Moradores do Complexo do Viradouro, ocupado pela PM em Niterói, denunciam abusos

Secretaria de Segurança diz que ação visa a preservar vidas e que eventuais irregularidades serão punidas Faixas em muros de residências pedem respeito aos moradores. Foto: Reprodução redes sociais Moradores de comunidades do Complexo do Viradouro, em Santa Rosa, na Zona Sul de Niterói, denunciam que policiais militares estão agindo com truculência, invadindo casas e desrespeitando famílias durante a operação de ocupação das comunidades, iniciada na semana passada. Nesta quarta-feira (26), faixas com os dizerem “Lar de Morador. Respeite” foram fixados nos muros de residências em protesto às ações. A operação de ocupação foi iniciada na noite de quarta-feira passada (19) após um pedido da Prefeitura de Niterói que iria começar a realizar obras de melhorias na região. O objetivo da ação, planejada há um mês pela PM, é para recuperar o território de seis comunidades do Viradouro dominadas pelo tráfico de drogas e garantir que as obras sejam realizadas. Mas os moradores relatam pelas redes sociais que suas residências estão sendo arrombadas durante as patrulhas quando não há ninguém em casa. Algumas residências já deixam nas portas o recado: “Não arrombem minha porta, casa de morador, saiu para trabalhar”. Além disso, há relatos de violência policial durante abordagens. As denúncias de abusos já chegaram ao Ministério Público e à Comissão de Direitos Humanos da Alerj. Representante da comissão, o deputado estadual Waldeck Carneiro (PT) participou de uma reunião na noite desta quarta-feira (26) entre o grupo de lideranças da região e o comandante do 4° Comando de Policiamento de Área (CPA), responsável pela área de Niterói. - Ouvimos muitos relatos sobre abusos. Os moradores não gostam de viver com o domínio do crime, mas não acham que para fazer isso a polícia tenha que “esculachar” as famílias. São relatos de invasão de domicílio, abordagens como se todos fossem bandidos, desrespeito, empurrões, tapas… Tem que combater o crime, não é normal que as pessoas vivam nas comunidades sob o comando do crime, mas não pode tratar todos os moradores como bandidos - enfatizou o deputado. Recados foram afixados nas portas pedindo que policiais não arrombem as portas Foto: Reprodução redes sociais A operação, que acontecerá por tempo indeterminado, será comandada nesta primeira fase por agentes do Comando de Operações Especiais (COE) e depois por policiais do Batalhão de Choque da PM. Somente na terceira fase será comandada pelo 12° BPM (Niterói), que vai instalar cabines blindadas em pontos das localidades. As ações foram comunicadas previamente ao Ministério Público, seguindo a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as operações policiais durante a pandemia. Em nota, a Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que as ações obedecem a planejamentos e critérios estratégicos, independentemente da pandemia, e que o objetivo primordial é o cumprimento da lei e a preservação de vidas. Sobre as denúncias, o texto diz que a Corporação não compactua e “pune com o máximo rigor, quando identificados, possíveis abusos de autoridade e desvios de conduta cometidos por seus membros”. Denúncias podem ser feitas à Corregedoria da PM através do número (21) 2725-9098 ou pelo e-mail denuncia@cintpm.rj.gov.br. O anonimato é garantido. A ação tem o apoio da Prefeitura de Niterói a partir do convênio com o Proeis, programa por meio do qual a Prefeitura paga plantões extras a agentes da PM. Até o momento, o Poder Público Municipal não respondeu se está ciente das denúncias. Obras A Prefeitura de Niterói anunciou que deu início a obras de urbanização e infraestrutura nas comunidades do Viradouro e Morro da União, no Complexo do Viradouro, em Santa Rosa. A iniciativa, segundo a Prefeitura, vai gerar 200 empregos diretos e a mão de obra contratada será do próprio local.

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