Há beleza no novo normal

A empresária Marize Tolezano se prepara para reabrir o salão, depois de vencer a Covid-19 Por Suzy Silva Depois de ter tido uma das formas mais agressivas da Covid-19, a empresária do segmento de beleza Marize Tolezano já se prepara para enfrentar a estética nos novos tempos. Repensar processos e rotinas, realizar as adequações exigidas na área da biossegurança e ainda prever possíveis mudanças no comportamento do consumidor passaram a ser outros desafios de sua vida. Reabrir um negócio no cenário “novo normal” exigirá muito fôlego e investimento por parte dos empresários, que ainda contarão com o receio do público nesse retorno gradativo às atividades. Por ter sentido na pele os efeitos da Covid, Marize fala da preocupação que teve em tomar todas as providências com base nos protocolos estabelecidos pela Anvisa e as recomendações da OMS para um ambiente mais seguro para sua equipe e clientes. A empresária Marize Tolezano se prepara para reabrir o salão, depois de vencera Covid-19 À frente do Prya Centro de Beleza, na Moreira César, em Icaraí, Marize Tolezano, administradora e design de interiores, de 64 anos, testou positivo para a Covid-19 no início da pandemia no Brasil. Num momento em que ainda não se tinha muita noção da proporção devastadora que a doença poderia atingir e as informações sobre os possíveis sintomas ainda eram incipientes, ela foi surpreendida com o diagnóstico. - Iniciei o tratamento como se fosse uma gripe, mas os sintomas foram se agravando até que precisei ser internada e permaneci por uma semana na UTI do Hospital Niterói D’or – diz Marize, enfatizando que, apesar de ter passado por momentos muito difíceis, nunca pensou em desistir. Ela encara a pandemia como um grande desafio no âmbito pessoal e profissional. - Ter vivido essa experiência me trouxe um grande aprendizado, voltei com mais força, até pela gratidão por estar viva, pensando no quanto podemos nos diferenciar e sairmos melhores de tudo isso. No segmento de beleza, por exemplo, nossos custos serão bem mais altos e, devido à obrigatoriedade do distanciamento, estaremos com uma capacidade produtiva reduzida – ressalta. Ela diz acreditar que o principal fator nessa retomada é a seriedade e a responsabilidade com que vão adotar os protocolos. - A saúde de nossos profissionais e clientes não pode ser deixada em segundo plano em nome de nenhuma outra necessidade, seja econômica, seja para fazer frente à concorrência. A proteção à vida é o que deve pautar nossas ações. O cumprimento das novas exigências é um esforço coletivo. Por isso, a primeira coisa que precisamos fazer é conscientizar e treinar nossas equipes e cumprir tudo que foi estabelecido para segurança todos - diz Marize. Ela aposta que as novas exigências de segurança, higiene e proteção passarão a fazer parte do critério utilizado pelos clientes na hora de escolher que estabelecimento frequentar. - Os cuidados com a higiene não dependerão apenas do bom senso de cada empresa, teremos que seguir um roteiro de manutenção permanente – ressalta. O centro de beleza contratou uma empresa para a higienização total no ambiente e já vem tomando uma série de medidas protocolares. Os profissionais trabalharão em escalas reduzidas para que possam alternar as estações de atendimento e assim manter o distanciamento de 2 metros entre as cadeiras. O intervalo entre um atendimento e outro será maior, para que a higienização possa ser realizada antes da chegada do próximo cliente. O uso de máscara será obrigatório para todos. Foram adquiridos termômetros para aferir a temperatura na entrada. Dispensers de álcool em gel foram distribuídos por todo o espaço... são muitos os itens que entrarão nessa nova rotina. - Imagino que muitos hábitos vão mudar, e vejo isso com positivismo. O que causava estranheza no início da pandemia, como usar máscaras e rejeitar um aperto de mão, hoje já foi assimilado e deixou de ser julgado como exagero. As pessoas precisam