Escolas particulares do Estado do Rio querem retomar aulas antes

Sindicato argumenta que elas têm mais agilidade para cumprir protocolos Alunos em sala de aula. Foto Agência Brasil Depois de mais de três meses de aulas presenciais suspensas e com o começo do relaxamento do isolamento social em cidades como Niterói, o Sindicato dos Estabelecimentos de Educação Básica do Estado do Rio de Janeiro entende que as escolas privadas já poderiam começar a reabrir suas portas. O retorno seguiria protocolos recomendados por autoridades sanitárias por causa da Covid-19, mas poderia acontecer antes de as escolas públicas reabrirem. O Sinepe-RJ representa colégios com 50 mil estudantes em 61 municípios do Estado do Rio, inclusive Niterói. Esta semana o presidente da Federação Nacional de Escolas Particulares (Fenep), Ademar Pereira, defendeu que as escolas particulares sejam autorizadas a retomar as aulas presenciais antes das públicas. Na mesma linha, o sindicato das escolas privadas do Estado do Rio também considera que as particulares teriam mais agilidade para se adequarem aos protocolos porque são unidades autônomas, individualizadas. Isso garantiria às unidades um retorno às aulas presenciais de forma mais rápida. - A escola pública precisa atender a toda rede ao mesmo tempo, gerando maior dificuldade organizacional para um possível retorno - disse o Sinepe-Rj ao A Seguir: Niterói. A flexibilizando da quarentena também leva pais a pressionarem mais as escolas privadas pela reabertura, já que muitos deles estão tendo de voltar ao trabalho e não têm com quem deixar os filhos. À medida que a economia retorna, os pais sentem a necessidade de ter onde deixar os filhos, e esse lugar é a escola, no entendimento do Sinepe-RJ. As escolas particulares, no geral, adotaram excepcionalmente as aulas remotas como forma de transmitir conteúdo durante a pandemia de Covid-19. Com isso, estão cumprindo o ano letivo, o que já foi autorizado por decretos estaduais e federais. Já escolas públicas do Ensino Infantil e Fundamental não conseguiram fazer aulas remotas. Falta estrutura, e muitos dos alunos sequer têm computador e internet em casa. Em Niterói, só no fim de maio a prefeitura distribuiu kit de material escolar para seus alunos. Este é mais um agravante para a desigualdade no acesso à educação no país. O que torna o retorno às aulas presenciais nas escolas particulares mais ágil, no entendimento do Sinepe, é a disponibilidade de mais recursos e gestão descentralizada para adoção dos protocolos de segurança recomendados. O sindicato das escolas particulares diz não vê risco de anulação do semestre letivo porque acredita “no bom senso das autoridades públicas”, lembrando que “a escola particular manteve seu calendário e suas aulas de forma remota, e não deve ser penalizada em função de ter cumprido as normas criadas para o ensino virtual”. Quando autorizado, o retorno às aulas presenciais, porém, não deverá ser para todos os segmentos ao mesmo tempo. As escolas acham que a Educação Infantil deveria retornar antes, “pois se trata de crianças menores e seus pais, tendo que ir trabalhar, precisam ter um local de confiança para deixarem seus filhos”. Já os alunos das séries mais adiantadas, argumentam, possuem maior autonomia e capacidade para o acompanhamento do ensino remoto. Como a economia em geral, o setor foi muito afetado. Mesmo antes da lei que determinou desconto de 30% nas mensalidades durante a pandemia, e que foi suspensa pela Justiça, algumas escolas já vinham aplicando descontos. O sindicato diz não ter informação concreta sobre fechamento de escolas no Estado do Rio, mas afirma que os colégios, principalmente de Educação Infantil, sofreram muito durante essa pandemia e certamente as consequências ainda vão perdurar.

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