Escolas privadas querem reabrir antes das públicas em Niterói

Entidade que reúne colégios particulares defende volta do Infantil primeiro A pequena Manuella Maselli já se acostumou com as aulas on-line. Divulga seus trabalhinhos em suas redes sociais. Foto: Arquivo Pessoal O debate em torno da volta às aulas presenciais ainda provoca indecisão e incertezas. As escolas particulares, desde o início da pandemia, se mostraram mais preparadas para se adaptar às dificuldades do período devido a recursos financeiros das próprias instituições e também das famílias dos estudantes. Rapidamente montaram sistemas de aulas on-line, muitas vezes na mesma hora em que era realizada a atividade presencial antes da pandemia, enquanto os alunos da rede pública passaram todo o primeiro semestre sem aulas remotas por falta de recursos, computador ou internet. No município do Rio, por exemplo, o prefeito Marcelo Crivella já anunciou que as escolas privadas que desejarem retornar, de forma voluntária, ao formato presencial estão liberadas a partir do dia 3 de agosto. A volta das escolas públicas municipais, porém, está sem data definida. Em Niterói, as escolas particulares dizem já estar preparadas para o retorno a partir de agosto, aguardando apenas a deliberação da Prefeitura. E também estão dispostas a voltar antes das escolas municipais, devido à maior agilidade que têm para se adequarem aos protocolos, já que são unidades autônomas, individualizadas. O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado do Rio (Sinepe RJ), que reúne as escolas privadas, concorda com a proposta de um retorno gradual de estudantes e professores, principalmente no segmento da Educação Infantil. Na visão da entidade, as famílias já estão retornando ao trabalho e precisam de um lugar para deixarem seus filhos menores. - O SinepeRJ tem buscado interlocução com as autoridades municipais e estaduais. Sabemos que a data depende de indicadores sanitários que hoje estão em constante evolução positiva para o retorno. Nossas escolas, em sua maioria, estão prontas para o retorno já no início de agosto - informa a direção do sindicato das particulares. A entidade elaborou um protocolo com procedimentos de saúde e segurança para colaboradores e alunos. E defende que cada escola tenha autonomia para definir quais turmas devem voltar primeiro e como organizar o retorno. - É muito difícil estabelecer uma regra unilateral que funcione bem para universos tão distintos de escolas. Existem escolas com 50 alunos e outras com alguns milhares. A regra de ouro fala no distanciamento social, obedecendo ao que se preconiza (afastamento 1,5m), e a não aglomeração - diz nota divulgada pela entidade. O atendimento psicológico a alunos e professores também está previsto no planejamento do sindicato. Conforme informou a direção do Sinepe, o aspecto emocional deve ter uma atenção especial devido à forma abrupta com que as aulas foram interrompidas. - Nossos alunos precisarão primeiro de acolhimento, assim como os responsáveis. A necessidade de reforço escolar deve fazer parte da avaliação formativa individual de cada aluno. O maior desafio é a ação colaborativa que será necessária de toda a comunidade escolar: pais, alunos, funcionários, transporte escolar, cantina, etc. - diz o texto. Desde o início da pandemia, Manuella Maselli, de 9 anos, está assistindo às aulas remotas de sua escola particular da Região Oceânica, do curso de inglês e também da catequese. E deve continuar desta forma. Sua mãe, Mariana, que é do grupo de risco, já decidiu que a pequena não volta à escola antes de uma vacina. Ela espera que os colégios continuem oferecendo as aulas on-line. - Eu não sinto segurança de mandar ela para a escola, não deixo nem ela sair de casa. Lá ela vai tirar e colocar a máscara para lanchar, beber água. Mesmo com o álcool em gel, acho um risco muito grande, até porque são muitos alunos para a professora tomar conta neste momento de vírus. Mesmo se voltarem, vou conversar com a escola e espero que mantenham os vídeos - disse Mariana Maselli, completando que outros pais também já sinalizaram o medo do retorno.

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