se conscientizar e ficar atentas a todas essas novas necessidades - alerta. Marize também acha que poderá haver uma mudança de comportamento em relação às questões relacionadas à estética, principalmente para as pessoas que já vinham num processo de transição para uma aparência mais natural, assumindo os cachos e os cabelos brancos, mas aposta que mesmo essas pessoas continuarão a frequentar os salões à procura de outros serviços. Durante o período em que o salão ficou fechado, a empresária, que conta com mais de 70 colaboradores, manteve uma rotina de reuniões diárias, dividindo os encontros por grupos de profissionais que, segundo ela, muito contribuíram nas tomada de decisões e preparação para a reabertura no cenário atual. - A construção de um novo olhar para tudo que será necessário mudar no seu negócio não se faz sozinha, é um trabalho de muitas mãos. Nunca houve tanta necessidade de atuarmos tanto como um time quanto agora – afirma. Os profissionais do Prya se mantiveram conectados com os seus clientes através das redes sociais e do aplicativo do salão. Eles passaram a gravar vídeos com dicas, respondendo a dúvidas e necessidades que eram enviadas pelos próprios clientes, como: retocar a raiz do cabelo, acertar a sobrancelha, dar um jeitinho na cutícula… - Muitos aceitaram o desafio, vencendo a barreira da timidez, e gravaram vídeos com orientações úteis para amenizar a ausência dos serviços nesse período de isolamento social, os clientes se sentiram abraçados – complementa. Observando o comportamento do público nessa fase e considerando as trocas com os seus clientes, a empresária acredita que a questão estética vai continuar sendo muito importante. - Todos tiveram a oportunidade de tentar fazer alguns serviços em casa. Por mais didáticos que tenhamos sido nos tutoriais, a experiência vivida em um salão de beleza é incomparável. Esse carinho e o prazer de ser bem cuidado fazem toda a diferença. Por esse motivo eu penso que será ainda mais valorizado. Nesse momento, alguns clientes ainda não se sentem seguros em voltar a frequentar o salão, já muitos estão contando as horas para a reabertura. Desenvolvemos um aplicativo que permite o agendamento on-line. Desde abril temos muitas pessoas agendadas. Os profissionais do salão estão ansiosos com a volta, não só pela questão financeira, mas também porque amam o que fazem. Estão sendo orientados para atender dentro dos novos padrões e estão muito empolgados. A energia da equipe é contagiante. Outra frente que pretendem desenvolver é a do atendimento delivery, para alguns serviços, como uma forma de atender a um número maior de pessoas. No entanto, ainda estão avaliando os custos e processos e, a médio e longo prazo, talvez seja necessário rever o modelo de negócio. Esse, inclusive, é o tema do TCC no MBA que a empresária está terminando na PUC. Nesse contexto, ela alerta para alguns cuidados que os gestores precisarão ter de agora em diante: estar atentos ao controle de caixa; terem conhecimento profundo dos seus números; considerar uma possível redução de receita nessa primeira fase e estarem dispostos a se reinventar. Apesar de ter consciência do tamanho do desafio que encontrará pela frente, Marize se diz otimista. Ela acredita que, no “novo normal”, para manter uma empresa ativa e torná-la relevante é preciso ter o seu propósito bem definido. Aquelas que são motivadas apenas pelo dinheiro podem não sobreviver. - O meu propósito sempre foi cuidar das pessoas. Isso sempre foi prioridade em todas as minhas relações. Com essa missão que criei o Prya, há 12 anos, baseado no cuidado com as pessoas. Não só dos clientes, mas, sobretudo, dos profissionais que ajudaram a construir a imagem da empresa - conclui. Nesta sexta, 22 de maio, Marize fez uma live, no Instagram do Prya, com Mariana Cypreste, médica infectologista, sobre os novos protocolos de segurança e retorno dos serviços de beleza.

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