Escolas de Niterói ainda sem data para reabrir

Secretária de Educação anuncia aulas de reforço para garantir aprendizado do semestre Por Carolina Ribeiro Secretária Flávia Monteiro: “A educação pode contribuir para um novo cenário” São cerca de 32 mil alunos matriculados na rede municipal de educação de Niterói. Crianças da creche e da pré-escola, dos ensinos Fundamental I e II, além de estudantes da Educação para Jovens e Adultos (EJA). Com as escolas fechadas desde meados de março por causa da pandemia de Covid-19, eles quase não tiveram tempo em sala de aula e ainda não sabem quando poderão voltar. Enquanto isso, a Secretaria municipal de Educação tenta criar programas para manter alunos conectados às escolas e aos estudos. Em entrevista exclusiva ao A Seguir: Niterói, a secretária de Educação de Niterói, Flávia Monteiro, ressalta que a pasta vem se estruturando para tentar atender necessidades e dificuldades dos alunos, tanto na pandemia como no retorno aos colégios. Além do portal online disponibilizado este mês com atividades complementares, a Secretaria começa esta semana a distribuir kits de material de estudo impresso para seus alunos, que muitas vezes não têm computador em casa. A Seguir: Alunos da rede pública e privada estão sem aulas presenciais desde março, quando foi iniciada a quarentena em Niterói. De que forma a secretaria de Educação se organizou para reduzir os prejuízos educacionais dessa crise? Flávia Monteiro: A nossa primeira ação foi de potencializar o Portal Educacional, oferecendo uma série de recursos para que professores, alunos e responsáveis pudessem desenvolver atividades a partir do portal. Temos materiais pedagógicos, vídeos, livros, contação de história, uma série de ferramentas e recursos. Quisemos oferecer recursos e acervos para que as pessoas pudessem continuar trabalhando e estudando. Como o portal oferece essas atividades e como tem sido a experiência do programa virtual de estudos? Não sabíamos quanto tempo ficaríamos sem a educação presencial. Então, aprofundamentos, enriquecemos e disponibilizamos neste portal planos de estudos semanais, onde oferecemos uma série de atividades para que os alunos possam realizar em casa. Trabalhamos com crianças pequenas, a nossa rede atende 50% na educação infantil e o restante no Fundamental I e Fundamental II. É natural que o aluno do Fundamental II, que já tem uma autonomia, é um adolescente, acesse. Já as crianças menores necessitam desse reforço da mediação. A proposta foi de organizar esse roteiro. Já passamos da terceira semana de plano. No portal, temos atividades para Fundamental I, Fundamental II e também para a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Ainda no site temos um caderno pedagógico que contém atividades para serem desenvolvidas em casa e atividades lúdicas para crianças menores. Outra preocupação foi a saúde dos alunos. Temos material dedicado a essa questão, pois não podemos esquecer o contexto que estamos vivendo. Precisamos dar orientações claras para crianças, seus responsáveis e profissionais da educação sobre as medidas necessárias de higiene que todos temos que tomar. Muitos alunos da rede pública no Brasil não têm acesso a computadores ou a internet de qualidade. Foi feito algum levantamento sobre o acesso dos alunos de Niterói à internet? Temos algumas pesquisas e indicativos do IBGE e do censo escolar sobre o acesso a meios tecnológicos dos moradores de Niterói, mas são pesquisas mais amplas. A partir da próxima semana vamos fazer um levantamento com as famílias dos alunos e da nossa rede de profissionais da educação sobre os meios tecnológicos de que eles dispõem. Estamos trabalhando com rede pública. Temos que ter uma série de estratégias que se adequem aos diferentes alunos e públicos que hoje estão na rede municipal. Como a Secretaria vai garantir que os alunos sem acesso à internet recebam o mesmo conteúdo que aqueles que têm computador? Estamos produzindo e vamos entregar (começa esta semana) material escolar físico. Neste início, será entregue o caderno pedagógico de matemática e língua portuguesa. Para o Fundamental I, será acompanhado de material escolar, pois muitas vezes as crianças não têm lápis de cor, cola e tesoura adequada para as atividades solicitadas. Acredito que as caixas vão levar alegria para as crianças, isso também nos acalenta. Niterói tem um percentual grande de pessoas com acesso à internet, mas nem todas as famílias da rede têm. Muitas são mais carentes. A nossa preocupação é disponibilizar um material para que as pessoas possam ter acesso em casa. Para os alunos da pré-escola, vamos mandar livrinhos e jogos de acordo com a faixa etária. Para os dos primeiros anos de escolaridade estamos mandando também