Fiocruz defende que cada escola tenha seu plano de retomada pós-Covid

Em Niterói a Prefeitura ainda não autorizou a volta das aulas presenciais Salas vazias: Niterói prorrogou suspensão das aulas presenciais até fim de agosto Uma das maiores preocupações atuais em relação ao Covid-19 é a volta às aulas em meio a uma pandemia não controlada, o que impacta alunos, professores e funcionários. Visando a auxiliar a criação de ações de reestruturação do espaço escolar no contexto do pós-pandemia, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgaram uma nota técnica com sugestões de mudanças e adequações. Para eles, é um momento, não só de garantir a segurança dos envolvidos, mas de repensar a escola e a singularidade do ensino. O documento deixa claro que cada unidade escolar deve criar o seu próprio plano de ações para o enfrentamento e convívio com a Covid-19. As ações devem ser de medidas sanitárias e educacionais e que respeitem a singularidade local. Os pesquisadores defendem que não há uma solução comum que se adeque a todas as escolas. Mas a decisão vai além do retorno presencial. Tania Araújo-Jorge, pesquisadora do Laboratório de Inovações em Terapias, Ensino e Bioprodutos da Fiocruz e coordenadora da Pós-graduação em Ensino em Biociências e Saúde, diz que as escolas devem aproveitar este momento anterior ao processo de reabertura para se adequarem aos protocolos sanitários, mas também criar um plano que reconecte a comunidade escolar. - Tem que ser um plano que aproveite esse momento para repensar a própria escola, o ensino necessário, avançar na formação continuada dos educadores e da comunidade escolar, na inclusão digital da comunidade e no nascimento da escola do século XXI - frisa. De forma geral, a nota sugere estratégias que visam à reconexão entre estudantes e funcionários, acolhimento em saúde emocional e mental, reconstrução do vínculo afetivo do aluno com o espaço da escola, para o sentimento de pertencimento e de segurança, evitando a evasão escolar. O plano também deve envolver a nova organização do cotidiano escolar. Mas o estudo também levanta a questão da necessidade de novos métodos didático-pedagógicos, com a implementação do ensino híbrido, uma personalização do conteúdo, que atenda as diversidades das escolas do país. A medida visa a quebrar paradigmas de “conteudismo”. Com isso, há um resgate “das pedagogias crítico-reflexivas de ensino, integrando as atividades remotas de aprendizagem”. -Pesquisadores do campo da filosofia e da sociologia têm comentado que o século XXI está iniciando de fato na crise e nos pós-crise da pandemia de Covid-19. Desta forma, surge a proposta de reflexão e construção da 'Escola Inovagora', que se inova e se renova agora, a partir da necessidade desse movimento, com a incorporação de um ensino híbrido e tendo os alunos como os reais protagonistas de seu aprendizado e os professores como mediadores desse processo e dessas descobertas - completa a pesquisadora Tania Araújo-Jorge. Levando em conta as diferenças de estrutura e particularidades das escolas, os pesquisadores defendem que cada unidade possa planejar e adaptar o retorno seguro às aulas presenciais. E que as escolas também façam uma autoavaliação sobre retornar ou não, com base na análise de dados epidemiológicos. Em entrevista ao A Seguir: Niterói, o epidemiologista Rômulo Paes de Sousa, membro do Comitê Científico Consultivo da Prefeitura como representante da Fiocruz, já havia dito que o debate “implica um grande entendimento entre o setor público e privado, entre os trabalhadores da área da educação e a comunidade que envolve os pais de alunos e os próprios alunos”. Mas também transformar esse retorno em um processo educacional. - Há também em Niterói um plano para transformar esse retorno em um processo educacional, onde as crianças compreendam o que é a pandemia, quais são os riscos que estão enfrentando, e elas também se transformem em agentes dessa formação correta para as outras crianças e seus familiares. É uma estratégia, portanto, de transformar isso numa iniciativa pedagógica e não simplesmente em ampliar a disciplina na escola - disse. Riscos A Fiocruz, que está acompanhando a evolução do vírus no Brasil e no Mundo, não recomenda o retorno às aulas no Rio de Janeiro. O estado não está com a pandemia controlada. Um estudo do MonitoraCovid aponta que a volta às aulas pode representar um perigo a mais para cerca de 9,3 milhões de brasileiros idosos ou adultos com problemas crônicos de saúde, grupos de risco. Isso porque eles vivem na mesma casa que crianças e adolescentes em idade escolar (entre 3 e 17 anos). São Paulo é o estado com maior número absoluto de pessoas nessa situação, cerca de 2,1 milhões, seguido por Minas Gerais (1 milhão) e o Rio de Janeiro (600 mil). O retorno às aulas presenciais colocaria os estudantes em situações de contágio, já que também envolvem o transporte público, além da falta de controle sobre as atitudes de adolescentes e crianças. Mesmo que as escolas sigam à risca protocolos de segurança, o estudo considera que não há como garantir que não haja contágio. E, se forem infectados, esses jovens podem levar o vírus para dentro de casa. O estudo não leva em conta professores e funcionários que também estariam em risco ao aumentar a circulação nos transportes públicos e o contato nas escolas.

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