Gustavo Stephan faz exposição fotográfica no Reserva Cultural de Niterói

“As Cores de Sant’anna” destaca a importância da preservação do patrimônio histórico As fotos da exposição “As Cores de Sant’anna”, de Gustavo Stephan, cabem dentro de uma caixa, mas carregam séculos de história. A mostra conta não apenas o passado da Fazenda Fortaleza de Sant’anna, na Zona da Mata de Minas Gerais, como também a diferença de visões entre os antigos colonos e os trabalhadores do MST hoje assentados na propriedade. A fotografia de Stephan, além de revelar, ajuda na preservação da história e na convivência entre realidades diferentes. A exposição começa nesta quinta-feira (6) e vai até 30 de agosto, sempre de terça-feira a domingo, das 12h às 22h, com entrada franca, no Reserva Cultural de Niterói. Por causa da pandemia, apenas cinco pessoas poderão visitar a mostra por vez, com máscara. “As Cores de Sant’anna” reúne 52 fotografias que Stephan fez ao longo de dois anos em visitas periódicas à fazenda para o trabalho de conclusão da pós-graduação em Fotografia e Arte. No período, ele levou cerca de 30 fotógrafos para uma imersão na região, entre eles os também premiados Custódio Coimbra e Evandro Teixeira. As fotos da exposição, porém, são todas de Stephan. - Eu escuto histórias da Sant’anna desde o começo dos anos 90, quando meu pai comprou um sítio ao lado dela, em Rio Novo. Então comecei a frequentar mais, mas meu pai já falava da história da fazenda antes. Meu avô trabalhou na Sant’anna - conta Stephan, revelando como participou do processo de integração das 47 famílias de colonos com as 90 famílias de agricultores do MST. - Faço uma provocação, eu provoco os colonos e o MST. Os colonos amam o lugar, têm um amor enorme pelo lugar, só que assistem à destruição da fazenda passivamente. E as famílias do MST chegaram amando a terra que conquistaram, mas não conheciam a história e o valor daquilo lá, sem se importarem com a destruição do local. Ajudei a fazer o MST compreender a importância do lugar, a gente almoçava lá, gerava renda para o pessoal… - conta Stephan, que fez nove oficinas com fotógrafos na fazenda. O objetivo da mostra é chamar a atenção para a importância da preservação do patrimônio. As intempéries e a comercialização clandestina dos tijolos estão destruindo os monumentos, e em pouco tempo não haverá nem escombros. A fazenda era um complexo, como se fosse uma cidade. O terreno tem dois níveis: a serra, com a maior reserva de Mata Atlântica da Zona da Mata, e a parte de baixo, com prédios com arquitetura alemã. - O ensaio é para que este patrimônio maravilhoso da fazenda, que tinha hospital, cavalariça, capelas, vários armazéns, capelas, numa região ocupada no início do século 19, não se perca. Ali foram encontradas 11 múmias na Caverna da Babilônia, o maior acervo de múmias indígenas do país. Há também um complexo de cavernas dentro da propriedade - conta Gustavo. A exposição chegou ao Reserva dentro da caixa, como se fosse um tesouro da fazenda de 4.300 hectares, com terras em quatro municípios: Chácara, Goianá, Coronel Pacheco e São João Nepomuceno. As cores de Sant’anna são destacadas porque dezenas de construções rosadas faziam oposição ao verde abundante das florestas da encosta da Serra da Babilônia. As terras pertenceram a duas famílias influentes da região. Primeiro, de 1821 a 1900, à família de Mariano Procópio. Em janeiro de 1900 foi vendida à família Cândido Tostes. A fazenda de Sant’anna chegou a ser uma das mais modernas e produtivas do país durante o ciclo do café. Toda a sua identidade visual era a cor da vestimenta de Nossa Senhora de Sant’anna. Formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Stephan trabalhou mais de 20 anos no Globo e publicou três livros: “Patrimônios Culturais Brasileiros”, sobre 18 monumentos históricos do país; “Dias na Antártica”, quando acompanhou a expedição do navegador Amyr Klink durante 68 dias no continente gelado; e “Por Onde Andamos”, onde documentou a vida dos caminhoneiros brasileiros, entre o Brasil e a Argentina. A exposição tem o apoio da Aliança Francesa. O Reserva Cultural fica na Avenida Visconde do Rio Branco, 880, São Domingos, Niterói. Gustavo Stephan na sua exposição no Reserva Cultural de Niterói

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