Isolamento cai em Niterói e especialistas alertam para riscos da Covid

Aumento de casos ainda não é considerável, segundo a Prefeitura Por Carolina Ribeiro Intenso movimento na Rua Moreira César, no trecho entre Otávio Carneiro e Belisário Augusto, na tarde desta terça-feira (4) O aumento dos casos de Covid-19 no Estado do Rio e na capital acendeu o alerta para Niterói. Não só pela proximidade, mas também porque o índice de isolamento social em Niterói só vem caindo e está em cerca de 40%, o que pode voltar a provocar novos contágios. A Prefeitura adiou para o fim de agosto uma mudança no sistema de métricas da epidemia, que aconteceria no fim de julho, mas diz que ainda não registrou um aumento considerável de casos. Especialistas alertam que um reflexo da redução do isolamento social e a consequente circulação maior do vírus podem demorar até duas semanas para acontecer. Em Niterói, o isolamento chegou a atingir 69% no fim de março, mas depois começou a cair e vem se mantendo na média entre 45% e 40% desde o início de junho. Na última segunda-feira (3), a taxa de isolamento medida pela empresa In Loco e divulgada pela Prefeitura era de 41,8% e, na sexta (31), 41,2%. No dia 17, já havia baixado a 38,8%. Eduardo Lima, professor do Instituto de Química da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), desenvolve estudo que mostra a eficiência do isolamento social contra o coronavírus. Ele diz que o recomendado pelos especialistas para conter o vírus é acima de 70%, mas que se a cidade estava conseguindo reduzir a doença com o índice de 40% de isolamento, provavelmente seria devido a outras medidas de segurança, como o distanciamento social e a maior higienização. - O problema é que temos visto que as pessoas estão tomando menos cuidado no Rio, de acordo com a maior flexibilização. Há pessoas descuidadas nas praias, aglomerações acontecendo com mais frequência, e isso já pode estar tendo resultado no número de casos - alerta. O professor também enfatiza que agora não é hora de avançar com a flexibilização, como está ocorrendo na cidade do Rio, em sua opinião, de forma precipitada. A recomendação é por manter o estágio atual ou até restringir mais, se preciso for. - Falta uma coordenação geral dos governantes. Prefeitos, Governadores e Presidente precisam passar uma única mensagem à população. Quando são diferentes, a população fica confusa, acho que é isso o que está acontecendo. As pessoas ficam sem saber o que fazer, o que está valendo - disse. Lima analisou o coronavírus em Niterói, mas com base nos dados divulgados pelo Ministério da Saúde, que diferem dos números divulgados pela Prefeitura. Pelos dados do Governo federal, Niterói tem 9.079 casos confirmados, o que configuraria um número crescente de casos na cidade nos últimos dias. Esse crescimento também poderia ser explicado por aumento de testagem. Mas a Prefeitura diz que os dados corretos são os divulgados pelo município, que já estão checados e sem duplicidade. Até segunda-feira, eram 8.801 confirmados. Em nota, a Prefeitura também ressaltou que o município continua registrando novos casos da Covid-19, porém com queda da curva de tendência da doença. Métricas usadas pela prefeitura para basear decisões de flexibilização do isolamento social Foto: Reprodução Para medir o avanço do vírus em Niterói, a Prefeitura criou um sistema de métricas com cerca de 12 indicadores, entre eles, os números de novos casos, óbitos, taxa de transmissão e retaguarda hospitalar. Na sexta-feira (24), o índice era de 6,13, passando para 6,63 na análise do dia 31. O que puxou o aumento foi o número de casos confirmados nos últimos 7 dias, que subiu de 270 para 347, de acordo com o documento. A Prefeitura esperava avançar com a flexibilização para o Amarelo Nível 1 no fim de julho, mas resolveu esperar. As medidas de restrição foram estendidas até o dia 31 de agosto, permanecendo fechados parques, praias, teatros, cinemas, escolas e universidades. Em entrevista ao A Seguir: Niterói, o epidemiologista Rômulo Paes de Sousa, que é membro do Comitê Técnico Científico da cidade, alertou que a relação de Niterói com o Rio sempre foi tensa, porque a conduta em relação ao combate ao vírus é distinta entre os dois municípios. Enquanto Niterói conduz com medidas de segurança, o Rio faz uma “gestão atrapalhada”. Porém, o especialista faz uma ressalva. Niterói também adotou medidas de flexibilização nos últimos meses, o que prevê, naturalmente, um certo aumento de casos. A cidade, até o momento, não registrou um aumento substancial de casos que obrigue o município a retroceder ao isolamento mais restrito, e é preciso aguardar. - Essa cautela que foi estabelecida, adiando o avanço para uma nova etapa, é adequada porque reage a esse tipo de situação. A expectativa era de continuar baixando, mas como aumentou, ainda que pouco, é importante manter o estágio em que estamos e observar. Mas de onde teria vindo isso, seria de fora para dentro ou fruto da própria dinâmica interna do município? Não dá, a priori, para afirmar. É mais provável que as duas coisas estejam contribuindo - explica. O Prefeito Rodrigo Neves disse, durante pronunciamento nesta segunda (3), que está acompanhando a evolução da pandemia com o Comitê em Niterói e em outras cidades da Região Metropolitana. - Diferente de outras cidades que estão já estão observando aumento de casos e por leitos, estamos apenas com 26% dos leitos (ocupados), estamos conseguindo manter o controle da pandemia - disse, pedindo que a população mantenha os cuidados para evitar novas contaminações.

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