Entregador se sente mais valorizado na pandemia em Niterói

Vitor tem 18 anos, estuda e trabalha em Icaraí e mora com a mãe em Tribobó Por Silvia Fonseca Vitor Andrade, entregador. Foto: Gustavo Stephan A carta de agradecimento que Vitor recebeu de uma moradora de Icaraí É sem esconder o orgulho que Vitor Andrade mostra a carta que recebeu de uma moradora de Icaraí. Ele havia entregado uma encomenda na casa dela, que depois fez questão de mandar a carta com o elogio. Vitor tem 18 anos, é estudante do Ensino Médio no Colégio Estadual Joaquim Távora, no Campo de São Bento, em Icaraí. Mora em Tribobó, a cerca de 13 quilômetros da escola. Mas desde o começo da pandemia ele trabalha em Icaraí, como entregador de uma loja de produtos de higiene e cosméticos. Antes, ganhava a vida como carregador de material de construção. Conseguiu o novo trabalho, fixo, justamente pela necessidade que muitos comerciantes passaram a ter de fazer entregas nas casas dos clientes durante o isolamento social. Vitor vai e volta de Tribobó para Icaraí de ônibus, apesar da preocupação e o medo de se contaminar: - De manhã, na vinda para Icaraí, até que é tranquilo, mas na volta, entre 19h e 20h, é sempre muito cheio, as pessoas não estão respeitando, vai gente em pé... Aglomerações que não o incomodam apenas nos ônibus, mas também nas ruas, o que assusta quem precisa enfrentar riscos diariamente para trabalhar e sobreviver. - As ruas estão muito cheias, muito trânsito. Vejo pais saindo com crianças para passear como se nada estivesse acontecendo, como se fosse um período normal. Em Icaraí há bastante gente na rua. Muita gente jogando altinha em Maria Paula também – conta. Ele mora com a mãe, e é ela quem faz compras no mercado para os dois e prepara a quentinha que ele leva todos os dias para almoçar no intervalo das entregas. O dinheiro sai do trabalho dele, que faz até 30 entregas por dia na região da loja, em Icaraí, sempre de bicicleta. - Uso luvas, máscara, e troco a cada entrega. Claro que tenho medo de contaminação, mas a gente precisa trabalhar. Então não tem como, não tem como... Preciso trabalhar. Ele quer estudar TI e também fazer concurso para a Polícia Federal. Mas o que alegra Victor é que ele sente que, agora, as pessoas estão dando mais valor ao seu trabalho de entregador. E é aí que ele conta sobre a carta. “Vitor, mais uma vez muito obrigada por prestar um serviço essencial com um olhar e uma vibe tão boa. Deus te abençoe com saúde e prosperidade”, escreveu a cliente, moradora de Icaraí.

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