Maioria acha que volta às aulas presenciais agravaria pandemia, diz Datafolha

Debate sobre retomar ou não as atividades nas escolas divide opiniões em Niterói Sala de aula vazia: esta é a realidade desde março por causa da pandemia de Covid. Foto: Agência Brasil A polêmica sobre a volta ou não às aulas presenciais neste semestre, em meio à pandemia de Covid-19, mobiliza governantes, escolas, professores, alunos e pais. E a grande maioria é contrária à retomada, segundo pesquisa do Datafolha divulgada nesta terça (18) pelo jornal Folha de S.Paulo. A Prefeitura de Niterói deverá decidir nos próximos dias se vai autorizar ou não o retorno das aulas presenciais, já que decreto do Prefeito Rodrigo Neves suspende as atividades nas escolas até 31 de agosto. O acompanhamento da evolução da pandemia no município é que deve balizar a decisão da Prefeitura. Segundo a pesquisa, 79% dos brasileiros disseram acreditar que a reabertura das escolas no país agravaria a pandemia de coronavírus. Para eles, portanto, as escolas deveriam continuar fechadas nos próximos dois meses. O temor de que a maior circulação de pessoas com a volta das aulas presenciais agrave ainda mais a pandemia aflige os brasileiros. Dos entrevistados pelo Datafolha, 59% disseram acreditar que a retomada “piorará muito a situação”, e outros 20%, “um pouco”. Para outros 18% não haverá efeito na disseminação do vírus, e 3% disseram não saber. Desde junho, quando 76% dos brasileiros ouvidos pelo Datafolha disseram ser contrários `a reabertura das escolas, a proporção dos que defendem a continuidade do fechamento das escolas oscilou positivamente dentro do limite da margem de erro, que é de dois pontos percentuais em ambas as direções. O Datafolha ouviu 2.065 pessoas no país nos dias 11 e 12 de agosto por telefone. Procurado pelo A Seguir: Niterói, o Sindicato das escolas particulares do Estado do Rio (Sinepe), que defende a volta às aulas presenciais na rede privada com os protocolos sanitários recomendados por autoridades de saúde, não se manifestou sobre a pesquisa do Datafolha. O Sindicato tem audiência prevista com o Prefeito Rodrigo Neves nesta quinta-feira (20). Já o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe) Niterói, que representa os profissionais da educação pública do município, é contra o retorno à sala de aula devido ao risco de maior contaminação de alunos e funcionários. Tatiana Castro, professora do município e uma das diretoras do sindicato, diz que é difícil opinar sobre quando será seguro retornar, mas que também acredita ser uma utopia aguardar a vacina, uma vez que não há data para a distribuição das doses à população. - Se reabrir as escolas, é um número enorme de pessoas que voltam a circular, e é claro que isso vai provocar aumento de casos. Toda a discussão só foca nas crianças, mas nunca no professor e nos funcionários. E as pessoas que moram com gente do grupo de risco? - questiona, lembrando também sobre o aumento do movimento nos transportes públicos. Ainda não há uma definição sobre quando e como as escolas vão retornar em Niterói, mas a Prefeitura estuda fazer um revezamentos de alunos. Mesmo assim, a estrutura das escolas preocupa o sindicato. - Conhecendo as escolas públicas e suas estruturas, acredito que não tem protocolo de segurança que caiba nas unidades. Precisamos observar os protocolos, construir as regras junto com o governo, com a Fiocruz, com a categoria... mas vejo que nada comporta dentro das escolas - diz, referindo-se a salas pequenas, sem ventilação, refeitórios pequenos para tantos alunos e poucos funcionários de limpeza para garantir a higienização necessária contra o vírus.

© 2020. A Seguir Niterói. Todos os direitos reservados. Site por Grazy Eckert e João Marcos Latgé.