Niterói tem atrativos para receber investimentos, diz Firjan

Presidente da Firjan no Leste Fluminense afirma que cidade vai sair bem posicionada da pandemia Por Carolina Ribeiro Luiz Césio Caetano é presidente da Firjan Leste Fluminense. Foto: Divulgação/Paula Johas Niterói tem condições de atrair empresas e de retomar mais rapidamente as atividades do que outros municípios. Luiz Césio Caetano, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) no Leste Fluminense, está otimista com a recuperação da economia da cidade pós-pandemia de Covid-19. Em entrevista ao A Seguir: Niterói, ele afirma que a dragagem do Canal de São Lourenço, uma importante rota de navios na Baía de Guanabara e que está assoreada, vai permitir o impulsionamento do PoloMar, o Projeto de Ativação Econômica de Frente Marítima da Prefeitura. A obra, incluída no Plano de Retomada Econômica lançado pela Prefeitura, vai possibilitar e facilitar o acesso ao Porto de Niterói, impulsionar estaleiros e os setores de reparo naval e pesca, entre outros. Com a revitalização, diz, a cadeia industrial de Niterói terá melhor infraestrutura, permitindo a atração de novos investimentos, geração de empregos e desenvolvimento econômico. Outros projetos também estão sendo estudados pela Firjan para alavancar a indústria no Leste Fluminense e em todo o Estado do Rio. A Seguir: O Brasil é um dos mais afetados pela pandemia do Covid-19, tanto em vítimas da doença mas também na questão da economia. Apesar de Niterói ter feito um trabalho reconhecido no combate ao vírus, a cidade precisou ficar quatro meses com grande parte da economia fechada para conter o avanço do coronavírus. De que maneira a indústria de Niterói foi afetada? Luiz Césio Caetano: O impacto na indústria variou de segmento para segmento. O governo de Niterói não determinou que a indústria parasse. E isso tem uma lógica. No comércio e em serviços em geral, é uma infinidade de pessoas que entram e saem. Já a indústria é um ambiente controlado. Por exemplo, se for uma empresa de 50 pessoas, são essas 50 que entram e fazem o serviço todo o dia. Assim, é possível controlar as medidas sanitárias para evitar a contaminação do vírus. Por isso, não foi afetada diretamente, mas foi afetada porque está numa cadeia. A indústria recebe suprimento, processa e vende. Então, a partir de um certo momento, foi afetada ou porque tinha dificuldade em um suprimento ou porque a venda não acontecia. A indústria acabou tendo que reduzir a sua atividade, algumas paralisaram e outras reduziram a carga horária de trabalho. Foi um impacto derivado do conjunto de ações que a sociedade estava vivendo. Alguns setores foram mais influenciados e outros menos, como o setor de embalagem, porque na área de alimentação a procura por embalagem aumentou. Ou na indústria de alimentação, panificação e seus ingredientes, porque as pessoas, claro, continuaram comendo. Não há um diagnóstico único. Niterói, por outro lado, não é uma cidade de grande densidade industrial. Como indústrias principais, tem a construção civil, que foi impactada no início mas aprendeu a conviver com a pandemia. O Firjan Sesi e o Seconsi, que são instituições que apoiam a atividade e a capacitação na indústria de construção civil, desenvolveram manuais de orientação de como proceder, e o setor foi retomando sua atividade. Alguns outros, como manutenção e estaleiros, continuam funcionando. A indústria é um dos setores mais indutores de Niterói, mas ao longo dos anos vem sofrendo com a crise econômica e o fechamento de diversas empresas. De que forma a Firjan vem trabalhando para mitigar esse impacto da crise em Niterói e alavancar o setor? A Firjan não tem uma ação especificamente para Niterói, mas um trabalho a nível de Estado. Quando a atividade tem dificuldades, que podem vir pela questão tributária, custo da mão de obra, dificuldade de suprimento e logística, a Firjan atua nessas áreas e, por consequência, atua nas indústrias que estão em Niterói. A