Falta de previsão sobre vacinas deixa idosos de Niterói apreensivos

Com poucas doses, Prefeitura ainda não tem calendário para ampliar grupos de idosos, que tentam até 'xepa' da vacina Fila na vacinação de idosos acima de 90 anos, no Vital Brazil, no primeiro dia de imunização para este grupo. Foto do leitor Embora tenha 86 anos e não esteja no grupo de idosos para o qual a vacina contra a Covid já está disponível em Niterói, Ângela Barbosa foi ontem à clínica Sérgio Arouca, no Vital Brazil, tentar ser vacinada. Ela soubera por amigos e familiares que idosos fora do grupo acima de 90 anos e de profissionais de saúde teriam conseguido ser imunizados pegando a chamada "xepa" da vacina: as caixas com dez imunizantes são abertas e os postos estariam vacinando quem chega ao fim do dia para não desperdiçar doses quando não há mais pessoas com mais de 90 anos de idade naquele dia. Leia mais: Niterói interrompe vacinação de idosos acima de 90 anos sem avisar -Minha filha e meu neto me levaram de carro porque estou muito apreensiva, e eles também. Como não há qualquer previsão por parte da Prefeitura de Niterói sobre quando poderei ser vacinada, isso aumenta ainda mais minha aflição. Já não estava fácil lidar com a pandemia, o isolamento em casa, por quase um ano. Agora também há essa luta pela vacina, um sofrimento - disse ela. Ângela contou que foi tentar a "xepa" da vacina porque o avô de uma de suas netas foi ao posto de Itaipu no fim da tarde de segunda-feira e conseguiu ser vacinado nessa situação, embora tenha também 86 anos. Apesar de o Prefeito Axel Grael ter anunciado semana passada a intenção de comprar vacinas diretamente do Butantan, isso não é possível hoje e não há qualquer garantia de que possa ser autorizado. A Prefeitura de Niterói, como as demais do país, depende da distribuição de vacinas adquiridas pelo Ministério da Saúde e distribuídas pelo Plano Nacional de Imunização (PNI). O fato é: hoje Niterói tem cerca de 3 mil doses para aplicar nos próximos dias, que é o que ainda resta dos primeiros lotes que recebeu. Veja também: Morre o médico Luiz Fernando Pires de Mello, vítima de Covid-19 Essa indefinição tem gerado ansiedade, medo, fobias, depressão em idosos, o grupo de risco que vai faz vítimas de Covid. Tudo isso vem junto com a boa notícia do início da vacinação. Mas a expectativa e a incerteza também agrava a ansiedade. - Meu marido foi vacinado porque é idoso e ligado à área de saúde. Mas eu não tenho ideia de quando serei vacinada. Isso é muito ruim. No Rio de Janeiro, capital, pelo menos tem um cronograma, uma programação de imunização para cada idade, o que dá uma certa esperança. Mas aqui em Niterói nem isso tem. Realmente não sei se poderei ser vacinada semana que vem ou mês que vem. Já não aguento mais esta situação - diz Francisca Machado, de 82 anos, moradora de Icaraí.

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