a diferença de ir para escolas ou casas infantis? Chebabo lembrou que Portugal reduziu horário de funcionamento de bares, restaurantes e lanchonetes para permitir que as escolas reabram. Em Nova York, até hoje, os bares não podem abrir áreas internas, fechadas. Só é permitido funcionar em áreas externas, ao ar livre. - Então sou favorável à volta às aulas presenciais, até porque as crianças estão se expondo de qualquer maneira, nas ruas, nos parques, nas praias. E a gente tem de discutir, como sociedade, o que é importante. Então educação é essencial e deveria ter aberto há mais tempo, antes de outras atividades - defendeu Chebabo na live do CHN. O especialista lamentou ainda que sejam justamente os professores que estão brigando para manter as escolas fechadas, como no caso do Rio, onde recorreram à Justiça do Trabalho. Para ele, a classe está apegada a questões corporativas em vez de defender a educação como essencial.

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