Icaraí continua a liderar casos de Covid-19 em Niterói

Bairro já ultrapassa a marca de mais de 1.500 pessoas contaminadas Movimento intenso em Icaraí é uma das razões para altos índices de Covid Bairro mais populoso da cidade, Icaraí ultrapassou a marca de 1.500 casos e chegou nesta quarta-feira (12) 1.510 pessoas contaminadas pela Covid-19. Foi o primeiro bairro a detectar a doença e, desde o início da pandemia, sempre foi o de maior incidência do coronavírus. Embora o Prefeito Rodrigo Neves tenha dito nesta segunda (10) que a pandemia de Covid-19 está “totalmente sob controle” em Niterói, os números de contaminados e mortos ainda são altos: foram 400 casos e 17 mortos na cidade na última semana epidemiológica. De terça para esta quarta, só Icaraí passou de 1.496 casos confirmados para 1.510. Neste triste ranking, Icaraí, o bairro mais populoso da cidade e com o maior percentual de idosos, está na frente desde o primeiro caso, em março. Até domingo (9), Icaraí tinha registrado 1.489 casos, que subiram para 1.496 na terça e chegaram a 1.510 na quarta. É o triplo, por exemplo, do que toda a Região Oceânica, cujos quatro principais bairros somavam 552 casos na segunda e 566 na terça, sendo que Piratininga é disparado o que já teve mais doentes (435 até terça) e Itacoatiara o que registrou menos casos (22 até terça).Os números de doentes em Itacoatiara se mantêm estáveis há dias, mas na quarta Piratininga chegou a 441, Camboinhas a 71 e Itaipu a 353. Desde o pico da pandemia em Niterói, em maio, a Prefeitura não divulga mais o número de mortes por bairros. Nesta quarta-feira, o número de óbitos por Covid chegou a 324 na cidade. Também Fonseca, Barreto e Santa Rosa, isoladamente, têm mais doentes de Covid-19 confirmados do que os quatro bairros da Região Oceânica juntos. Uma das explicações de especialistas é que tanto Fonseca como Barreto são bairros de passagem, que recebem grande fluxo de pessoas que transitam entre Niterói, São Gonçalo e outros municípios da região. O Centro de Niterói, importante ponto de trânsito de passageiros por causa da estação das barcas e do terminal rodoviário, é o quarto em número de casos na cidade, com 496 até quarta-feira... No começo da epidemia, em março, a trágica liderança de Icaraí era explicada não só pela população maior e com alto percentual de idosos como também pelo mais alto poder aquisitivo dos moradores. Isso teria levado muitos que vivem no bairro a passar as férias de janeiro e fevereiro no exterior, especialmente Europa e Estados Unidos, “importando” para Niterói os primeiros casos. O primeiro morador da cidade a morrer, em março, foi contaminado pelo enteado que chegara doente de Nova York. Mas, cinco meses depois, com a cidade tendo ficado em quarentena por quatro meses e passado até por um lockdown, Icaraí jamais deixou de registrar novos casos e de continuar à frente da tragédia. Quem anda pelas ruas do bairro e pelo calçadão da Praia de Icaraí pode encontrar uma explicação: o grande número de pessoas nas ruas, nos mercados, farmácias e comércio em geral, com aglomerações em frente a praticamente todas as agências bancárias, especialmente as da Caixa Econômica e do Banco do Brasil. - Não teve um só dia, desde o começo do coronavírus, que eu não tenha visto e me espantado com as filas na porta da Caixa Econômica na Gavião Peixoto e do Banco do Brasil na Moreira César. É realmente impressionante. E as pessoas, coitadas, ficam perto uma das outras, não tem jeito. Mesmo usando máscaras, considero muito arriscado. É triste perceber que essa situação não é resolvida, até porque a maioria das pessoas que vejo nessas filas é idosa - constata Andréa Fernandes, de 46 anos, que trabalha num laboratório e passa diariamente pelo trecho dos quarteirões onde ficam as duas agências bancárias. Durante a semana, com sol, o calçadão de Icaraí tem ficado cheio como se fosse fim de semana. Com tanta gente trabalhando em home office, caminhar na praia tem sido mais fácil. O problema é que a quantidade de pessoas que é vista diariamente no calçadão torna impossível o respeito ao distanciamento mínimo recomendado pelas autoridades de saúde. E o vírus ainda está entre nós. A expansão da Covid diminuiu, mas o vírus ainda circula.

© 2020. A Seguir Niterói. Todos os direitos reservados. Site por Grazy Eckert e João Marcos Latgé.