jogos que favorecem raciocínio, aprendizagem matemática e língua portuguesa, pois são crianças que estavam entrando no processo de alfabetização. O material escolar impresso, que parece mais simples, pode contemplar um número maior de alunos, mas não deixamos de oferecer estratégias virtuais. Os materiais serão distribuídos nas escolas de forma organizada e sem aglomeração. Cadernos pedagógicos de ciências, história e geografia também estão sendo produzidos. Além do material pedagógico, os alunos da rede pública municipal estão tendo acesso a aulas com professores ou mesmo para tirar dúvidas sobre os exercícios? O portal oferece atividades complementares, mas temos um chat que permite ao aluno tirar dúvidas e fazer contato com os professores. Esse foi o mecanismo que encontramos de manter o diálogo entre eles. Fora a estratégia do material físico, do portal pedagógico, temos muita preocupação com os alunos do 6º ao 9º ano (Fundamental II), principalmente, os do 9º que vão para o Ensino Médio. Estamos caminhando para oferecer salas virtuais, nas quais as escolas vão poder desenvolver trabalhos mais próximos das crianças. As escolas já estão com projetos muito interessantes. A nossa ideia é desenvolver recursos para garantir que esses alunos mantenham o contato com a escola e que continuem estudando. Essa é nossa preocupação durante este ano tão atípico. Estamos todos aprendendo, reorganizando processos pedagógicos, formas de mediação, mas sempre com a questão central de garantir que tenham acesso à educação. A prefeitura ainda não anunciou uma data para o retorno das escolas e universidades. Informa que só permitirá a volta às aulas presenciais quando for seguro. Como a Secretaria se organiza para essa nova realidade? Haverá protocolos de proteção? Já estamos a todo vapor no planejamento para o reinício do ano letivo. Trará novos desafios de higiene. A prefeitura está muito atenta ao momento que poderemos retornar às aulas presenciais. Para a retomada, estamos planejando uma série de estratégias para garantir a higiene e a segurança dos profissionais. Outra preocupação é a estratégia de como repor o ano letivo. Temos uma preocupação de seguir o calendário, da carga horária do aluno, mas o nosso foco é pensar em como fazer com que as crianças construam as competências e habilidades que são colocadas para essa etapa escolar. Precisamos trabalhar de forma que elas possam prosseguir no estudo. Quais estratégias estão sendo pensadas para o retorno às aulas? Um grupo de trabalho da Secretaria está fazendo esse planejamento em suas diferentes dimensões. Vamos estar atentos à realização de diagnósticos constantes, de avaliações que nos permitam monitorar o rendimento dos alunos ao longo deste ano. Mas acreditamos que precisamos, sobretudo, ter um olhar especial para aqueles que tiveram dificuldade maior em acompanhar essas estratégias de ensino durante a pandemia. Esses alunos terão um processo de reforço escolar no retorno das aulas. O retorno tem a questão curricular, que é super importante e valiosa, a questão do planejamento de medidas que vão objetivar a segurança dos nossos alunos e estratégias para acolher e apoiar aqueles que estiverem com maior dificuldade de aprendizagem. O retorno será fundamental, precioso, e será um trabalho muito intenso. É outro desafio. O que espera deste retorno futuro às salas de aula e da nova realidade do mundo pós-pandemia? Queria registrar o desafio da educação pública. Como desenvolver uma educação pública de qualidade, considerando o contexto social de nossos alunos e todas as demandas e dificuldades que conhecemos. Temos certeza que a pandemia vai nos deixar uma lição, de que a escola também tem que aprender e perseverar no trabalho com valores, solidariedade, sustentabilidade. Porque o mundo precisa de outras práticas, que garantam formas de sociabilidade mais fraternas, mais solidárias e que façam com que todos tenham seu espaço, seu lugar para se desenvolver, crescer e exercer sua cidadania. O Brasil é um país que precisa caminhar muito, temos uma desigualdade social que se reflete nessa desigualdade escolar. Tenho muita fé de que a educação bem trabalhada, que tenha compromisso com a ética e a solidariedade, pode contribuir, sem dúvida, para um novo cenário. Nós, professores, devemos e temos obrigação de responder e corresponder ao que o mundo demanda hoje. Acho que esse contexto de pandemia vai impactar as temáticas do currículo, isso tem que estar na escola e tem que ser discutido por todos nós. Temos que entender o que este novo cenário nos traz de reflexão. Clique aqui para ler a reportagem sobre pais que se tornaram "professores" durante as aulas pela Internet.

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