Escolas de Niterói se preparam para a volta das aulas presenciais

Prefeitura pode autorizar o retorno em agosto, caso epidemia seja controlada na cidade Por Carolina Ribeiro UMEI Vale Feliz, em Itaipu, que foi inaugurada em novembro, mas ainda pouco utilizada devido à pandemia. Foto: Divulgação Escolas públicas e privadas de Niterói podem ser autorizadas a retomar as aulas presenciais nas próximas semanas, depois de mais de quatro meses fechadas por causa da pandemia de Covid-19, caso os índices de redução da ocupação hospitalar e da transmissão do vírus na cidade se mantiverem nos patamares atuais ou melhorarem. O problema é como e quando a volta às aulas presenciais será iniciada. E as escolas privadas poderão voltar antes das públicas por questões de recursos para adequação aos protocolos sanitários. O plano de retomada de Niterói prevê que, no estágio amarelo nível 1, escolas e universidades possam voltar a funcionar com metade da capacidade. Mas as regras somente serão confirmadas e anunciadas pelo Prefeito Rodrigo Neves dias antes da mudança. As aulas no município estão suspensas, por decreto, até o dia 31 de julho. Enquanto o Prefeito Rodrigo Neves diz que a cidade deve avançar para o amarelo nível 1 nos próximos dias, o Governo do Estado do Rio decretou bandeira amarela, de risco baixo, para a Região Metropolitana, um sinal de melhora no quadro epidemiológico. O decreto do governador Wilson Witzel que suspende as aulas presenciais no estado está mantido até 5 de agosto. A Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Semect) e a Fundação Municipal de Educação de Niterói (FME) informaram que estão trabalhando, junto à Secretaria de Saúde, na elaboração de um protocolo para o retorno presencial. A decisão sobre a data do retorno às aulas presenciais, porém, ainda não foi tomada. A Prefeitura acompanha a situação da epidemia com o comitê de especialistas e vai decidir sobre cronogramas, planejamento e protocolos, mas ainda sem datas fixadas. De acordo com a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc), a responsabilidade pela retomada das aulas nas escolas da rede privada, tanto no Ensino Fundamental quanto no Ensino Médio, é do estado. E, se depender da pasta, “as aulas nas unidades escolares fluminenses só voltarão ao regime presencial quando a Secretaria de Saúde divulgar a bandeira verde”, o que indica condições mais seguras para o retorno. Pelo menos até 5 de agosto a rede estadual ainda está com aulas suspensas. O último boletim do estado, divulgado nesta terça-feira (21), aponta que as regiões Metropolitanas I e II, Baixada Litorânea e Noroeste, evoluíram para a bandeira amarela, que indica baixo risco, enquanto as demais regiões permanecem no estágio moderado, bandeira laranja. Assim, na pontuação geral, o Estado do Rio se encontra na faixa de cor amarela. Professores da rede pública Procurado, o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) de Niterói, que atua na educação pública, não retornou. Por meio de publicações nas redes sociais, o Sepe defende a permanência das escolas fechadas e não descarta decretar greve dos profissionais caso seja autorizado o retorno. Em nota, a Prefeitura de Niterói ressaltou que, apesar da interrupção das atividades presenciais nas escolas, o trabalho pedagógico não foi paralisado, já que o Portal Pedagógico (http://portal.educacao.niteroi.rj.gov.br/) oferece atividades. A rede municipal também distribuiu cadernos pedagógicos e kits escolares para os alunos com dificuldade de acesso à internet. Neste período, professores e funcionários se mantiveram em atividade por meio remoto. Rede estadual Apesar de ainda não divulgar uma previsão para o retorno às salas de aulas na rede pública estadual, a Secretaria de Educação (Seeduc) já anunciou o protocolo de retomada das aulas. As atividades presenciais nas escolas voltam somente 15 dias após o estado atingir a bandeira verde, indicando condições mínimas de segurança. A prioridade de retorno será para os alunos do último ano de cada ciclo escolar e cada escola terá autonomia pedagógica para elaborar seu planejamento de retorno. Depois que o estado chegar à bandeira verde, a Secretaria terá um período para organizar o retorno, que inclui a testagem e o treinamento dos profissionais, além da higienização e adequação das escolas. O protocolo prevê o retorno inicial dos estudantes que estão concluindo os estudos por ciclo, isto é, 3ª série do Ensino Médio, 5º e 9º anos do Ensino Fundamental, e o último módulo da Educação de Jovens e Adultos (EJA). O uso da máscara será obrigatório, assim como a aferição da temperatura em todas as unidades. A testagem dos profissionais será avaliada junto à Secretaria de Saúde no período antes da reabertura das escolas. Caso algum estudante ou profissional seja testado positivo, um comitê de especialistas avaliará o que deve ser feito em cada caso. Outra regra é o distanciamento de um metro entre os alunos nas salas e em todas as dependências. Por fim, cada colégio vai desenvolver o trabalho de apoio à questão socioemocional dos alunos. Em audiência pública da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) na semana passada, a subsecretária da Seeduc, Claudia Raybolt, ressaltou que “data é o menos importante agora, o mais importante é entendermos como vamos voltar” e que o retorno só deve acontecer quando for totalmente seguro. Além disso, disse que não vai haver reprovação em massa de alunos. - Nenhum aluno será deixado para trás na pandemia de 2020. Vamos trabalhar escola por escola - afirmou na ocasião. A reunião debateu ainda falta de infraestrutura nas unidades, já que muitas não têm sequer ventilação adequada nas salas de aula. Com a pandemia, a previsão é de baixa na arrecadação do estado, o que diminui os repasses de verba as secretarias. Isto é um problema também ao pensar na oferta de Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs) em quantidade a todos os profissionais. Outra preocupação foi a saúde mental dos alunos e professores. Veja também: Educadora diz que é possível recuperar o tempo perdido.

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