Número de rodoviários demitidos em Niterói chega a 332 na pandemia e vai aumentar

Três empresas fizeram cortes nesta segunda (31). Previsão é de milhares de desligamentos até o fim do ano por causa da redução de passageiros Empresas de ônibus de Niterói demitem e alegam redução de passageiros na pandemia Aumentou para 332 o número de trabalhadores demitidos por empresas de ônibus nesta segunda-feira (31). Além da Auto Lotação Ingá, que demitiu 250 funcionários, as companhias Brasília e Expresso Barreto também dispensaram empregados. As empresas de ônibus alegam que a redução de passageiros durante a pandemia agravou a crise do setor. A tendência, dizem os empresários, é que o corte de pessoal atinja entre 30% a 40% do quadro funcional até o fim do ano, algo em torno de 5,4 mil a 7,2 mil rodoviários. Leia mais: Empresa de ônibus de Niterói demite rodoviários por causa da redução de passageiros na pandemia O presidente do Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac), Rubens dos Santos Oliveira, disse que as demissões, além de prejudicarem os trabalhadores do setor, atrapalha também os passageiros das linhas atendidas pelas empresas. Com menos funcionários, menos carros na rua. -É lamentável que, depois de tantos avisos, vemos a categoria entrar em um processo de demissões em massa. Cabe ao sindicato assegurar que os demitidos sejam indenizados e negociar para que as demissões estanquem. A participação do poder concedente do transporte público, ou seja, Estado e municípios, nesse processo de negociação é fundamental, mas até agora todos se fazem de surdos. É preciso que fique claro que o sistema vai entrar em colapso e a população precisa saber disso - afirma. De acordo com a entidade, as empresas querem pagar em 20 vezes as verbas rescisórias. Em negociações com a entidade, a Brasília e a Barreto reduziram para 15 parcelas. O caso foi encaminhado para mediação do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT/RJ). Veja: MP investiga "sumiço" de linhas de ônibus em Niterói Em nota, o Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Setrerj) adiantou que estes não serão casos isolados e que demissões serão necessárias para manter a prestação do serviço. Segundo a entidade, o isolamento social - e a diminuição do número de passageiros - provocou prejuízo às empresas de ônibus, principalmente no sistema intermunicipal, uma vez que as linhas para a capital ficaram suspensas por quatro meses. Dados da Fetranspor apontam que o setor de ônibus no estado perdeu R$ 1,7 bilhão em receita - um prejuízo de R$ 713 milhões -, levando em consideração o período de março a junho deste ano, comparado com 2019. Até o fim do ano, a previsão é que a perda vá a R$ 1,6 bilhão. “As empresas de ônibus vêm alertando para essa situação desde o início da pandemia. Ainda assim, não houve nenhum apoio substancial do Governo para o setor. Na maioria das grandes cidades do mundo, o transporte é subsidiado pelo poder público. No Brasil, a cidade de São Paulo, por exemplo, investe mais de R$ 3 bilhões por ano para subsidiar a tarifa de transporte”, diz a nota do Setrerj. As empresas que fizeram demissões em massa devem receber uma multa, prevista na Medida Provisória 936 do Governo Federal, já que optaram pelo Benefício Emergencial (BEm). O programa prevê o compromisso de manter a estabilidade no emprego dos trabalhadores, caso contrário terão que pagar a eles até 70% do valor do Seguro-Desemprego, percentual calculado de acordo com o valor da redução do salário de cada profissional.

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