Firjan tem conselhos temáticos, trabalhista, tributário, de economia, de meio ambiente, compostos de empresários. Esses empresários levam suas dificuldades e a Firjan equaciona soluções e sugestões para encaminharmos esses problemas. Nesse período de pandemia, tivemos que mudar a maneira de atuar, criamos um programa de Resiliência Produtiva em que fizemos diversos pleitos ao Poder Executivo a nível municipal, estadual e federal. Todos esses pleitos foram em função dos maiores problemas causados pela pandemia, na área econômica de acesso a crédito, na área tributária com dificuldade de pagamento de contas, tem a questão da demanda contratada. Tudo isso foi substanciado num documento que chegou a ter 72 pleitos, e conseguimos sucesso em torno de 80%, como na questão trabalhista que trabalhamos intensamente com o Ministério da Economia e a Secretaria do Trabalho para equacionar todas as questões. A dragagem do Canal de São Lourenço é uma obra necessária para a retomada de serviços e empregos do setor naval de Niterói. O Prefeito Rodrigo Neves anunciou que vai custear a intervenção. Na visão do senhor, como esta obra vai impulsionar o setor? Niterói tem um programa PoloMar, que tem por finalidade revitalizar a Frente Marítima de Niterói. Um dos pontos importantes dessa revitalização é a dragagem do Canal de São Lourenço, porque o assoreamento do canal limita a operação do Porto de Niterói, dos estaleiros, do reparo naval, da pesca. Então, na medida que se faça a dragagem do canal e do entorno, vamos ampliar de forma muito significativa a capacidade de operação do Porto, viabilizar a retomada da operação do Terminal Pesqueiro, que hoje está paralisado, os estaleiros também vão aumentar a capacidade. A dragagem vai permitir que navios maiores aportem aqui, seja para carga e descarga no Porto, manutenção e até para construção. A Firjan teve uma parceira muito forte com a Prefeitura na obtenção da licença de operação para a dragagem, trabalhando muito junto ao órgãos ambientais. Um exemplo é que quem contribuiu na obtenção da quantia da taxa necessária para pagar ao Inea há alguns anos foram as indústrias. Além dessa abertura com o Porto, estaleiro, setor de pesca, isso tudo desenvolve uma cadeia de valor no fornecimento de serviços e produtos para essa indústria. Temos também o Mercado Municipal, que será não só um ponto atrativo de lazer, mas também comercial, onde produtos serão vendidos. Além do apoio ao comércio e parte da indústria, como exemplo, as cervejarias, que terão um espaço específico. Cria também toda uma cadeia de suprimento, logística. Então o projeto do PoloMar vem muito de encontro a essa revitalização da Frente Marítima. A Firjan apoia outro projeto para o setor naval? Um outro projeto que a Firjan apoia e faz parte é o Cluster Tecnológico Naval. A ideia é desenvolver tudo relacionado ao mar, não é só de estaleiro, ele é adensamento de cadeias produtivas. Por exemplo, construção e reparação naval, pesca, gerar incentivos à economia do mar, que envolve turismo, gastronomia, levantamentos hidrográficos, dragagens, plataformas de petróleo. A ideia é resgatar no Rio, incluindo Niterói, essa economia ligada ao mar nesses eixos produtivos que já citei. É um projeto muito interessante. Temos tecnologia através da UFF, temos o Senai no Barreto, temos o IME no Rio, são instituições de grande capacidade tecnológica. O projeto é de um grupo de empreendedores para o Rio de Janeiro, mas Niterói apoiou a ideia assinando uma carta de intenções para integrar o cluster em novembro, quando foi lançado. A Prefeitura também está fomentando o estudo sobre a economia do mar no plano de retomada, é parte do cluster. A ideia desse documento que a Prefeitura assinou é fortalecer esse ambiente de governança na área naval, de petróleo, gás. É difícil quando se fala em desenvolvimento e oportunidades focar somente em Niterói, se fala naa região. Niterói será sempre uma âncora pela sua infraestrutura de