Mercado Municipal de Niterói já tem 100 lojas interessadas

Diretora acredita que o mercado será um novo ponto de encontro da cidade A fachada no Novo Mercado Municipal. Ilustração A empresária Sofia Avny tem cumprido a quarentena com rigor, em São Paulo, desde o início da pandemia. Mas tinha um compromisso importante nesta quinta-feira (13). Pegou máscaras, álcool em gel e se meteu num avião com destino ao Rio, e logo em seguida Niterói. Diretora da Nacional Shopping, cabia a ela a tarefa de apresentar os planos do Novo Mercado Municipal de Niterói, um investimento de R$ 69 milhões, tocado por um consórcio de empresas privadas. No Solar do Jambeiro, onde o Prefeito Rodrigo Neves promoveu o lançamento comercial do projeto, só tinha uma preocupação: corresponder à expectativa que a obra tem gerado na cidade. Como disse o secretário Luiz Paulino, no encontro, com direito a todos os exageros possíveis, Niterói acredita que vai ser “o melhor mercado do mundo.” Mesmo em plena quarentena, a empresária revela que pelo menos cem empresários já se apresentaram interessados em alugar uma loja na avenida Feliciano Sodré. Sofia Avny na apresentação do projeto No aeroporto, aguardando o voo para São Paulo, Sofia estava satisfeita com o lançamento do projeto. Tinha feito planos para construir uma cozinha, convidar chefs renomados, exibir um pouco da “experiência” que pretende oferecer a quem visitar o Novo Mercado Municipal de Niterói. Mas a pandemia mudou tudo. “É o que temos”, conforma-se. Mas não desanima nem um pouco. “O importante é que as pessoas se mobilizaram, acompanharam o evento, interessadas. Tivemos mais de mil pessoas assistindo a transmissão pela internet.” Na maioria, comerciantes. - Já temos quase cem pessoas, empresas, abertamente interessadas, que já se apresentaram e preencheram um formulário. Grandes empresas de Niterói, e também pequenas empresas, produtores, eles se apresentam como da economia criativa, que têm produtos de muito boa aceitação. Tem até um conceituado chef francês… - conta, para em seguida desconversar. As vendas, efetivamente, só começam em setembro. Mas já é possível fazer contato pelo site. Sofia fala com sotaque. Mas demonstra familiaridade com a cidade e os gostos dos moradores de Niterói. Acredita no mix de produtos, gastronomia e entretenimento que planeja oferecer. Frutas, legumes, verduras, carnes, peixes, embutidos, queijos, vinhos… e flores. Tudo no térreo. Os restaurantes, bares e uma atração especial, uma cozinha experimental, ficarão no mezanino. As obras estão aceleradas para a inauguração do mercado no dia 22 de novembro, aniversário da cidade. Mas apesar de toda a confiança do mundo sabe que os prazos são apertados, e que provavelmente o espaço dos restaurantes dificilmente estará totalmente ocupado até a data. Mais adiante, será feito o novo prédio, ampliando ainda mais a capacidade do mercado. Nesta primeira etapa, serão oferecidas 180 lojas. As menores, que em outros empreendimentos poderiam ser chamadas de boxes, pelo seu tamanho, terão apenas 8 metros quadrados. São lojas destinadas a produtores que vendem um único produto, como um produtor de mel, por exemplo. Mas há lojas maiores, especialmente as reservadas para os restaurantes, com até 134 metros quadrados. "Quantas lojas o mercado terá neste momento?", pergunto. - Oitenta, ou noventa. Não lojas, mas CNPJs. Porque uma empresa pode ter mais de uma loja e juntar as duas. Então, esse é o número de CNPJs - explica. Ela espera um boa procura, apesar da economia parada pela pandemia. E antecipa que vai ser criteriosa na escolha dos negócios, porque diz que o mercado pede empresas bem preparadas para o tipo de demanda. “Tem que ter estoque, abrir todos os dias. Tem que saber lidar com o fluxo de pessoas…” Pergunto qual o movimento de público esperado para o mercado. - Difícil dizer. Ninguém esperava pela pandemia. E pelo tempo que já está durando. Nós fizemos um primeiro estudo, três anos atrás, e a previsão era de receber 14 mil pessoas por dia. No final do ano passado, repetimos a pesquisa. A economia dava sinais de recuperação. E a previsão aumentou para 21 mil pessoas. Agora, é impossível dizer. Nem adianta fazer uma pesquisa agora. Porque você vê que os shoppings estão abrindo, mas têm que medir a temperatura, controlar a lotação, não pode ter aglomeração. E as pessoas ainda estão com receio de sair. Esta é a nossa realidade -, analisa. A pandemia, no entanto, não diminuiu o interesse dos comerciantes. Ela acredita que a venda será um sucesso. E espera que a situação melhore até a inauguração. Hoje, segundo ela, é difícil fazer um plano de marketing, propor ações para atrair as pessoas. Confia no futuro: “Em 2021 teremos uma vacina e com a vacina a vida volta ao normal”. - As pessoas vão sentir necessidade de se socializar, de estar juntas. O sangue latino fala mais alto. O brasileiro vive intensamente as relações humanas, gosta de tocar, abraçar, beijar -, fala sem esconder a saudade da vida normal. Quero saber o preço das lojas, a pergunta que todos os empresários fizeram durante o lançamento. Mas não deu tempo. Sofia pede desculpas. O avião vai decolar...

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