Niterói prepara estímulos para retomar a economia depois da Covid

Secretária Giovanna Victer aposta na abertura de novo mercado municipal, ainda este ano, na vitalidade do setor de serviços e na indústria de óleo e gás As obras do mercado municipal Feliciano Sodré: plano para estimular a economia Giovanna Victer: contas em dia e preocupação com emprego e renda A fama é de controladora. A Secretária de Fazenda, Giovanna Victer, é responsável pela manutenção das contas da Prefeitura de Niterói em dia. Vai conseguir isso mais uma vez, mesmo com a pandemia e a forte crise da economia. As receitas caíram mais de 30%. Mas o fundo criado com recursos dos royalties garantiu um socorro de R$ 250 milhões para a emergência. Dinheiro aplicado em hospitais, medidas de saneamento, testagem, equipamentos… mas também no auxílio a empresas e moradores que perderam sua renda durante mais de 100 dias de isolamento. “Hoje, não tem dez cidades no Brasil que vão fechar as contas como Niterói, e com tudo o que foi feito aqui na pandemia”, diz, orgulhosa. Mas não é do feitio dela esconder os problemas: - Nós ainda vamos ter uma situação muito dramática pela frente. O Ministério da Economia calcula uma queda de 6,4% do PIB. O FMI fala em 9%. O ano vai ser de muita austeridade. Este ano e o próximo. Porque ninguém sabe como será a retomada. As empresas, as pessoas precisam recuperar a confiança, para gerar empregos e renda. Acho que o nosso melhor ativo neste momento é a estabilidade no meio da crise - analisa. Reunião do gabinete de crise com o Prefeito Rodrigo Neves Giovanna Victer já conduziu a Seplag, a Secretaria de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão que traçou o plano de ação do Prefeito Rodrigo Neves. Passou para a Fazenda no início de 2019, e desde o início da pandemia lidera o comitê de gestão da crise, com a tarefa de atuar na emergência e também planejar a retomada da economia. A cidade ainda não saiu da situação de alerta, mas a agenda de encontros com os mais diversos setores da sociedade é intensa. “ É muito interessante”, diz ela, “já fizemos encontros com setor naval, comerciantes, donos de bares, restaurantes, igrejas e templos, salões de beleza, clubes…” Mas o plano não começou a ser traçado hoje. - Há algum tempo a gente tem uma obsessão enorme com emprego. O problema de do desemprego já existia antes da crise, com mais de 12 milhões de desempregados. Então, a Prefeitura traçou vários programas para estimular o crescimento, respeitando as vocações da cidade - explica. Na lista, aparecem os projetos de um pólo de tecnologia em São Domingos, em parceria com a UFF, para abrigar e desenvolver start-ups, a abertura do novo mercado municipal e a revitalização da atividade naval, que começa com a dragagem do canal de São Lourenço. Mas qual a vocação da cidade? Nascida em Brasília, casada com um niteroiense, ela adotou a cidade e se apóia no conhecimento que acumula como funcionária federal, Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, para responder, sem hesitar: serviços!, afirma, apesar do peso da atividade naval, do setor de óleo e gás, na receita do município, além dos royalties do petróleo. A Secretária entende que Niterói exerce uma centralidade em termos de serviços em relação a municípios vizinhos. Como acontece com o Rio, na Região metropolitana, Niterói exerce influência sobre o Leste e o Norte fluminense. E lista serviços que são fortes na cidade: comércio, médico hospitalar, educação, contabilidade e advocacia, estética, restaurantes, bares… - A primeira preocupação, na crise, foi proteger estas empresas de serviços, porque não são empresas de grande porte, para suportar tanto tempo sem receita. Especialmente com a folha de pagamento. A conta de luz e água vai cair, naturalmente. O aluguel, pode ser renegociado. Mas a folha de pagamentos como você faz..? A prefeitura desenvolveu programas importantes para socorrer estas empresas. O Empresa Cidadã, que atendeu mais de 2800 empresas, principalmente bares e restaurantes. Também foram investidos R$ 15 milhões no Supera, que ganha uma nova etapa, o Supera mais, para atender empresas com faturamento até R$ 1 milhão e profissionais liberais e autônomos. Também estão sendo desenhadas linhas de crédito de capital de giro, com recursos da Prefeitura, depois que os programas federais falharam neste apoio. O socorro permitiu à cidade manter negócios tradicionais, como restaurantes e bares, que no Rio tiveram que fechar. “São a identidade de uma cidade”, sustenta. Agora, a prefeitura planeja a retomada das atividades. Qual o plano? Giovanna não tem dúvida. “Estimular a retomada da confiança, o consumo, a ativação do setor de serviços. Vamos trabalhar para as pessoas voltarem a consumir. Frequente Niterói. Consuma Niterói. Aposte na cidade. Porque as pessoas não vão mais sair tanto, viajar tanto. É preciso valorizar o que temos. Oferecer mais atrações, mais lazer, entretenimento. Mais serviços.” O primeiro projeto é ambicioso, a construção, em plena crise, do novo mercado municipal de Niterói, o Mercado Feliciano Sodré, perto da entrada da Ponte. Com barracas de alimentos, bares, restaurantes, ofertas de entretenimento, como acontece em outros mercados internacionais, como mercado da Ribeira. A oferta das lojas será feita já em agosto e a intenção é ter o mercado funcionando ainda este ano. A Secretária acredita que com o mercado, a cidade vai exercer esta influência que tem sobre outras áreas do interior do estado. - Niterói tem isto, todo mundo veio de alguma cidade do interior, de Frigurgo, São Fidélis, Casemiro, Campos… Para estudar, para negócios, para cuidar de assuntos legais, para ir a médico ou ao dentista. O mercado vai abrigar toda essa cultura. Projeto do Mercado Feliciano Sodré, em construção A cultura é outro elemento importante no plano de reativação. Se as pessoas vão ser mais cuidadosas e ficar mais por aqui, será preciso ampliar a oferta. Giovanna diz que esta já era uma preocupação da Prefeitura. Isso tudo vai reabrir - diz ela: o Teatro Municipal, o MAC, o Reserva, os museus… E a oferta será ainda mais ampliada, porque a ideia é que as pessoas consumam mais aqui, vivam melhor a cidade. O plano mais ambicioso, no entanto, envolve a zona portuária e a atividade de óleo e gás. Giovanna destaca a parceria estabelecida com a Nit Negócios e com o secretário de Indústria Naval, Petróleo e Gás, Luiz Paulino Moreira Leite, para aprimorar o projeto de recuperação da atividade naval. - É uma atividade que gera emprego e renda. Gera emprego de qualidade.E toda uma cadeia de atividades. O que vamos gastar no canal a cidade recupera facilmente em menos de seis anos - afirma. Giovanna construiu sua carreira apegada aos números. Mas não esconde sua formação em Ciência Política, pela Universidade de Brasília, com mestrado na London School of Economics, em Políticas Sociais e Planejamento para Países em Desenvolvimento. Desenha programas de apelo social, como uma ação a ser feita nas comunidades a ser anunciada pelo prefeito nos próximos dias. “Não dá para olhar a gestão fiscal sem olhar para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. E isso virá com emprego e renda. O que a gestão pública tem que fazer é saber conduzir este processo para impulsionar a economia.

© 2020. A Seguir Niterói. Todos os direitos reservados. Site por Grazy Eckert e João Marcos Latgé.