educação, hospitalar, mas a gente fala em desenvolver uma frente marítima, que inclui o Rio de Janeiro, Niterói e São Gonçalo. Muito se fala da indústria naval de Niterói, mas a cidade já foi um polo industrial de outros segmentos como os setores têxtil e de alimentos. Niterói tem atrativo para o investimento das indústrias? Niterói tem o atrativo para o investimento, não para qualquer tipo de indústria, mas indústrias voltadas para um valor agregado maior. Tendo localização e educação privilegiadas, com vários centros de excelência em educação superior, tudo isso é um atrativo para ter a mão de obra qualificada em Niterói. Temos no Barreto, na Zona Norte, o Firjan Senai, que é para qualificação profissionalizante, também com um laboratório ligado a uma rede mundial de pesquisa e inovação. Acho que Niterói tem sim atrativos, é uma cidade de bons níveis sociais e econômicos, com uma renda elevada, e com recursos de royalties. Niterói é uma das cidade de maior renda de recursos próprios de IPTU, ISS e ITBI, porque o mercado de venda de imóveis é bastante ativo. Então, a cidade reúne sim condições de atrair empresas, mais do que só indústrias. Empresas na área de Tecnologia da Informação, por exemplo, tem tudo para serem atraídas. Há espaço novamente para o crescimento de diferentes setores da indústria em Niterói? Niterói, pelo seu desenvolvimento, foi perdendo muitas áreas que eram industriais, que foram cedendo espaço para construção civil. Acho que alguns segmentos hoje são muito difíceis de retornar, como têxtil, por exemplo, não vejo possibilidade de esse setor voltar à cidade. Mas o setor de gado, a pesca, já que tem o terminal pesqueiro que será reativado com a dragagem do canal, toda a indústria ligada ao setor naval, seja de construção, de reparo, offshore, também tem toda condição de ser retomada e o Cluster Naval Tecnológico vem em apoio a isso. Também há a indústria da construção civil, que é uma grande vocação de Niterói. Além disso, podemos falar também na indústria de valor agregado em tecnologia, toda a área de Tecnologia da Informação tem atratividade na cidade. Hoje seriam alguns dos segmentos onde Niterói tem uma capacidade muito grande. O plano de retomada de Niterói lançado pela Prefeitura é baseado em cinco iniciativas: capital de giro para as empresas, dragagem do Canal de São Lourenço, melhoria de moradia e fomento à construção civil, reabertura do Mercado Municipal e programa de inovação e tecnologia em parceria com a UFF. O que espera para Niterói no futuro? Niterói vai sair bem posicionada e bem forte da pandemia. A prefeitura fez alguns programas de socorro não só ao cidadão, mas também a empresas. Isso vai permitir que as empresas, embora com dificuldades, possam retomar suas atividades em posição mais competitiva, menos sofrida. Acredito que com o planejamento de retomada Niterói tem tudo para um retorno mais rápido do que os demais municípios. A Firjan fez um programa de retomada para o Estado do Rio, com sugestões de medidas para o crescimento do Rio, de forma competitiva. Quando a gente fala em Rio de Janeiro, Niterói está inserido no cenário. Esse programa foi apresentado na Alerj para que as sugestões apresentadas possam ser trabalhada, já que muitas dizem respeito a questões legislativas, de forma que a gente possa ter uma retomada mais firme. Apresentamos várias sugestões de medidas, algumas envolvem fortalecer as Parcerias Público Privada para facilitar e aumentar o investimento, uma vez que a PPP tem um efeito multiplicador muito grande. A Firjan identificou 142 oportunidades de concessões de PPP, isso representa o potencial de investimentos na ordem de R$ 55 bilhões de reais. Estamos confiantes que o programa dê ao Rio de Janeiro um incentivo grande na retomada e Niterói está inserida neste contexto. Não conseguiríamos jamais desenvolver apenas Niterói, temos que olhar o entorno, o Leste Fluminense e o próprio Estado.

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